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O que aconteceu desde a última partida de Chávez a Cuba?

Ausente da Venezuela desde dezembro de 2012, presidente faltou à cerimônia de posse; oposição critica falta de clareza sobre sua saúde

8 jan 2013
10h30
atualizado em 15/2/2013 às 13h58
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Em meados de 2012, Hugo Chávez afirmou estar completamente curado do câncer contra o qual lutava havia mais de um ano. O anúncio firmou seu caminho para as eleições de outubro, nas quais acabou por se reeleger pela terceira vez para um inédito quarto mandato em Caracas. Mas dois meses depois, no dia 10 de dezembro, o líder bolivariano anunciou que a batalha contra a doença persistia e que ele próprio partia para Cuba para retomar o tratamento.

Chávez, na partida de Caracas em direção a Havana, na noite de 10 de dezembro de 2012
Chávez, na partida de Caracas em direção a Havana, na noite de 10 de dezembro de 2012
Foto: AFP

Cirurgia e recuperação
Já em Havana, Chávez submeteu-se, no dia 11 de dezembro, à quarta cirurgia em menos de dois anos. No mesmo dia, o vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou o êxito do procedimento operatório. Mas, desde então, em meio a comunicados constantes mas pouco detalhados liberados pelo governo de Caracas, crescem as especulações sobre o verdadeiro estado de Chávez.

Os comunicados sobre o estado de Chávez, que não apareceu em público desde sua chegada à capital cubana, vêm sendo feitos por Maduro e os principais ministros chavistas, como Ernesto Villegas (Comunicação) e Jorge Arreaza (Ciência e Tecnologia). Em resumo, os representantes de Caracas concedem que a recuperação do presidente é “favorável”, ainda que o processo pós-operatório seja “complexo e duro”.

Os boletins têm sido pouco específicos, mas em algumas circunstâncias foi possível obter detalhes sobre a real situação de Chávez. No dia 13, Villegas informou que Chávez apresentou um sangramento durante a cirurgia de 11 de dezembro.

No dia 18, o mesmo Villegas comunicou que o presidente havia sido diagnosticado com uma infecção respiratória àquela altura já controlada. No dia 4 de janeiro de 2013, Villegas comunicou que Chávez enfrentava uma “severa comunicação pulmonar”.

Em meio a estes boletins que indicam, nas palavras de Arreaza, um quadro “estável, mas delicado”, as autoridades garantem que Chávez mantém-se "consciente" e na posse de “plenas condições intelectuais”.

<p>Chávez com as filhas, na primeira imagem divulgada depois de sua quarta cirugia em Cuba</p>
Chávez com as filhas, na primeira imagem divulgada depois de sua quarta cirugia em Cuba
Foto: Reprodução

No dia 15 de fevereiro de 2013, mais de dois meses depois do último procedimento, o governo venezuelano divulgou as primeiras imagens de Chávez desde sua partida a Cuba. Neste pronunciamento, em que as imagens foram mostradas pelo ministro de Ciência, Tecnologia e Novação, Jorge Arreaza, o ministro de Comunicação e Informação, Ernesto Villegas, afirmou que a  infecção respiratória surgida durante o período pós-operatório havia sido controlada, " ainda que persista um certo grau de insuficiência".

Chávez vem sendo visitado pelas principais lideranças políticas chavistas, além de contar com a presença de Fidel Castro, ex-presidente da ilha comunista. No início de sua quarta estadia em Havana, o presidente do Equador, Rafael Correa, prestou-lhe visita. O presidente da Bolívia, Evo Morales, aliado chavista, disse no dia 2 de janeiro que o estado do líder bolivariano é “muito preocupante”.

A questão da posse e o quarto mandato
Durante a atual ausência de Chávez, a Venezuela passou por eleições governamentais, nas quais o chavismo manteve sua predominância, ainda que Henrique Capriles, o principal oposicionista do pleito presidencial de 2012, tenha mantido seu mandato de governador no Estado-chave de Miranda.

No dia 4, o Itamaraty informou que o assessor da presidente Dilma Rousseff para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, havia estado em Cuba para se inteirar das reais condições de Chávez.

A incerteza sobre a saúde de Chávez se refletiu na incógnita do dia 10 de janeiro, data oficial da posse do presidente eleito em Caracas. A princípio, a Constituição previa que Chávez precisaria estar no país neste dia para jurar frente à Assembleia Nacional. Mas Maduro afirmou que o texto constitucional permite que Chávez, já sendo o atual presente, passe por esse “formalismo” quando estiver apto.

Esta interpretação da Constituição foi requisitada e aprovada formalmente na Assembleia e, depois, avalizada pelo STJ. Assim, o dia 10 de janeiro passou da data da posse ao palco de uma grande mobilização de defesa da revolução bolivaria e de apoio a Chávez cujo ápice foi o discurso de Maduro negando qualquer vácuo ou duelo de poder em Caracas.

A oposição venezuelana criticou a decisão do governo, denunciou o temor de deturpação da ordem constitucional à Organização dos Estados Americanos (OEA) e pediu o posicionamento crítico dos governos latinos. A OEA declarou respeito à decisão da Suprema Corte venezuelana, e a maioria dos países do continente - inclusive o Brasil - disse confiar na condução do processo político em Caracas.

Fonte: Terra

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