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Ucrânia rejeita aumento no preço do gás russo

O país prometeu recorrer a um tribunal de arbitragem, na falta de acordo sobre o preço do produto

5 abr 2014
06h55
atualizado às 18h48
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A Ucrânia rejeitou neste sábado o aumento do preço do gás russo e ameaçou levar seu poderoso vizinho a um tribunal de arbitragem na Suécia, o que pode ameaçar o abastecimento da Europa Ocidental.

<p>Yatseniuk afirmou que a Ucrânia poderá realizar importações de reversão do hidrocarboneto russo através de Eslováquia, Polônia e Hungria</p>
Yatseniuk afirmou que a Ucrânia poderá realizar importações de reversão do hidrocarboneto russo através de Eslováquia, Polônia e Hungria
Foto: Reuters

A Ucrânia "não aceita" o novo preço do gás imposto pela Rússia, de quase 500 dólares por 1.000 metros cúbicos, afirmou neste sábado o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk.

"A pressão política é inaceitável. E não aceitamos o preço de 500 dólares", afirmou o chefe de governo no conselho de ministros, depois que Moscou anunciou um aumento de 81% no preço do fornecimento de gás à Ucrânia.

"A Rússia fracassou em se apoderar da Ucrânia mediante a agressão armada. Agora lança o plano para se apoderar da Ucrânia mediante a agressão de gás e econômica", acrescentou o primeiro-ministro, que pediu ao seu governo que se prepare para a possibilidade de que a "Rússia restrinja ou detenha o abastecimento de gás" à Ucrânia.

O ministro ucraniano da Energia, Yuri Prodan, afirmou que, na falta de acordo sobre o preço do gás, Kiev recorrerá a um tribunal de arbitragem, como estipula o contrato.

"Vamos tentar chegar a um acordo. Se não conseguirmos, recorreremos ao tribunal de arbitragem", disse.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk disse, ao inaugurar uma sesssão parlamentar, que Kiev está disposta a pagar US$ 268 por mil metros cúbicos do hidrocarboneto, tarifa concedida por Moscou ao antigo governo de Viktor Yanukovich. "Este preço (US$ 268) é aceitável e sopesado, é de mercado. Estamos dispostos a saldar todas as contas por conceito das provisões anteriores e esperamos a resposta da Gazprom", completou o chefe do Gabinete.

<p>Angela Merkel ameaçou a Rússia com sanções econômicas, se Moscou violar novamente a integridade da Ucrânia</p>
Angela Merkel ameaçou a Rússia com sanções econômicas, se Moscou violar novamente a integridade da Ucrânia
Foto: AP

Além disso, o premiê ordenou ao governo que estude e se prepare para dois cenários do desenvolvimento da situação, o pior deles "quando a Rússia limita ou fecha as provisões do gás ao território ucraniano".

Yatseniuk afirmou que a Ucrânia poderá realizar importações de reversão do hidrocarboneto russo em nível de 20 bilhões milhões de metros cúbicos anuais, através de Eslováquia, Polônia e Hungria, o que, segundo o chefe do Legislativo, permitiria economizar de US$ 100 a US$ 150 de cada mil metros cúbicos.

A Gazprom anunciou na última quinta-feira uma alta adicional do preço do gás para a Ucrânia, que terá que pagar a partir de agora US$ 485,5 por cada 1 mil metros cúbicos do gás russo. Anteriormente, a companhia já tinha anunciado um aumento na tarifa de mais de 40%, até US$ 385, para o país vizinho a partir do segundo trimestre deste ano por falta de pagamentos.

"O rebaixamento de dezembro já não pode ser aplicado devido ao descumprimento pela parte ucraniana do pagamento das dívidas em conceito das provisões do gás de 2013, e por falta do pagamento de 100% das provisões correntes", detalhou a empresa.

Saiba mais: UE busca saída para o xadrez energético com Ucrânia e Rússia

Os dois vizinhos atravessam uma crise em suas relações após a destituição do presidente ucraniano pró-russo Viktor Yanukovytch no fim de fevereiro.

A Rússia se apoderou em março da península ucraniana da Crimeia, após um referendo que Kiev e os ocidentais não reconhecem, e mobilizou dezenas de milhares de soldados nas fronteiras da Ucrânia, na pior crise entre Leste e Oeste desde o fim da Guerra Fria.

<p>A Gazpromm, acusada de ser um braço armado do Kremlin, fornece aproximadamente um terço do gás que é utilizado pela União Europeia</p>
A Gazpromm, acusada de ser um braço armado do Kremlin, fornece aproximadamente um terço do gás que é utilizado pela União Europeia
Foto: Reuters

Yatseniuk alertou para o fantasma de uma nova "guerra do gás", que pode colocar em risco o fornecimento europeu, enquanto em Atenas os ministros das Relações Exteriores da UE terminavam uma reunião informal consagrada, em grande parte, à crise ucraniana.

A chanceler alemã, Angela Merkel, ameaçou neste sábado a Rússia com novas sanções, desta vez econômicas, se Moscou violar novamente a integridade da Ucrânia.

"Se voltarem a levantar a mão contra a integridade da Ucrânia, teremos que aplicar sanções econômicas", declarou Merkel durante a reunião de seu partido conservador CDU para definir seu programa para as eleições europeias.

A chanceler afirmou que ninguém deve se equivocar sobre a capacidade que os países europeus têm de entrar em acordo em torno desse tipo de medidas.

"Ninguém quer interromper as negociações" com a Rússia, garantiu Merkel. "Mas a lei do mais forte não pode passar por cima do direito" internacional, acrescentou.

A União Europeia (UE) manifestou novamente neste sábado sua determinação em persuadir Moscou para diminuir a tensão na Ucrânia e retomar o diálogo com este ator importante.

"Seguiremos tentando persuadir a Rússia sobre a importância de baixar a tensão para retomar o diálogo no futuro", declarou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, em uma coletiva de imprensa ao término da reunião ministerial em Atenas.

A mensagem dos ministros das Relações Exteriores foi a mesma que vem sendo repetida pelos 28 países-membros desde que a Rússia anexou a Crimeia.

Moscou já interrompeu o fornecimento de gás à Ucrânia em duas ocasiões, em 2005/6 e em 2009/10, devido a conflitos entre as duas ex-repúblicas soviéticas, suspendendo ao mesmo tempo o fluxo de exportação para a Europa, ainda muito dependente da Rússia neste campo.

A Gazprom, a gigante russa do gás, acusada com frequência de ser um braço armado do Kremlin, fornece aproximadamente um terço do que é utilizado pela União Europeia, que, mais uma vez, devido à atual crise, falou de sua intenção de reduzir esta dependência. Cerca de 40% deste gás transita através da Ucrânia.

Com informações da EFE e AFP.

Fonte: Terra
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