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RS: ocupantes da Câmara farão ato por passe livre em frente à prefeitura

Manifestantes ocupam Câmara Municipal há seis dias; presidente da Casa diz que a "democracia está sangrando"

16 jul 2013
13h50
atualizado às 14h02
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Em ocupação na Câmara de Vereadores de Porto Alegre há seis dias, o Bloco de Lutas pelo Transporte Público marcou para a próxima quinta-feira um novo ato em frente à prefeitura da cidade. Os manifestantes querem que o prefeito José Fortunati (PDT) receba o projeto do passe livre e envie o texto aos vereadores.

<p>Câmara de Vereadores foi ocupada durante sessão plenária na semana passada</p>
Câmara de Vereadores foi ocupada durante sessão plenária na semana passada
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press

Manifestantes do Bloco de Lutas invadiram o plenário da Câmara de Vereadores durante sessão na última quarta-feira. O grupo condiciona sua saída da Casa à votação do projeto que garante a gratuidade do transporte público para estudantes e desempregados. A Justiça chegou a determinar a reintegração de posse do local na segunda-feira, mas adiou o cumprimento da medida.

Vereadores de Porto Alegre devem se reunir nesta tarde para decidir se vão recorrer do não cumprimento da reintegração de posse da Câmara. O presidente da Casa, Thiago Duarte, pediu intervenção da Assembleia Legislativa pela desocupação do plenário.

Hoje, em entrevista à Rádio Gaúcha, Duarte chorou ao falar da ocupação, que classifica como um “golpe”. “Será que a sociedade de Porto Alegre não está vendo isso? A Câmara não pode ser refém de um grupo! A democracia está sangrando, está sendo esfaqueada em praça pública”, disse.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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