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Dissidente xiita volta do exílio para Barein

26 fev 2011
12h57
atualizado às 13h31
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Um dissidente xiita exilado voltou ao Barein no sábado para participar de um movimento de oposição que exige um sistema mais democrático da família sunita que governa o país.

info infográfico distúrbios mundo árabe
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Foto: AFP

"Queremos uma constituição real", disse Hassan Mushaimaa no aeroporto. "Eles nos prometeram (uma) antes e depois fizeram o que eles queriam." "Estou aqui para ver quais são as exigências do povo nas ruas e para sentar e discutir com eles", disse o dissidente, se referindo aos manifestantes contra o governo que se reúnem na Pearl Square de Manama.

Milhares de manifestantes anti-governo marcharam da praça até um antigo escritório do primeiro-ministro, Sheikh Khalifa bin Salman al-Khalifa, no sábado, para pressionar pela saída do homem que ocupa o cargo há 40 anos. Sheikh Khalifa, tio do rei, é um símbolo do poder político e da riqueza da família. A marcha foi a primeira investida dos manifestantes no distrito comercial de Manama. Muitos agitavam bandeiras do Barein e cantaram: "O povo quer a queda do regime." Mushaimaa, líder do movimento xiita Haq, exilado em Londres, foi julgado à revelia por uma suposta tentativa de golpe.

Os outros acusados no caso foram libertados no Barein nesta semana e o ministro das Relações Exteriores do Estado do Golfo Árabe disse que Mushaimaa havia recebido um perdão real e poderia voltar para casa sem impedimentos. O perdão a Mushaimaa foi a mais recente de uma série de concessões da família al-Khalifa, que visa aplacar maioria xiita do Bahrein, que lidera quase duas semanas de protestos exigindo mais participação no governo. Milhares de pessoas foram às ruas em Manama na sexta-feira, um dia de luto declarado pelo governo, em uma das maiores manifestações desde o "Dia de Fúria" em 14 de fevereiro.

As forças de segurança não interferiram. Na semana passada, sete pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas em conflitos no Bahrein. Sob pressão de aliados ocidentais, o Bahrein se comprometeu a permitir protestos pacíficos e propôs diálogo com a oposição. Esta semana, o governo liberou mais de 300 pessoas detidas desde a repressão aos protestos xiitas em agosto.

Funcionários do governo disseram que o gabinete havia sido reformulado, o que foi considerado mais uma concessão à oposição. Os ministros da Saúde, Habitação e Assuntos do Gabinete estavam entre demitidos, segundo autoridades, que pediram para não ser identificadas. A remodelação do gabinete não deve convencer os manifestantes incentivados por revoltas populares na Tunísia, Egito e outros países. Muitos exigem uma monarquia constitucional, em lugar do sistema atual onde os cidadãos votam para um parlamento sem poderes e uma política que serve para preservar a elite no poder, centrada na dinastia al-Khalifa, que governa o Barein há 200 anos.

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Alie do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

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