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Aviões de Kadafi bombardeiam principal reduto rebelde em Benghazi

16 mar 2011
04h25
atualizado às 05h11

Aviões das forças de Muammar Kadafi bombardearam nesta quarta-feira a cidade de Benghazi, a segunda mais importante do país e o principal reduto dos rebeldes, segundo anunciou o coronel insurgente Faradj el Feyturi. O coronel, contatado pela cadeia de televisão Al Jazeera em Benghazi, afirmou que os bombardeios tiveram como alvo o aeroporto da cidade.

Feyturi não detalhou se o ataque deixou vítimas ou danos materiais, mas assegurou que a resposta dos rebeldes foi contundente e que os aviões de Kadafi "empreenderam a fuga". Por sua parte, o ex-ministro do Interior líbio Abdel Fatah Yunis, que passou para o lado dos rebeldes nos primeiros dias da revolta, manifestou à cadeia Al Arabiya que as forças insurgentes ainda controlam a cidade estratégica de Ajdabiya, a 160 km de Benghazi.

Segundo Yunis, os rebeldes causaram "severas perdas" às forças do regime de Trípoli, que na terça-feira lançaram uma intensa ofensiva sobre essa cidade. O antigo chefe das forças especiais líbias relatou que os rebeldes atraíram as forças de Kadafi até o centro de Ajdabiya antes de produzir uma emboscada, e assegurou que capturaram sete tanques e destruíram outros três. "Houve dezenas de mortos e feridos entre as forças de Kadafi. Nos encarregamos de seus feridos e os transferimos aos nossos hospitais, enquanto muitos outros escaparam rumo à cidade de Tobruk, onde se renderam aos revolucionários", acrescentou.

O coronel Khaled Essayeh, um dos porta-vozes militares rebeldes, confirmou esta versão à Al Jazeera e assegurou que o ataque das forças do regime foi repelido pelos rebeldes, que capturaram 120 de seus soldados. O correspondente da cadeia catariana em Ajdabiya, por sua vez, assinalou que os bombardeios dos aviões de Kadafi sobre a cidade continuavam na manhã desta quarta-feira.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

info infográfico líbia infromações sobre o país
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Foto: AFP
EFE   
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