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Ex-deputado do PTB é condenado a seis anos e seis meses

26 nov 2012
15h58
atualizado às 16h07

Fernando Diniz
Direto de Brasília

Ex-deputado federal Romeu Queiroz foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Ex-deputado federal Romeu Queiroz foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu nesta segunda-feira pena de seis anos e seis meses de reclusão para o ex-deputado do PTB Romeu Queiroz, condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-parlamentar, que presidiu o PTB em Minas Gerais, também deverá pagar multa de 330 dias-multa (aproximadamente R$ 858 mil).

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Ex-deputado do PTB, Romeu Queiroz recebeu, segundo a denúncia, a quantia aproximada de R$ 102 mil, parte de um acordo do partido com o PT para que a sigla integrasse a base aliada do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao todo, o partido receberia pelo esquema operacionalizado por Marcos Valério R$ 20 milhões, em cinco parcelas de R$ 4 milhões.

"Os motivos do crime são extremamente graves, pois o acusado pretendeu contribuir com os demais deputados federais e líderes no sentido de alugar a legenda para se beneficiar de vantagens financeiras", disse Barbosa.

Pelo crime de corrupção passiva, Queiroz pegou dois anos e seis meses de reclusão, pena calculada pelo revisor Ricardo Lewandowski, e 150 dias-multa (aproximadamente R$ 390 mil), calculado pelo relator, Joaquim Barbosa.

Quanto ao crime de lavagem de dinheiro, Barbosa definiu a pena de quatro anos de reclusão, ao afirmar que o réu colocou a estrutura do PTB de Minas para a prática de lavagem de dinheiro.

A pena deverá ser cumprida em regime semiaberto.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Fonte: Terra
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