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Chávez: reconhecemos apenas o governo de Muammar Kadafi

23 ago 2011
14h52
atualizado às 16h18

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ressaltou que seu país reconhece na Líbia "apenas um governo, o dirigido por Muammar Kadafi", ao reiterar nesta terça-feira suas críticas aos bombardeios da Otan sobre Trípoli.

"Reconhecemos apenas um governo, o dirigido por Muamar Kadafi. Ratificamos nossa solidariedade ao povo líbio, irmão agredido e bombardeado", disse Chávez durante um conselho de ministros transmitido por todas as rádios e emissoras de televisão venezuelanas.

"É uma nova estratégia do imperialismo: pôr os povos para brigar como cachorros (...); armar aqui, armar ali e depois bombardear e tomar esse país", afirmou Chávez em um discurso televisionado. O venezuelano atribuiu essa expressão "um pouco dura, mas correta" a um teórico francês do qual não deu mais detalhes.

No domingo, Chávez já havia criticado Europa e Estados Unidos por estarem "demolindo Trípoli com suas bombas". "Levaram a Líbia a uma guerra civil; armaram a guerra de cachorros introduzindo armas e mercenários, e isso deve ser denunciado", acrescentou. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "já disse que colaborarão economicamente com o novo governo líbio, que, certamente, nós não reconhecemos", considerou.

"Nós reconhecemos a um só governo: o de Muammar Kadafi" à frente de um país ao qual "saqueiam as reservas internacionais e o petróleo", destacou Chávez. O venezuelano ressaltou que o que acontece na Líbia é "um desconhecimento dos mais elementares princípios do direito internacional", o que, segundo sua opinião, "retrocede o mundo à época das cavernas".

"Há alguns loucos, alguns dementes, dizendo: 'Chávez é igual a Kadafi e, portanto, Venezuela é igual à Líbia', mas essa fórmula aqui não funcionou, nem funcionará; nem para o império gringo nem para seus lacaios", continuou. No domingo passado, em um ato religioso realizado para pedir por sua recuperação do câncer, Chávez condenou "o massacre" cometido na Líbia.

"Que Deus impeça a violência na Venezuela e o imperialismo dos EUA e seus aliados da Europa não repitam na Venezuela o massacre que perpetram na Líbia com a intenção de se apoderar de suas riquezas petrolíferas", declarou.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

Com agências internacionais
Fonte: Terra

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