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Secretário nega depredação de viatura: PM limpava estilhaços de vidro

Em vídeo, manifestantes acusam policial militar de depredar viatura para atribuir vandalismo ao movimento contra o reajuste das tarifas

14 jun 2013
19h43
atualizado às 19h50
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O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, afirmou nesta sexta-feira que o policial que aparece em um vídeo divulgado no YouTube batendo com um objeto no vidro de uma viatura da PM não depredou o veículo. Segundo Grella, a informação apurada é de que o policial apenas tirava estilhaços do vidro que já havia sido quebrado na manifestação.

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"Tenho conhecimento, já temos as informações da apuração. Ele não estava quebrando, na verdade ele estava tirando os estilhaços de um vidro já quebrado durante a manifestação. Isso já está esclarecido, está apurado", afirmou o secretário.

Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) acusam policiais militares de causar depredações na cidade e atribui-las aos manifestantes, com o objetivo de legitimar a repressão da PM. No vídeo, o policial aparece do lado de fora do veículo e, com a mão direita, bate no vidro traseiro com um objeto não identificado.

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O secretário também afirmou que todas as denúncias de abusos cometidos pela polícia serão investigados pela Corregedoria da PM. "Todas as situações que tiveram a notícia de agressão vão ser objetos de investigação. Nós já determinamos à Corregedoria a abertura de procedimentos de investigação. Todas essas situações vão ser devidamente apuradas, devidamente esclarecidas", disse. Questionado sobre o alto número de jornalistas feridos na manifestação, Grella negou desentendimentos entre policiais e profissionais da imprensa. "Não havia orientação nenhuma nem contra profissional da imprensa, fotógrafos, nem contra ninguém", declarou.

Tiro que ati ngiu jornalista 'ricocheteou'
Um dos jornalistas agredidos é a repórter Giuliana Vallone, do jornal Folha de S.Paulo, que foi atingida no olho por uma bala de borracha disparada por policiais militares. Segundo o comandante da Polícia Militar, Benedito Meira, o tiro que atingiu Giuliana não foi disparado na direção da jornalista, e sim para o chão.

A repórter Giuliana Vallone, do jornal Folha de S. Paulo, foi atingida no olho por uma bala de borracha da PM
A repórter Giuliana Vallone, do jornal Folha de S. Paulo, foi atingida no olho por uma bala de borracha da PM
Foto: Guilherme Kastner / Brazil Photo Press

Meira alegou ter aberto investigação tão logo recebeu a informação sobre os ferimentos da jornalista. Uma equipe da PM foi ao local onde o disparo teria sido efetuado. O comandante rechaçou a informação divulgada inicialmente pela jornalista, de que o disparo teria sido feito por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), que estaria distribuída em outras regiões da cidade.

Segundo o comandante, a jornalista estava em um estacionamento quando foi atingida. "Realmente tinha um ônibus da Tropa de Choque naquele local, naquele cruzamento. Os policiais estavam embarcando no ônibus quando alguns manifestantes - não a jornalista - arremessaram pedras. Houve um disparo de elastômero (bala de borracha) que não foi em direção à jornalista, mas foi em direção ao solo. Esse disparo ricocheteou e essa bala de elastômero atingiu a garota dentro do estacionamento", afirmou.

A versão oficial contraria o relato feito pela jornalista. "Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da 'Folha' e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara", afirmou Giuliana no Facebook.

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-metro-onibus-sp/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-metro-onibus-sp/iframe.htm">veja o infográfico</a>

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em verdadeiros cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho , vários jornalistas que cobriam o protesto foram detidos, ameaçados ou agredidos.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

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Terra

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