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Governo egípcio anuncia demissão após onda de protestos

29 jan 2011 09h22
| atualizado às 10h44
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O governo egípcio, encabeçado por Ahmed Nazif, apresentou neste sábado sua demissão após um pedido feito pelo presidente Hosni Mubarak, informou a televisão pública. Mubarak, no poder desde 1981 e cuja renúncia está sendo exigida em protestos públicos, anunciou no começo da madrugada de hoje que, para superar a crise, será nomeado um novo governo. As manifestações já deixaram pelo menos 50 mortos (somando as vítimas do Cairo, de Suez e de Alexandria) e entram no quinto dia neste sábado.

Manifestantes exigem a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos
Manifestantes exigem a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos
Foto: AP

Hosni Mubarak disse à nação neste sábado, por meio de um discurso, que o diálogo, e não a violência, era o caminho para resolver os problemas que provocaram os protestos e anunciou a demissão de sua equipe de governo. Essa foi a primeira declaração pública de Mubarak depois que manifestantes, que exigem o fim de seu governo de três décadas, entraram em confronto com a polícia em várias cidades do país.

O presidente egípcio afirmou que estava comprometido com reformas políticas e econômicas e disposto a garantir a estabilidade do país. Ele também disse que compreendia que as manifestações eram contra a corrupção, a pobreza e o desemprego. O número de mortos é incerto, mas se aproxima de 50 em todo o país, segundo fontes médicas

Egípcios desafiam governo Mubarak
A onda de protestos dos egípcios contra o governo do presidente Hosni Mubarak, iniciados no dia 25 de janeiro, tomou nova dimensão na última sexta-feira. O governo havia tentado impedir a mobilização popular cortando o sinal da internet no país, mas a medida não surtiu efeito. No início do dia dia, dois mil egípcios participaram de uma oração com o líder oposicionista Mohama ElBaradei, que acabou sendo temporariamente detido e impedido de se manifestar.

Os protestos tomaram corpo, com dezenas de milhares de manifestantes saindo às ruas das principais cidades do país - Cairo, Alexandria e Suez. Mubarak enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher, o qual acabou virtualmente ignorado pela população. Os confrontos com a polícia aumentaram, e a sede do governista Partido Nacional Democrático foi incendiada. O número de feridos passa de 800.

Já na madrugada de sábado (horário local), Mubarak fez um pronunciamento à nação no qual ele disse que não renunciaria, mas que um novo governo seria formado em busca de "reformas democráticas". Defendeu a repressão da polícia aos manifestantes e disse que existe uma linha muito tênue entre a liberdade e o caos. A declaração do líder egípcio foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.



EFE   
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