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Músicos presos não assumem acionamento de sinalizador em boate

28 jan 2013
18h06
atualizado às 18h13
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O delegado Marcelo Arigony, titular da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Santa Maria (RS), afirmou na tarde desta segunda-feira que nenhum dos quatro presos preventivamente pelo incêndio na Boate Kiss - dois proprietários do estabelecimento e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira - assumiu a responsabilidade pelo acionamento do sinalizador que teria dado início ao fogo. Investigações preliminares apontam que o artefato pirotécnico, conhecido como Sputnik, teria sido acionado durante a apresentação da banda e provocado faíscas que chegaram ao forro do teto, que entrou em combustão.

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De acordo com Arigony, os quatro presos apontaram a participação de uma quinta pessoa no acionamento do Sputnik, que não foi identificada. O delegado, entretanto, acredita que a responsabilidade pelo equipamento era da banda. Ainda segundo o responsável pelas investigações, a polícia se debruça na informação de que existem dois tipos distintos de sinalizadores: um para uso interno e outro de uso externo. O objetivo, agora, é identificar qual o tipo dos três sinalizadores usados pela banda durante o show.

Último dos quatro suspeitos com prisão preventiva decretada a se apresentar à polícia, o empresário Mauro Hoffman, um dos donos da Boate Kiss, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira. "O depoimento dele corrobora o que nós já havíamos apurado no inquérito", afirmou Arigony, durante coletiva de imprensa realizada após 35 horas de investigações. "Não acrescenta nada ao que temos definido, mas possibilita novas oitivas e acareações", afirmou o delegado, sem indicar as possíveis novas testemunhas a serem ouvidas.

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Hoffman, seu sócio Elissandro Callegaro Spohr e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira - o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão - foram presos preventivamente nesta segunda-feira, por decisão do juiz de Direito plantonista no Foro de Santa Maria, Régis Adil Bertolin. Na decisão, o juiz justificou que a medida atende pedido da autoridade policial para que não haja interferência nas investigações. Segundo a polícia, houve o desaparecimento dos equipamentos com imagens do interior da boate no momento da tragédia.

A prisão temporária das quatro pessoas será por cinco dias, prorrogável por igual período. "Não se mostra razoável, por ora, prolongar o prazo por 30 dias, salvo se outros motivos surgirem durante o inquérito policial", diz nota divulgada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS).

Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

Fonte: Terra

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