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Carandiru: "vocês vão decidir que polícia querem na rua", diz defesa

Advogada de 26 réus que atuaram no "Massacre do Carandiru" diz que se os policiais não tiverem estímulo para trabalhar, população sofrerá consequências

20 abr 2013
22h20
atualizado às 22h36
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Na defesa dos 26 réus acusados pela morte de 15 dos 111 presos no episódio do "Massacre do Carandiru", em 2 de outubro de 1992, a advogada Ieda Ribeiro de Souza afirmou aos sete jurados do conselho de sentença que eles vão decidir que polícia eles querem na rua. "Tirem o estímulo (dos policiais) e sofram as consequências", disse ela, ao pedir a absolvição dos réus.

Na solicitação oral, ela afirmou que os policiais agiram no estrito cumprimento do dever legal - mesmo argumento utilizado na anulação da pena de 632 anos de prisão do coronel Ubiratan Guimarães, chefe da tropa, no recurso acolhido pelo Tribunal de Justiça -, que eles agiram em legítima defesa e que não houve individualização da conduta dos policiais para definir a participação de cada uma delas nos crimes.

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Ieda usou cerca de 1 hora e 50 minutos da sua tréplica na tentativa de desqualificar a perícia realizada no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. Um dos pontos que ela insistiu é que no segundo pavimento foram encontrados 45 corpos, mas os réus respondem apenas por 15 mortes.

"Que critério foi utilizado para isso? Eram 330 policiais. Usam dois pesos e duas medidas. Quando os policiais afirmam que entraram e atiraram, vale. Quando dizem que revidaram não vale. A perícia foi feita no dia dos fatos e posteriormente, a sua continuidade se deu apenas uma semana depois", disse ela. A advogada aproveitou para mostrar uma pilha de papel, com cerca de 1,5 mil páginas com denúncias contra os réus que foram mortos no segundo pavimento. "Isso é somente do segundo piso. Para cada andar temos uma delas", afirmou.

Ieda também cobrou dos jurados o que eles fariam se estivessem na situação dos policiais. "O que é que os senhores fariam. Rota é uma tropa de elite. Domina o pavilhão e vai embora", disse ela. Ao citar a apresentação de parte do filme Carandiru por parte da promotoria, ela aproveitou para criticar a obra. "A Rota não esconde o rosto. Se quiser falar de fantasia, vamos falar de fantasia. Cavalo não entra em presídio e cachorro não anda sozinho, como foi mostrado ali", disse ela. "Ainda prefiro o filme Salve Geral, que mostra como o Estado atuou nos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2006", disse ela.

Ao todo, 111 detentos do Carandiru morreram após a polícia invadir o pavilhão 9, depois de uma briga entre dois presos dar início ao tumulto. Devido ao número de réus, o júri foi dividido por etapas, de acordo com o número de mortes ocorridas em cada pavimento: pelo menos outros três julgamentos devem ocorrer. 

Nesta etapa, 26 dos 84 policiais militares denunciados por homicídio serão julgados, acusados de participar das mortes de 15 presos do segundo pavimento. Como já se passaram mais de 20 anos da ocorrência dos fatos, ao menos 5 réus já morreram, sendo que 79 policiais militares que atuaram naquele dia serão julgados. 

O júri é formado por seis homens e uma mulher, que decidirão se absolvem ou condenam os acusados. O julgamento acontece no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, e pode durar até a próxima semana. 

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/plenario-massacre-carandiru/iframe.htm" href="http://noticias.terra.com.br/infograficos/plenario-massacre-carandiru/iframe.htm">veja o infográfico</a>
Fonte: Terra
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