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Marrocos perseguirá judicialmente quem se manifestar sem permissão

25 fev 2011
17h23
atualizado às 17h58

As autoridades marroquinas perseguirão judicialmente todas as pessoas que se manifestarem sem autorização prévia neste fim de semana, assinalou nesta sexta-feira uma fonte do Ministério do Interior, em declarações recolhidas pela agência oficial de notícias MAP.

O Estado tomará todas as medidas necessárias para proteger a ordem pública e perseguirá judicialmente quem transgredir a legislação em vigor, acrescentou a citada fonte.

Segundo a fonte, o ministro do Interior marroquino, Taieb Cherkaoui, se reuniu na quinta-feira com as associações que convocaram novos protestos e pediu para que respeitem as disposições legais em matéria de manifestações em via pública.

Além disso, Cherkaoui advertiu às associações de que devem avisar com três dias de antecedência o motivo, lugar, data, hora e itinerário previsto das manifestações.

Por último, a mesma fonte informou que até o momento as autoridades competentes não receberam nenhum aviso sobre as intenções das associações.

No domingo passado, milhares de marroquinos saíram às ruas das principais cidades do país para responder à convocação do chamado Movimento 20 de Fevereiro - formado por jovens na rede social Facebook - para exigir "uma constituição democrática e a dissolução do governo e do parlamento".

Os organizadores do protesto pretendem seguir adiante com as manifestações deste fim de semana, apesar de as realizadas no dia 20 de fevereiro terem terminado em várias cidades com distúrbios que acabaram com a morte de cinco pessoas e mais de 120 feridos.

O Tribunal de Apelação de Tânger condenou nesta sexta-feira a dez anos de prisão quatro pessoas relacionadas com os atos de vandalismo ocorridos após as manifestações de 20 de fevereiro no Marrocos.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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