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México: silêncio antecede eleições com PRI como favorito

28 jun 2012
17h57
atualizado às 18h33

Os mexicanos começaram nesta quinta-feira um período de "silêncio eleitoral" antes das eleições de domingo marcadas pela violência que abala o país e por uma possível volta ao poder do PRI, depois de uma campanha com vários comícios e destaque para as redes sociais.

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A partir desta quinta-feira e até o encerramento da votação, os candidatos, líderes dos partidos e simpatizantes não podem fazer propagandas e fica proibida a publicação de pesquisas, segundo a lei eleitoral.

Nestas eleições sem segundo turno, 79,5 milhões de mexicanos devem ir às urnas para escolher o sucessor do presidente Felipe Calderón para um mandato de seis anos, renovar as duas câmaras do Congresso, os postos de seis governadores, o de chefe de governo da Cidade do México e mais de 900 prefeituras.

A campanha terminou com o candidato do opositor Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, à frente das últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas na quarta-feira, com entre 10 e 17 pontos de vantagem sobre o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, e a mais de 20 da governista Josefina Vásquez Mota, do conservador Partido Ação Nacional (PAN).

"Tudo aponta para a volta do PRI. É um partido tradicional com uma cara nova, em um contexto em que as pessoas estão insatisfeitas com o PAN por causa de tantas mortes", declarou à AFP Javier Oliva, pesquisador da Universidade Autônoma do México (UNAM).

Depois de governar por 71 anos no México, tachado de autoritário e corrupto, o PRI tenta recuperar a presidência perdida há 12 anos para o PAN, em 2000 contra Vicente Fox e em 2006 contra Calderón, quando despencou para o terceiro lugar. Peña Nieto, advogado de 45 anos, manteve-se nos três meses da campanha à frente das pesquisas, apesar de seus rivais e de o movimento juvenil #Yosoy132 pedirem um boicote ao PRI para evitar um retrocesso da democracia.

Em Toluca, capital de seu estado natal do México, Peña Nieto pediu na quarta-feira que seus seguidores votem por uma "mudança" no México. López Obrador, ex-prefeito da Cidade do México, de 58 anos, mostrou seu poder de persuasão em Zócalo, onde diante de milhares de seguidores se disse confiante na vitória contra o "marketing" e a "compra de consciências e de votos" do PRI.

Alvo de críticas por causa da violência que a ofensiva militar contra as drogas de Calderón provocou - deixando mais de 50 mil mortos desde 2006 -, o PAN sofreria uma derrota, segundo os analistas, favorecida por conflitos internos e uma campanha errática de sua candidata. A última demonstração foi dada na quarta-feira no encerramento de sua campanha em Guadalajara (oeste), quando depois de ressaltar que será "diferente", Vásquez, de 51 anos, anunciou que nomeará Calderón como procurador geral em um eventual governo.

Em uma campanha sobre a qual pairou o fantasma da fraude, simbolicamente os quatro candidatos presidenciais - incluindo Gabriel Quadri, do minoritário Partido Aliança Nacional com menos de 4% de intenções de voto-, assinarão na tarde desta quinta-feira na sede do Instituto Federal Eleitoral (IFE) um compromisso de respeitar os resultados. López Obrador evocou na campanha a possibilidade de fraude, como denunciou quando perdeu as eleições para Calderón por apenas 0,56% em 2006 e paralisou o centro da capital por vários meses com marchas e plantões.

Policiais vigiam áreas estratégicas da Cidade do México, e os militares patrulham as regiões de maior conflito, onde operam os poderosos cartéis da droga como Tamaulipas, Durango, Sinaloa, Veracruz, Cohahuila, Michoacán e Nuevo León.

"Há zonas nas quais há maior presença da delinquência (...) e haverá maior atenção e maior preparação. Estaremos prontos para responder em todo o território a qualquer incidente", afirmou nesta quinta-feira o secretário de Governo (Interior), Alejando Poiré.

Apesar da proibição das campanhas, o movimento universitário #Yosoy132, que deu emoção à campanha com marchas convocadas por meio do Twitter e do Facebook, convocou uma marcha para sábado. "É muito difícil controlar as redes sociais", reconheceu nesta quinta-feira o magistrado Flavio Galván, do IFE.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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