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Muçulmanos protestam contra os EUA na Ásia e Oriente Médio

17 set 2012
20h54
atualizado às 21h12

Manifestantes muçulmanos indignados com um filme ofensivo ao profeta Maomé enfrentaram a polícia na segunda-feira em várias cidades da Ásia, direcionando sua fúria contra os Estados Unidos por terem permitido a realização e difusão das imagens.

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A polícia fez disparos para cima na tentativa de dissolver a multidão que cercava o consulado dos EUA em Karachi, no Paquistão. No Afeganistão e na Indonésia, muçulmanos queimaram bandeiras dos EUA e gritaram "morte à América".

Em Jacarta, capital da Indonésia, mais populosa nação islâmica do mundo, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar centenas de manifestantes em frente à embaixada dos EUA.

Em Cabul, os manifestantes incendiaram carros e lojas, e apedrejaram a polícia. "Vamos defender nosso profeta até termos sangue sobre nossos corpos. Não vamos deixar ninguém insultá-lo", disse um manifestante. "Os norte-americanos vão pagar por sua desonra."

Milhares também saíram numa passeata em Beirute, onde o líder do Hezbollah acusou agências de espionagem norte-americanas de estarem por trás dos fatos que desencadearam a atual onda de sentimento antiocidental no mundo islâmico.

Desde terça-feira passada, vários países islâmicos têm tido protestos antiamericanos por causa do filme semiamador que retrata Maomé como mulherengo, homossexual e abusador de crianças. Trechos do filme estão sendo divulgados pela internet, sob vários nomes, inclusive "A Inocência dos Muçulmanos".

A situação abriu uma crise internacional em meio à reta final da campanha presidencial nos EUA. O governo norte-americano qualificou o filme de "repreensível", mas disse que, por causa do direito constitucional à liberdade de expressão, nada pode fazer para coibir sua distribuição, como pedem os manifestantes.

A Casa Branca disse que o presidente Barack Obama conversou com diplomatas dos EUA por telefone no fim de semana para prometer apoio e proteção. Na semana passada, o embaixador dos EUA na Líbia e três outros funcionários diplomáticos foram mortos durante uma invasão de manifestantes no consulado do país em Benghazi, no leste da Líbia.

Os novos protestos da segunda-feira mostram que a revolta por causa do filme está longe de terminar, apesar do apelo por calma feito no fim de semana pelo principal clérigo islâmico da Arábia Saudita, país que é o berço da religião muçulmana.

O Paquistão decidiu tirar o YouTube do ar no país, por causa da recusa do site em remover os vídeos que causaram os distúrbios. Em Beirute, o dirigente máximo do Hezbollah, xeique Hassan Nasrallah, disse que a eventual divulgação do filme na íntegra irá agravar a situação, e que os EUA devem ser responsabilizados por isso.

O Irã também condenou a realização do filme, e prometeu punir seus responsáveis. "Certamente (o governo) vai procurar, localizar e perseguir essa pessoa culpada por insultar 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo", disse o vice-presidente Mohammad Reza Rahimi numa reunião ministerial.

Autoridades iranianas exigiram um pedido de desculpas dos EUA pelo filme, dizendo que ele é parte de uma série de insultos ocidentais contra figuras sagradas do islamismo.

Não se sabe quem realizou o filme. Os trechos divulgados na internet identificam o diretor como Sam Bacile, mas duas pessoas ligadas à produção disseram que provavelmente se trata de um pseudônimo.

Filme anti-islamismo desencadeia protestos contra EUA
Na última terça-feira, 11 de setembro, protestos irromperam em frente às embaixadas americanas do Cairo, no Egito, e de Benghazi, na Líbia, motivados por um vídeo que zombava do islamismo e de Maomé, o profeta muçulmano. No primeiro caso, os manifestantes destroçaram a bandeira estadunidense; no segundo, os ataques chegaram ao interior da embaixada, durante os quais morreram, entre outros, o embaixador e representante de Washington, Cristopher Stevens.

Os protestos se disseminaram-se contra embaixadas americanas em diversos países da África e do Oriente Médio. Sexta, 14 de setembro, registrou o ápice da tensão, quando eventos foram registrados em Túnis (Tunísia), Cartum (Sudão), Jerusalém (Israel), Amã (Jordânia)e Sanaa (Iêmen). No Cairo, as manifestações têm sido quase diárias. No dia 17, Afeganistão e Indonésia também tiveram protestos.

O vídeo que desencadeou esta onda de protestos no mesmo dia em que os Estados Unidos relembravam os atentados terroristas de 2001 traz trechos de Innocence of Muslims, filme produzido nos Estados Unidos sob a suposta direção de Nakoula Basseky Nakoula. Ele seria um cristão copta egípcio residente nos Estados Unidos, mas sua verdadeira identidade e localização ainda são investigadas. O filme, de qualidades intelectual e cultural amplamente questionáveis, zomba abertamente do Islã e denigre de a imagem de Maomé, principal nome da tradição muçulmana.

A Casa Branca lamentou o conteúdo do material, afirmou não ter nenhuma relação com suas premissas e ordenou o reforço das embaixadas americanas. No dia 15 de setembro, a Al-Qaeda emitiu um comunicado no qual afirmava que a ação em Benghazi foi uma vingança pela morte do número 2 da rede terrorista no Iêmen em um ataque do Exército.

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