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Turquia acusa Síria de minar fronteiras para impedir fugas

20 fev 2012
08h31
atualizado às 08h40

A Turquia afirmou que o regime de Bashar al-Assad na Síria minou as fronteiras para impedir a fuga de civis, uma operação que pode se estender também para a fronteira turca.

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O jornal turco Hürriyet disse nesta segunda-feira que o ministro turco de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, incluirá esta informação no dossiê que apresentará na Conferência de Países Amigos da Síria, que acontecerá na Tunísia na próxima sexta-feira. Segundo o relatório, o regime de Assad já minou a fronteira da Síria com a Jordânia e com o Líbano, e pode ter feito o mesmo com a turca.

A publicação acrescenta que o número de sírios que fogem para a Turquia voltou a aumentar na última semana, e que os refugiados sírios nos acampamentos do sul do país já se aproximam dos 10 mil. O número tinha caído até os 7 mil em novembro, mas desde então aumenta de forma progressiva.

Segundo o jornal turco, o dossiê de Davutoglu indica que a morte de 40 a 50 pessoas por dia nas mãos do regime de Assad já se transformou em uma rotina, e o mundo se acostumou com a situação.

"Isto tem que mudar. A comunidade internacional não sabe o que faria se o regime começasse a matar de 400 a 500 pessoas por dia. Não há nenhuma decisão", diz uma frase do dossiê citada pelo jornal. "É uma situação muito perigosa para o povo sírio: para onde escaparão as pessoas se começarem massacres ainda maiores?", pergunta o relatório, segundo o "Hürriyet

O menino Hassan Saad, 13 anos, que abandonou Idlib, na Síria, faz o sinal da vitória enquanto caminha no campo de refugiados em Yayladagi, na fronteira entre a Turquia e a Síria. Hassan diz o que o seu pais foi morto por forças pró-Assad há cinco meses
O menino Hassan Saad, 13 anos, que abandonou Idlib, na Síria, faz o sinal da vitória enquanto caminha no campo de refugiados em Yayladagi, na fronteira entre a Turquia e a Síria. Hassan diz o que o seu pais foi morto por forças pró-Assad há cinco meses
Foto: Reuters

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Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

EFE   
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