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Confrontos entre manifestantes deixam 5 feridos no Iêmen

22 fev 2011
09h46
atualizado às 11h00

Cinco pessoas ficaram feridas nesta terça-feira em confrontos em Sanaa entre os manifestantes que reclamam a renúncia do presidente iemenita Ali Abddulah Saleh e partidários do poder.

Cerca de 4 mil manifestantes, que acampavam numa esplanada diante da Universidade de Sanaa, tentaram as aproximar de outra praça situada a alguns metros de onde estavam reunidos partidários do Congresso Popular Geral (CPG, o partido no poder).

Estes últimos atacaram os manifestantes, em sua maioria estudantes, com pedaços de pau e facas, e feriram cinco pessoas antes que a polícia tentasse dispersar as duas partes.

Cerca de mil pessoas passaram sua segunda noite consecutiva na praça contígua à Universidade de Sanaa, que passou a ser chamada de Praça da Libertação, em referência à Praça Tahrir do Cairo, epicentro da revolta egípcia.

O protesto, que exige a renúncia de Saleh, começou no domingo à noite, um dia depois de a oposição parlamentar decidir se unir à manifestação.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muamar Kadafi, a população entra em sangrento confronto com as forças de segurança; em meio à onda de violência, um filho de Kadafifoi à TV estatal do país para tirar a legitimidade dos protestos, acusando um "complô" para dividir o país e suas riquezas. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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