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'Essas vozes precisam ser ouvidas', afirma Dilma sobre protestos

Presidente falou pela primeira vez sobre as manifestações que vêm ocorrendo em diversas cidades do Brasil nos últimos dias e defendeu o povo

18 jun 2013
12h19
atualizado às 16h20
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A presidente Dilma Rousseff garantiu nesta terça-feira que seu governo está atento às pressões sociais das ruas, decorrentes da onda de protestos contra o aumento das tarifas do transporte público no País. A presidente falou pela primeira vez sobre as manifestações que vêm ocorrendo em diversas cidades do Brasil nos últimos dias e defendeu o povo, afirmando que "essas vozes precisam ser ouvidas".

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"A minha geração sabe o quanto isso nos custou, eu vi ontem um cartaz muito interessante que dizia 'desculpem o transtorno, estamos mudando o País'. Quero dizer que meu governo está atento a essas vozes pela mudança, está empenhado e comprometido pela pressão social", ressaltou a presidente.

Dilma afirmou que "o Brasil hoje acordou mais forte por causa das grandes manifestações". Para ela, "a grandeza das manifestações de ontem comprova a energia da nossa democracia. (...) Os que foram às ruas deram mensagem direta ao conjunto da sociedade, sobretudo aos governantes de todas as instâncias. Essa mensagem diretas ruas é por mais cidadania, por melhores escolas, por melhores hospitais, postos de saúde, pelo direto à participação".

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Mais cedo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, responsável pela articulação com movimentos sociais, disse que a presidente estava atenta e preocupada com a mensagem dos protestos.  A governante condenou atos de violência que, segundo ela, foram minoritários nas manifestações de ontem. "Não podemos aceitar jamais conviver com ela (violência)".

 

A presidente ponderou, ainda, que as ações isoladas "não ofuscam o espírito pacífico das pessoas que foram às ruas para pedir pelos seus direitos". Ela aproveitou um discurso durante o lançamento de projetos de leis que tratam do novo marco da mineração para falar sobre as manifestações.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro. 

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

No dia seguinte ao protesto marcado pela violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que via "ações coordenadas" oportunistas no movimento, reiterou "a defesa do direito de ir e vir" da população, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes prejudiquem a circulação de veículos e pessoas. No mesmo dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a polícia deve ser investigada por abusos cometidos, mas não deixou de criticar a ação dos ativistas.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota. 

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

Fonte: Terra

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