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MC Daleste: música e dança ao redor da sepultura

A sepultura do funkeiro é a mais famosa do cemitério localizado na periferia de São Paulo

3 ago 2015
07h45
atualizado às 08h04
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O cotidiano de quem trabalha em um cemitério tem tudo para ser “para baixo”. Além de vários enterros seguidos, os profissionais presenciam diariamente pessoas que visitam amigos ou familiares perdidos e passam alguns minutos – ou até horas – chorando e lamentando. O que os funcionários do Vila Formosa assistiram em julho de 2013, no entanto, foi diferente de tudo que já haviam visto por lá. Em uma das sepulturas, adolescentes começaram a se reunir praticamente todas as tardes para, ao som de funk, cantar e dançar em homenagem ao morto.

MC Daleste morreu após ser baleado durante um show em Campinas (SP) na noite de sábado
MC Daleste morreu após ser baleado durante um show em Campinas (SP) na noite de sábado
Foto: Facebook / Reprodução

Ali estão os restos mortais do cantor MC Daleste, assassinado no dia 6 daquele mês. As curiosas homenagens, de acordo com o administrador Antônio Targino da Silva, deixaram de acontecer depois de alguns meses, mas a sepultura, única de celebridade presente no local, continua sendo a mais visitada dali.

Em 2014, na data de seu aniversário, um incidente. O túmulo foi depredado e uma faixa que estava em cima dele, rasgada. A família suspeita que o vandalismo foi cometido por pessoas ligadas ao assassinato.

Sepulturas no cemitério da Vila Formosa
Sepulturas no cemitério da Vila Formosa
Foto: Fábio Santos / Terra

O crime – ainda sem explicações
MC Daleste foi morto aos 20 anos de idade enquanto realizava um show em uma quermesse gratuita em um conjunto habitacional de Campinas, no interior de São Paulo. Entre uma música e outra, o funkeiro começou a conversar com os fãs e, ao contar sobre uma vez em que tomou um “enquadro” da polícia, foi atingido por um tiro no peito. O momento foi, inclusive, filmado e publicado na internet .

O jovem era Daniel Pedreira Senna Pellegrini, natural de uma família de baixa renda da Penha, zona leste da capital. O garoto perdeu a mãe cedo e cresceu em um barraco de madeira na periferia do bairro. Na escola conheceu Erika Teixeira Franco, com quem foi casado por cinco anos.

Antes de se tornar um ícone do funk ostentação, o MC costumava escrever letras de Proibidão, subgênero que retrata temas como a violência policial e o tráfico de drogas. Em "Apologia", por exemplo, cantou os versos “Matar os polícia é a nossa meta / Fala pra nóis quem é o poder / mente criminosa, coração bandido / Sou fruto de guerras e rebeliões” e “Quem manda aqui é 1 P e 2 C”, este último em referência ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na época, o assassinato foi investigado pela Divisão de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), mas nenhum suspeito foi encontrado. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que atualmente as investigações prosseguem, mas sob segredo de Justiça.

“Monstro do funk”

Logo depois do crime, Daleste recebeu homenagens de vários ícones do funk e do rap nacionais, incluindo Guimê, Emicida e o grupo Racionais MCs.

Fonte: Terra

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