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Ranking do Enem: exame não mede qualidade do ensino, diz professor

Pesquisador da USP afirma que o exame nacional perdeu a sua função de servir como uma avaliação do ensino médio brasileiro

25 out 2013 10h48
| atualizado às 10h51
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Criado em 1998 para servir como uma avaliação da educação básica no Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganhou novas atribuições a partir de 2009, quando passou a servir como forma de ingresso em instituições de ensino superior. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos idealizadores do exame no final da década de 1990, Nílson José Machado, a prova perdeu a sua principal função e hoje não serve para medir a qualidade do ensino médio das escolas públicas e privadas do País.

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Para o especialista em políticas educacionais, a divulgação feita anualmente pelo Ministério da Educação do desempenho por escola no Enem incentiva a criação dos rankings de melhores e piores instituições, que não condizem com a realidade da educação brasileira. "Esses rankings não tem nenhuma consistência, são absolutamente sem sentido.  Se pegarmos as 50 primeiras escolas da lista vamos ver que elas tem uma diferença de 50 pontos, uma diferença absolutamente irrelevante no contexto", defende.

Segundo ele, o problema é que a participação não é obrigatória no Enem, e muitas escolas privadas acabam estimulando que os seus melhores alunos façam a prova para melhorar o desempenho na lista. Além disso, a nota dos alunos não leva em conta as condições sociais de onde está inserida a escola, beneficiando, normalmente, as instituições privadas, com alunos de melhor poder aquisitivo.  

Para o especialista, que participou de uma equipe de 50 pessoas de todo o Brasil que em 1997 lançaram as diretrizes para a avaliação nacional, embora tenha perdido sua finalidade inicial, o exame contribui muito para a mudança no modelo "decoreba" dos vestibulares. "Quando o Enem surgiu, ele acabou inclusive inspirando os vestibulares tradicionais a mudar com o modelo de prova, deixando mais interdisciplinar, com mais análise". O problema, diz ele, é não se perder e deixar o Enem igual aos vestibulares, com único foco no ingresso no ensino superior.

Pesquisadora critica ‘padrão Enem’ nas escolas
Professora da Faculdade de Educação da USP, Cristiane Gottschalk também é contra o ranqueamento das escolas a partir do Enem. Ela diz que os pais até podem olhar para as notas para decidir qual escola colocar o filho, porém nunca como critério único. A pesquisadora afirma que o mais preocupante nessa lista de colégios é a tendência de que as instituições, principalmente as privadas, acabem utilizando o modelo do Enem como padrão do seu ensino.

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"Como todo ranking, o problema é reduzir a avaliação de uma escola a um aspecto só, a saber, o desempenho da média de seus alunos em uma única prova, desconsiderando-se, assim, vários outros fatores fundamentais para a formação do aluno. Em particular, a prova do ENEM torna este processo avaliativo ainda mais dogmático, pois obriga toda escola a adotar uma mesma concepção metodológica, que é a 'pedagogia das competências'", analisa.

Ela ainda critica a proposta do governo federal de propor mudanças no ensino médio, tendo como foco um padrão nacional curricular com base nos conteúdos do Enem. "Ao se impor um único método de ensino, estamos impedindo que as escolas partam de seus próprios problemas e de seu contexto particular para elaborarem suas propostas político-pedagógicas de modo a decidirem coletivamente pela concepção pedagógica mais interessante a ser adotada naquela escola específica".

Em entrevista ao Terra esta semana, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Cláudio Costa, negou que o governo tenha a intenção de padronizar o ensino no Brasil por meio do Enem, mas considerou ser importante ter uma "base nacional" para as escolas, respeitando a cultura de cada região e as especificidades de cada escola.

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Fonte: Terra
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