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STF considera novo recurso de ex-presidente do PP 'protelatório'

13 nov 2013
16h16
atualizado às 16h31
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O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou nesta quarta-feira o novo recurso apresentado pelo ex-deputado federal Pedro Corrêa, condenado a sete anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, durante o julgamento do mensalão. O relator do processo, Joaquim Barbosa, entendeu que o recurso reutiliza argumentos anteriores para protelar a ação.

<p>Barbosa considerou que defesa de réu pretendia apenas adiar execução da pena</p>
Barbosa considerou que defesa de réu pretendia apenas adiar execução da pena
Foto: Nelson Jr./SCO/STF / Divulgação

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Presidente do PP na época do mensalão, Corrêa foi acusado de participar do repasse de R$ 2,9 milhões do esquema para o PP, o que levou a condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A defesa de Corrêa pedia novamente a aplicação de uma atenuante de confissão espontânea, o que já havia sido tema de debate na análise dos primeiros embargos de declaração. Barbosa disse que o termo "confissão" que consta no acórdão (texto que resume o julgamento) não foi utilizado de maneira formal. "Está evidente, pois, que se tratam meramente de reiterações de fundamentos utilizados no primeiro embargo", disse.

O recurso analisado hoje - chamado de segundo embargo de declaração - teria por objetivo esclarecer omissões, contradições ou obscuridades no acórdão (texto que resume o julgamento) redigido depois do julgamento dos primeiros recursos. Os segundos embargos declaratórios geralmente são considerados protelatórios pela Justiça.

Apesar de não ter, em tese, direito de entrar com embargos infringentes, Corrêa também apresentou o recurso ao tribunal. Os infringentes são recursos que permitem a rediscussão do mérito da condenação quando o réu recebeu pelo menos quatro votos pela absolvição. A tendência é que o STF também negue a nova tentativa do ex-presidente do PP e determine a execução da sentença.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado doPP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR(ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson. Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas. A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão.

Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

No dia 17 de dezembro de 2012, após mais de quatro meses de trabalho, os ministros do STF encerraram o julgamento do mensalão. Dos 37 réus, 25 foram condenados, entre eles Marcos Valério (40 anos e 2 meses), José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses) e Delúbio Soares (8 anos e 11 meses). A Suprema Corte ainda precisa publicar o acórdão do processo e julgar os recursos que devem ser impetrados pelas defesas dos réus. Só depois de transitado em julgado os condenados devem ser presos.

Fonte: Terra
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