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Donos pediram para prolongar uso da pirotécnica, diz defesa de músico

1 fev 2013
14h19
atualizado às 14h27
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O advogado que representa o músico Marcelo de Jesus, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Omar Obregom, rebateu nesta sexta-feira as declarações de Jader Marques, defensor de Elissandro Spohr, o Kiko, que disse que os donos da casa foram surpreendidos pela apresentação pirotécnica dos músicos.  “Inclusive eles (os donos) pediram para a banda prolongar o uso da pirotécnica porque era muito curto”, declarou Obregom.

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Segundo o advogado dos músicos, quando o local orientava a banda a não utilizar os fogos, a banda acatava. “Eles fizeram um show em setembro em um CTG (Centro de Traduções Gaúchas) no qual eles pediram que os fogos não fossem usados e a banda não usou. Se os proprietários tivessem alertado sobre o perigo, a banda não teria usado”, afirmou.

Ainda de acordo com Obregom, o mais preocupante são os extintores não terem funcionado, além do dono da boate não ter alertado a banda sobre os risco de uma apresentação pirotécnica na casa. Segundo ele, a banda já tinha se apresentado no dia 21 de janeiro na Kiss, com o mesmo show, o que comprovaria que os proprietários da boate sabiam como era apresentação.

Obregom também ressaltou que o seu cliente não está se eximindo da culpa no incêndio na boate Kiss, onde mais de 200 pessoas morreram no último domingo. “O Marcelo não está se eximindo da culpa, mas essa responsabilidade não pode cair toda sobre ele”, disse o advogado, que defende que o vocalista divida a responsabilidade com os donos da boate, além dos bombeiros e da prefeitura pelas falhas na fiscalização e concessão de alvará.

No entanto ele não soube responder se Marcelo teria saído do local sem alertar as pessoas sobre o incêndio, apesar de estar em cima do palco e com o microfone na mão. Esse argumento foi um dos que embasou o pedido de prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias. "Após perceber o fogo, seu comportamento teria sido determinante para o desenrolar dos fatos, pois não avisou o público do que estava ocorrendo”, destacou o juiz Regis Adil Bertolini, com base nas investigações, ao atender o pedido de prorrogação.

Além do vocalista, o produtor da banda Luciano Augusto Bonilha Leão e os próprietários da Kiss Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann também tiveram a prisão prorrogada por um mês. 

 
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Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
 
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
 
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.
 
Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
 
Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
 
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
 

 

Fonte: Terra

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