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AI acusa forças iemenitas de "desprezo" à vida de cidadãos

27 fev 2011
06h14
atualizado às 08h27

A Anistia Internacional (AI) acusou as forças de segurança iemenitas de mostrar "desprezo" pela vida dos cidadãos ao impedir a transferência para o hospital de feridos nos protestos antigovernamentais da sexta-feira, que deixaram pelo pelo menos 11 mortos.

13 de fevereiro - Jovens protestaram pelo segundo dia seguido no Iêmen
13 de fevereiro - Jovens protestaram pelo segundo dia seguido no Iêmen
Foto: AFP

Segundo informações recebidas pela AI, as forças de segurança do país árabe dispararam contra os manifestantes e atacaram com suas armas de fogo algumas casas onde pensavam que tinham se refugiado alguns deles.

O comentário foi feito pelo diretor-adjunto da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, Philip Luther. "As autoridades iemenitas têm a obrigação de assegurar que os feridos recebam tratamento médico. Sob nenhum conceito devem bloquear o acesso à ajuda médica necessária, sobretudo quando estão em perigo vidas humanas", disse.

O número de mortos nos recentes protestos contra o presidente iemenita é de 27, o que representa uma média de quase três pessoas mortas por dia desde 16 de fevereiro.

AI reivindica das autoridades iemenitas "uma investigação urgente e independente das mortes de manifestantes e pessoas que estavam nas imediações e da permissão de acesso ao pessoal de saúde".

Mundo árabe em convulsão
A onda de protestos que desbancou em poucas semanas os longevos governos da Tunísia e do Egito segue se irradiando por diversos Estados do mundo árabe. Depois da queda do tunisiano Ben Ali e do egípcio Hosni Mubarak, os protestos mantêm-se quase que diariamente e começam a delinear um momento histórico para a região. Há elementos comuns em todos os conflitos: em maior ou menor medida, a insatisfação com a situação político-econômica e o clamor por liberdade e democracia; no entanto, a onda contestatória vai, aos poucos, ganhando contornos próprios em cada país e ressaltando suas diferenças políticas, culturais e sociais.

No norte da África, a Argélia vive - desde o começo do ano - protestos contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, que ocupa o cargo desde que venceu as eleições, pela primeira vez, em 1999; mais recentemente, a população do Marrocos também aderiu aos protestos, questionando o reinado de Mohammed VI. A onda também chegou à península arábica: na Jordânia, foi rápida a erupção de protestos contra o rei Abdullah, no posto desde 1999; já ao sul da península, massas têm saído às ruas para pedir mudanças no Iêmen, presidido por Ali Abdullah Saleh desde 1978, bem como em Omã, no qual o sultão Al Said reina desde 1970.

Além destes, os protestos vêm sendo particularmente intensos em dois países. Na Líbia, país fortemente controlado pelo revolucionário líder Muammar Kadafi, a população vem entrando em sangrento confronto com as forças de segurança, já deixando um saldo de centenas de mortos. Em meio ao crescimento dos protestos na capital Trípoli e nas cidades de Benghazi e Tobruk, Kadafi foi à TV estatal no dia 22 de feveiro para xingar e ameaçar de morte os opositores que desafiam seu governo. Na península arábica, o pequeno reino do Bahrein - estratégico aliado dos Estados Unidos - vem sendo contestado pela população, que quer mudanças no governo do rei Hamad Bin Isa Al Khalifa, no poder desde 1999.

Além destes países árabes, um foco latente de tensão é a república islâmica do Irã. O país persa (não árabe, embora falante desta língua) é o protagonista contemporâneo da tensão entre Islã/Ocidente e também tem registrado protestos populares que contestam a presidência de Mahmoud Ahmadinejad, no cargo desde 2005. Enquanto isso, a Tunísia e o Egito vivem os lento e trabalhoso processo pós-revolucionário, no qual novos governos vão sendo formados para tentar dar resposta aos anseios da população.

EFE   
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