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Cerca de 45 peregrinos da Jornada da Juventude buscam refúgio no Brasil

22 ago 2013
11h50
atualizado às 11h50
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Cerca de 45 peregrinos de diferentes países que vieram ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) solicitaram refúgio às autoridades brasileiras, segundo dados coletados pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) junto à Caritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro (Carj) e à Caritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp). Entre as razões alegadas estão perseguições sofridas por questões religiosas ou relacionadas a conflitos armados em seus países de origem. 

Do total de pedidos, 40 foram feitos à Carj e cinco à Casp. Entre os solicitantes, estão peregrinos do Paquistão, da Serra Leoa e da República Democrática do Congo.

Assim como ocorre com todos os pedidos dessa natureza que chegam ao País, os peregrinos da JMJ terão suas reivindicações analisadas pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça. Para isso, terão de se apresentar à Polícia Federal e serão entrevistados. Após avaliação individual, o órgão decidirá quais casos devem ser reconhecidos como refugiados.

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No Rio, pelo menos 12 relataram perseguições relacionadas a questões religiosas. “Meu pai foi morto por ser cristão e sempre disse a minha mãe que isso poderia acontecer com nossa família. Sendo também cristão, a JMJ foi a única oportunidade que tive para conseguir um visto e sair do meu país”, disse um jovem católico de 24 anos que vivia em Serra Leoa, no oeste da África. O corpo do rapaz tem cicatrizes de ferimentos causados por grupos religiosos hostis aos cristãos da comunidade onde vivia.  

Os solicitantes de refúgio no Rio estão sendo assistidos pela Carj, com o apoio de voluntários da Igreja Católica e órgãos municipais. A assistente social Aline Thuller, uma das coordenadoras do projeto de assistência e proteção a refugiados implementado pela Carj, com apoio do ACNUR e do governo brasileiro, explica que a assistência financeira direta só poderá ser prestada quando os pedidos de refúgio forem formalizados. “Outros apoios, como aulas regulares de português e cursos profissionalizantes, também só poderão ser dados quando os peregrinos tiverem o protocolo da Polícia Federal confirmando seu pedido de refúgio”, afirma Thuller.

Os pedidos que alegam perseguição religiosa representam, de certa forma, um novo desafio para as autoridades brasileiras. “Não temos dados específicos sobre este tema, pois muitas vezes as questões religiosas se misturam com perseguições associadas a motivos políticos.
Faremos um acompanhamento detalhado destes casos, pois o pedido de refúgio devido a questões religiosas é uma questão complexa de ser decidida", afirma o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez. 

Papa Francisco no Brasil
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 foi realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, organizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o Papa. Esta edição da JMJ reuniu mais de 3 milhões de pessoas, entre elas peregrinos de 175 países. A JMJ 2013 marcou também a primeira visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março deste ano. A próxima edição do evento será realizada em 2016, em Cracóvia, na Polônia.

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Fonte: Terra

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