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RS: curto-circuito em restaurante causou incêndio no Mercado Público

Fogo consumiu parte do piso superior do prédio histórico no último sábado

8 jul 2013
17h43
atualizado às 18h53
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Um curto-circuito causado por um superaquecimento dentro de um restaurante foi a sequência que provocou o incêndio do Mercado Público de Porto Alegre no último sábado, segundo constatação preliminar do Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul. Os especialistas coletaram material nesta segunda-feira para analisar o que provocou o aquecimento no estabelecimento para confirmar a causa exata do fogo, que consumiu parte do piso superior do prédio histórico. 

<p>Especialistas coletaram material nesta segunda-feira para analisar o que provocou o aquecimento no prédio</p>
Especialistas coletaram material nesta segunda-feira para analisar o que provocou o aquecimento no prédio
Foto: Luís Eduardo Gomes / Terra

Vídeos registram incêndio no Mercado Público de Porto Alegre; veja

"Nós temos uma sequência de eventos. O restaurante em questão aqueceu internamente, ou seja, por um curto ou um equipamento que tenha sido esquecido (...), e esse aquecimento interno rompeu o forro, aqueceu o eletroduto, que dentro tinha o condutor. E esse condutor entrou em curto. E foi aí que o fogo espalhou pelo forro”, disse Rodrigo Ebert, perito criminal que chefiou os trabalhos no Mercado Público.

O fogo teve início depois das 20h no Bar e Choperia Atlântico, que fica no piso superior do Mercado, de frente para a avenida Júlio de Castilhos. O telhado de barro com forro de madeira do prédio histórico foi parcialmente consumido.

A maior parte da cobertura do local, revestida com material antichamas, não foi afetada. O incêndio começou junto à parede do estabelecimento, perto de uma tubulação de energia elétrica. “Tivemos uma formação de arco voltaico (curto) tão violenta que fundiu o eletroduto metálico”, relatou Ebert. 

Definido o laudo técnico, a Polícia Civil poderá definir a responsabilização criminal pelos estragos. Já está descartada a hipótese de incêndio criminoso. Para o delegado Hilton Müller, o incêndio foi culposo (sem intenção). “A partir da definição objetiva da perícia, vamos definir quem foi o responsável culposamente por esse fato”, disse ele. 

Permissionários querem reabrir até segunda

Lojistas do Mercado Público que não foram afetados pelo fogo pretendem reabrir até a próxima segunda-feira, segundo o presidente da associação que representa os comerciantes, Ivan Konig, caso a energia elétrica seja restabelecida. "Temos uma vontade de até segunda-feira reabrir o Mercado. A gente depende hoje de um laudo da CEEE (companhia de energia) para saber se foi danificada ou não a subestação (de energia). Se não for danificada a subestação, eles vão religar os cabos que derreteram", disse.

Banrisul oferece linha de crédito especial

O Banrisul anunciou nesta segunda uma linha de crédito especial para permissionários do Mercado Público afetados pelo incêndio. O crédito terá capital de giro com prazo para pagamento de até 60 meses, com 12 meses de carência. O juro mensal será de 0,94% (3,8% ao ano + CDI), índice "bem abaixo do praticado no mercado", segundo o presidente e o diretor de crédito do banco, Túlio Zamin.

Proprietários estimam perdas de R$ 50 mil 

Sócia do restaurante Telúrico, Marcia Mascarello era uma das poucas pessoas que estava dentro do Mercado Público no momento do incêndio. Ela pintava o estabelecimento, com ajuda de funcionários, quando percebeu um foco de incêndio no restaurante ao lado. Funcionários tentaram abrir a porta do Atlântico na tentativa de apagar o foco com um extintor, mas não obtiverem êxito.
 
"Eu estava com a minha filha, de 10 anos, e minha preocupação era com ela. Fiquei meio perdida procurando, mas ela já tinha descido com a ajuda de outra pessoa. Nesse meio tempo, eu voltei duas vezes para o restaurante, o teto da cozinha caiu”, contou. Márcia e o sócio, Ramiro Lopez, estimam perdas de R$ 50 mil com equipamentos. Eles não tinham seguro.

Nesta segunda-feira, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), garantiu que o Executivo municipal vai acionar a seguradora que cobre o prédio. Fortunati também assegurou que vai ajudar os comerciantes afetados, "tratando os desiguais com medidas desiguais". Os detalhes da cobertura oferecida e valores da apólice de seguro do prédio ainda não foram informados.

Representantes das secretarias da Indústria e Comércio (Smic) e de Obras (Smov) pretendem agilizar os processos de recuperação e retomada das atividades das 110 bancas, já que a maioria não possui seguro próprio. Segundo o vice-prefeito, Sebastião Mello (PMDB), o município vai arcar com despesas provisórias para que permissionários não percam ainda mais mercadorias.

Mercado Público
Um dos principais cartões postais de Porto Alegre, o Mercado Público já registrou outros três incêndios em seus 140 anos de história: em 1912, 1972 e 1979, este último no ano em que foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural do Município. Na década de 1990 o prédio passou por uma restauração em toda a estrutura, que durou sete anos.

Um dia após o Mercado Público de Porto Alegre (RS) sofrer um incêndio de grandes proporções, o prédio histórico no Centro da capital gaúcha foi aberto no domingo para a entrada de policiais e de peritos. Por volta do meio-dia, a Brigada Militar permitiu o acesso de equipes de reportagem à parte interna do Mercado.

Ao entrar no prédio histórico, a primeira impressão era de que o estrago era muito menor do que se previa pelas imagens do fogo veiculadas na noite de sábado. "Quando via as imagens ontem, parecia terra arrasada", disse o secretário da Produção, Indústria e Comércio (SMIC) de Porto Alegre Humberto Goulart, ao entrar no Mercado Público.

Quase todos os itens das bancas do primeiro andar do mercado ficaram a salvo. Os itens das bancas de frutas permaneciam no mesmo lugar; as bancas de fiambreria, carnes e outros itens não mostravam danos externos. A impressão é que a maioria das bancas poderia funcionar, se o Mercado estivesse aberto.

O incêndio causou mais danos no segundo andar, no lado da Avenida Júlio de Castilhos, onde estão localizados restaurantes. A perda foi total para alguns estabelecimentos, especialmente aqueles voltados para a esquina da Júlio de Castilhos com a Borges de Medeiros.

No entanto, a área voltada para o Largo Glênio Peres estava praticamente intacta, incluído o teto. A área central do andar superior do Mercado também estava em boas condições, inclusive ainda exibia um grande banner que descia do teto. Muitas cadeiras de madeira do segundo andar não pegaram fogo, inclusive muitas das próximas à área mais afetada – as do térreo também não foram afetadas.

Fonte: Terra
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