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Governo egípcio inicia diálogo com partidos e forças nacionais

3 fev 2011
07h16
atualizado às 08h25
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O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, iniciou um diálogo com partidos políticos e forças nacionais em meio aos violentos protestos contra o regime, que deixaram pelo menos sete mortos nas últimas horas, informou o canal de televisão estatal.

"Um diálogo começou entre o vice-presidente e os partidos políticos e as forças nacionais", afirma uma faixa de informação do canal estatal no 10º dia de protestos contra o presidente Hosni Mubarak.

De acordo com o primeiro-ministro Ahmed Shafiq, citado pelo canal estatal, os manifestantes da Praça Tahrir participam no diálogo. "Nos reunimos hoje com representantes dos partidos de oposição e forças nacionais para encontrar uma saída à atual situação", afirmou o premier.

Veterano dos serviços de inteligência, Suleiman, nomeado por Mubarak como seu primeiro vice-presidente na semana passada, afirmou na quarta-feira que os protestos deveriam acabar antes do início do diálogo com a oposição.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar de os protestos de ontem terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



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