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Kiss: delegado reclama de críticas movidas por 'interesse partidário'

Marcelo Arigony negou que tenha motivações políticas para responsabilizar o prefeito de Santa Maria pela tragédia que matou 241 pessoas

25 mar 2013 17h01
| atualizado às 17h03
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<p>Delegado Marcelo Arigony, respons&aacute;vel pelas investiga&ccedil;&otilde;es do inc&ecirc;ndio na Boate Kiss, rebateu cr&iacute;ticas do prefeito de Santa Maria</p>
Delegado Marcelo Arigony, responsável pelas investigações do incêndio na Boate Kiss, rebateu críticas do prefeito de Santa Maria
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O delegado regional de Santa Maria (RS), Marcelo Arigony, rebateu nesta segunda-feira as acusações do prefeito Cézar Schirmer (PMDB) a respeito da existência de motivação política na inclusão do chefe do Executivo municipal no inquérito que investiga o incêndio na Boate Kiss. Em entrevista ao Jornal do Almoço, da RBS TV, Arigony se disse "muito triste de ver pessoas com nítido interesse partidário criticando a situação". "Imediatamente nós colocamos o relatório na internet para o escrutínio de todos. E agora nós vamos digitalizar todo o inquérito e colocar também, para que todos escrutinem e vão ver que todos os atos dentro do inquérito policial foram praticados com a mais absoluta isenção, imparcialidade e regularidade", afirmou o delegado.

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Segundo Arigony, o prefeito não foi incluído no inquérito pela responsabilidade de escolher os secretários e funcionários, e sim por contradições entre o seu depoimento à Polícia Civil e a resposta da prefeitura a um ofício do Ministério Público. "O indiciamento do prefeito veio porque ele foi oficiado diretamente, foi oficiado na pessoa dele pelo Ministério Público, dentro do inquérito civil, perguntando sobre a boate. E a prefeitura respondeu que a licença da boate estava vencida há seis meses. A partir desse fato, o prefeito municipal não pode mais sustentar a versão dele, de quando prestou depoimento, dizendo que nada sabia sobre a estrutura da prefeitura, nada sabia sobre os seus fiscais, nada sabia sobre a legislação", criticou o delegado. "O prefeito não pode mais dizer que eles não têm responsabilidade. Essa conduta omissiva ou negligente contribuiu, sim, para o resultado. Se a prefeitura neste momento tivesse fiscalizado essa casa, ela estaria nos dias 26 e 27 (de janeiro) fechada ou teria se adequado à legislação", completou. Arigony ainda afirmou que a prefeitura dificultou o acesso a documentos referentes à Boate Kiss. "Os setores dentro da prefeitura não se comunicavam. O fato mais grave: nós oficiamos a prefeitura municipal solicitando todos os documentos relativos à boate. Para a nossa surpresa, o documento mais importante, que apontava 29 irregularidades da boate, feito por um arquiteto da prefeitura, não nos foi mandado. Nós tivemos que fazer uma diligência de busca e encontramos esse documento em outro setor. Eu não vou falar em má fé, mas nos parece que esse documento não nos foi mandado deliberadamente", concluiu.

Incêndio na Boate Kiss
Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou 241 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.
 

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas. 

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Fonte: Terra
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