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Após protesto, manifestantes continuam detidos na capital paulista

9 set 2013
10h28
atualizado às 10h29
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<p>Manifestantes formados em sua maioria por integrantes do Black Bloc entraram em confronto com policiais militares na capital paulista</p>
Manifestantes formados em sua maioria por integrantes do Black Bloc entraram em confronto com policiais militares na capital paulista
Foto: Bruno Santos / Terra

Quatro homens detidos durante a manifestação de sábado, na capital paulista, continuam presos no 2º Delegacia de Polícia (DP), na região central da cidade. Outros quatro adolescentes, recolhidos para a Fundação Casa, permanecem apreendidos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os homens que estão no 2º DP serão transferidos nesta segunda-feira para um Centro de Detenção Provisória.

No total, 40 pessoas foram detidas nos protestos de 7 de Setembro, entre manifestantes e policiais. Entre elas estão 21 manifestantes que foram levados para averiguação após agredirem policiais. Os quatro homens que permanecem presos respondem por formação de quadrilha, dano qualificado e resistência à prisão. Um deles responderá por tentativa de homicídio contra um policial da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam). De acordo com a SSP, foram encontrados pedaços de paus com esse homem, que teriam sido usados para agredir o policial.

A polícia informou que apreendeu uma faca, um bisturi, um estilingue, latas de tinta e máscaras de gás. A corporação registrou cinco agentes feridos e cinco viaturas depredadas. Foram alvos dos atos de vandalismo, também, agências bancárias e uma banca de revista. A Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras registrou a destruição de 36 lixeiras. A SSP informou que ainda contabiliza os prejuízos ocorridos na cidade.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

 

 

 

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