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Alunos da UFSM são homenageados em volta às aulas após tragédia

4 fev 2013
10h05
atualizado às 12h02
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Foi realizado na manhã desta segunda-feira, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), um ato ecumênico em homenagem as vítimas do incêndio da Boate Kiss, que deixou mais de 230 mortos. A cerimônia começou por volta das 9h, mas pouco antes, estudantes do Centro de Ciências Rurais (CCR) - um dos que mais perdeu alunos na tragédia - se reuniram em frente ao prédio para ouvir dos professores palavras de conforto, no primeiro dia de aulas após a tragédia. Do total de mortos, 115 eram alunos da USFM. 

Alunas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) se abraçam no primeiro dia de aula após o incêndio
Alunas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) se abraçam no primeiro dia de aula após o incêndio
Foto: Wesley Santos / Futura Press

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"Vamos ter força pela memória deles, vamos nos esforçar para manter a memória deles, lembrando de tudo, falando de tudo", disse o coordenador do curso de Agronomia, professor Toshio Nishijima, para uma plateia de alunos ainda muito abalada com a perda de amigos.

O coordenador do Centro de Ciências Rurais, Thomé Lovato, diz que, nesse primeiro momento, será dado auxílio psicológico aos alunos. "É importante o apoio dos colegas, a solidariedade de todos, temos que refletir para que cada um de nós possa encontrar a própria resposta", afirmou.

No decorrer da semana, as aulas foram canceladas, mas os professores passaram por um processo de treinamento com psicólogos para prepará-los para a volta dos alunos. "Ficará a cargo de cada disciplina como será dado o conteúdo, a orientação que temos do reitor é que as aulas serão estendidas por mais uma semana", disse Lovato. As aulas, que terminariam no dia 2 março, devem continuar até o dia 6.

Logo depois da reunião no CCR, centenas de pessoas se deslocaram para um barracão montado para a realização do ato ecumênico, que contou com representantes de diferentes vertentes religiosas. Para homenagear os mortos, foram acesas 237 velas, o número até agora de pessoas que perderam a vida no incêndio. 

O reitor da UFSM, Felipe Müller, anunciou a construção de um memorial e criticou a cobertura midiática, que considerou "sensacionalista". "Espero que a imprensa possa sair do sensacionalismo e exploração para entrar no momento de carinho. (...) Já pedi para o pessoal da arquitetura fazer o projeto, escolher o local, e utilizar materiais diferentes que possam lembrar da memória das vítimas", afirmou. 

O final de semana foi marcado por vários atos em lembrança aos mortos na tragédia - entre eles, uma vigília em frente à Boate Kiss.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

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Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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