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Carandiru: defesa exalta PM e promotoria mostra abusos policiais

1 ago 2013
22h56
atualizado às 23h04
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Defesa e acusação dos 25 policiais militares acusados pela morte de 73 dos 111 detentos no episódio que ficou marcado como "massacre do Carandiru", em outubro de 1992, exibiram cerca de 35 minutos de vídeos - cada uma - exaltando a postura dos policiais militares e apontando desvios de conduta, respectivamente. Os vídeos encerraram o quarto dia de julgamento, que entra na sua fase final. Nesta sexta-feira, haverá os debates entre as partes e, ao final, será reunido o conselho de sentença que definirá o destino dos réus.

<p>Promotoria e defesa apresentaram vídeos nesta quarta-feira, quarto dia da segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru</p>
Promotoria e defesa apresentaram vídeos nesta quarta-feira, quarto dia da segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru
Foto: Fernando Borges / Terra

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou uma série de reportagens em vídeo para ilustrar o desespero dos familiares dos 111 presos mortos no dia 2 de outubro de 1992 na Casa de Detenção de São Paulo. Após a sequência de matérias da época, os sete jurados também viram uma série de reportagens sobre diversos casos de abusos cometidos pela Polícia Militar (PM), em várias cidades brasileiras.

Uma das reportagens exibidas aborda o assassinato de Fernando Ramos da Silva, o Pixote, que foi executado em 1987 por PMs quando tentava refugiar-se embaixo de uma cama, em uma tentativa de fuga. 

Também foi exibido uma sequência de vídeos que mostram policiais militares atirando contra pessoas desarmadas, como a que mostra um adolescente de 14 anos, que estava desarmado, sendo baleado em Manaus, em 2010, encostado em um muro e visivelmente desesperado. 

Outra matéria exibida mostra o assassinato do servente Paulo Batista do Nascimento, na zona sul de São Paulo, morto a tiros pela PM na porta da casa dele, no ano passado. Também foi apresentado um vídeo sobre o escândalo da Favela Naval, bairro de Diadema, na Grande São Paulo, em que PMs são flagrados extorquindo, espancando e executando pessoas numa blitz na região, em 1997. 

Além de vídeos que não tinham relação com o massacre do Carandiru, mas que revelam excessos cometidos por policiais, a acusação também apresentou reportagens da época, que mostravam o desespero de familiares dos presos diante da ausência de informações. Também foram exibidas reportagens feitas dias após o massacre dentro do pavilhão 9, em que sobreviventes mostram que não estavam armados, mas foram alvejados dentro de suas celas. 

Defesa
Enquanto a acusação explorou episódios marcantes de abuso policial, a defesa mostrou reportagens sobre a morte de policiais militares em 2006, durante os ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Uma das cenas mais marcantes é a de uma mãe no enterro do filho, que pertencia à Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).

<p>Promotoria e defesa apresentaram vídeos nesta quarta-feira, quarto dia da segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru</p>
Promotoria e defesa apresentaram vídeos nesta quarta-feira, quarto dia da segunda etapa do julgamento do massacre do Carandiru
Foto: Fernando Borges / Terra

A defesa tenta provar que os PMs agiram sob ordens de autoridades superiores, e de que a situação dentro do Carandiru era de caos, com presos rebelados e armados, com facas e espadas improvisadas, além de armas de fogo - o que os detentos que sobreviveram negam. O último vídeo foi o de uma crônica do jornalista Pedro Bial, no Fantástico, feita na ocasião dos ataques de 2006 contra a polícia paulista.

Julgamento
O quarto dia do julgamento dos 25 policiais militares acusados por 73 das 111 mortes ocorridas em 2 de outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, nesta quarta-feira, está reservado para o interrogatório do coronel Salvador Modesto Madia e para a apresentação de vídeos e parte do processo colhidos nesses quase 21 anos que separam a ocorrência e o seu julgamento.

Esta é a segunda etapa do julgamento, que começou em abril com a condenação de 23 policiais militares - todos integrantes do 1º Batalhão de Choque (a Rota - Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). Eles receberam uma pena de 156 anos de prisão, em regime fechado, por conta de 13 das 15 mortes ocorridas no primeiro andar do prédio. Todos recorrem da sentença em liberdade.

Nessa primeira etapa, os policiais receberam a pena mínima para cada homicídio, que é de seis anos, somada a mais seis anos por impossibilitarem a defesa das vítimas. Os 12 anos foram multiplicados pelas 13 mortes para se chegar ao resultado final da sentença. Na ocasião, o júri ainda absolveu três PMs denunciados: Roberto Alberto da Silva, Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues, seguindo recomendação do próprio Ministério Público. A justificativa é que eles não atuaram no 1º andar do pavilhão com a tropa.

Relembre o caso
Em 2 de outubro de 1992, uma briga entre presos da Casa de Detenção de São Paulo - o Carandiru - deu início a um tumulto no Pavilhão 9, que culminou com a invasão da Polícia Militar e a morte de 111 detentos. Os policiais são acusados de disparar contra presos que estariam desarmados. A perícia constatou que vários deles receberam tiros pelas costas e na cabeça.

Entre as versões para o início da briga está a disputa por um varal ou pelo controle de drogas no presídio por dois grupos rivais. Ex-funcionários da Casa de Detenção afirmam que a situação ficou incontrolável e por isso a presença da PM se tornou imprescindível.

A defesa afirma que os policiais militares foram hostilizados e que os presos estavam armados. Já os detentos garantem que atiraram todas as armas brancas pela janela das celas assim que perceberam a invasão. Do total de mortos, 102 presos foram baleados e outros nove morreram em decorrência de ferimentos provocados por armas brancas. De acordo com o relatório da Polícia Militar, 22 policiais ficaram feridos.

Fonte: Terra
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