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Manifestantes e PM entram em confronto em protesto no centro do Rio

Manifestação é contra nova tarifa de ônibus passa a vigorar no sábado no Rio de Janeiro. Valor passa de R$ 2,75 para R$ 3

6 fev 2014 18h58
| atualizado às 21h05
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Um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus acabou em confusão no centro do Rio de Janeiro nesta quinta-feira. O grupo de 500 pessoas marchou em direção à Central do Brasil e pulou a catraca aos gritos de "pula que é de graça", danificando algumas roletas. O policiamento foi reforçado com a presença de homens do Batalhão de Choque. Os manifestantes tentaram chegar na plataforma de embarque, quando foram impedidos pela polícia. A Polícia Militar expulsou os manifestantes, fazendo com que o comércio na estação baixasse as portas. Muitos black blocs arremessaram lixeiras.

Policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que ocupavam a estação de trem e muitos passageiros passaram mal dentro da Central do Brasil, onde era forte o cheiro de gás.

Do lado de fora, manifestantes atearam fogo em pilhas de lixo no meio da rua. Diversas fogueiras foram acesas nas ruas em torno da Central do Brasil, prejudicando o tráfego de veículos, que ficou praticamente paralisado na região. Passageiros que não participavam do protesto correram assustados sem saber o que fazer para fugir das pedras arremessadas pelos manifestantes e das bombas de gás jogadas pela polícia.

O clima é tenso na central, principal estação de trem do Rio, de onde partem todos os ramais.   Apesar do tumulto, o transporte de passageiros não foi interrompido. A PM faz cordão de isolamento para os passageiros entrarem sem passar pelas roletas nos trens. A SuperVia, empresa responsável pelo transporte de trens no Rio de Janeiro, decidiu liberar as catracas da Estação Central do Brasil para o embarque de passageiros a fim de evitar mais tumulto no local, ocupado por manifestantes.

Um cinegrafista da Band ficou ferido depois que uma bomba estourou ao lado dele. Ele foi encaminhado ao Hospital Souza Aguiar, para onde também está indo a direção da emissora. "Estava indo para casa quando bem ao meu lado eu ouvi um estrondo. Quando olhei, vi ele caído, desacordado, com um buraco na cabeça. Ele sangrava muito", afirmou o operário de construção civil Carlos André Silva, 24 anos, que testemunhou a cena. 

O fato ocorreu bem ao lado do Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste, e em frente à Central do Brasil. O cinegrafista se refugiava em uma árvore.

Uma mulher teve um corte profundo no braço direito em função de cacos de vidro que foram em sua direção após uma pedra atingir uma vidraça da estação. Funcionários da Supervia tentam chamar o Samu enquanto socorristas voluntários tentam estancar o sangramento. 

O movimento é organizado pelo Movimento Passe Livre, que protesta contra o aumento da passagem de ônibus da rede municipal. A nova tarifa passa a vigorar no sábado, com o valor passando de R$ 2,75 para R$ 3. 

Muitos black blocs participam da manifestação, junto com militantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), além de bandeiras do PSTU e do Psol. Às 18h40, o grupo interditava duas faixas da avenida Presidente Vargas no sentido Central do Brasil. A Polícia Militar acompanhava o protesto com cerca de 100 homens alfa-numéricos (sem identificação). 

No trajeto até a Central do Brasil, o grupo gritava palavras de ordem como "ei, Fifa, paga a minha tarifa", além de cantos contra o governador Sérgio Cabral e o tradicional "não vai ter Copa". 

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm">veja o infográfico</a>

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido. 

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritiba,SalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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