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Manifestantes opositores iemenitas continuam protestos em Sana

22 fev 2011
07h59
atualizado às 09h06

Cerca de 3 mil iemenitas opositores ao regime do presidente Ali Abdullah Saleh continuam nesta terça-feira pelo segundo dia consecutivo protesto em frente à Universidade de Sana, onde passaram a noite em tendas de campanha, como comprovou a agência EFE.

Os manifestantes cantaram nesta manhã slogans contra Saleh e pediram reformas políticas e econômicas.

Perto do protesto, alguns manifestantes detiveram carros com homens armados fiéis ao Governo e, após obrigá-los a descer do veículo, queimaram o automóvel.

Conforme as testemunhas, os homens armados pretendiam disparar contra os manifestantes.

Os protestos começaram em 12 de fevereiro convocados pelos principais partidos da oposição iemenita para pedir a queda do presidente.

Dez dias antes, Saleh havia renunciado a fazer novas emendas constitucionais para suprimir a limitação de mandatos presidenciais, com o objetivo de se apresentar mais uma vez a reeleição.

A decisão, no entanto, não conseguiu acalmar os manifestantes nem satisfazer os grupos opositores, aos quais Saleh convidou em várias ocasiões para diálogo político.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafifoi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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