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Partidários de Mubarak tentam chegar à praça Tahrir no Cairo

2 fev 2011
10h09
atualizado às 11h11

Cerca de 500 partidários do regime de Hosni Mubarak caminhavam nesta quarta-feira em direção à praça Tahrir, epicentro da revolta popular do Egito, região sob forte tensão.

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Dentro da praça Tahrir, separados por um cordão de civis e do Exército, estão os milhares de manifestantes da oposição que montam guarda desde sexta-feira, três dias depois do início dos protestos contra o regime.

Os partidários de Mubarak, entre 400 e 500, estão antes do posto de controle montado por tanques do Exército e soldados, apoiados por civis, perto de uma ponte sobre o Nilo que desemboca na avenida de acesso à praça Tahrir.

Foram vistos outros grupos partidários de Mubarak em diferentes locais da capital, incluindo os arredores da sede do Ministério de Assuntos Exteriores, em uma avenida paralela ao Nilo, e no bairro de Mohandisin.

"Com meu corpo e com meu sangue defenderei Mubarak!", gritam os manifestantes governamentais próximos à praça Tahrir.

Até as primeiras horas da tarde não haviam sido registrados choques entre os dois grupos, apesar de no centro do Cairo o clima ser de grande tensão.

A presença dos partidários de Mubarak ocorre enquanto inúmeros egípcios seguem acedendo à praça Tahrir para somar-se às manifestações de protesto contra o regime, em um cenário que se transformou no ponto de resistência contra o regime.

"Mubarak deve sair agora. Queremos mudança antes de setembro", disse à agência Efe Abdul Tahad, um dos manifestantes de oposição, quando chegava à praça Tahrir para somar-se aos protestos.

Tahad referia-se ao anúncio de Mubarak, na véspera, de não concorrer à reeleição no pleito de setembro, após três décadas no poder.

Desde a terça-feira à noite, partidários de Mubarak são vistos em outros pontos do centro do Cairo.

Terça à noite, em uma praça da cidade de Alexandria, às margens do Mediterrâneo, partidários e contrários de Mubarak trocaram socos, briga que só terminou quando os dois setores foram separados pelo Exército.

Protestos convulsionam o Egito
Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. Apesar dos últimos protestos terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início dos protestos.



EFE   
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