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Após soltura dos beagles, Instituto Royal é novamente invadido e depredado

13 nov 2013
14h59
atualizado em 15/11/2013 às 18h39
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<p>Em outubro, cães foram retirados do instituto e páginas na internet foram criadas para adoção</p>
Em outubro, cães foram retirados do instituto e páginas na internet foram criadas para adoção
Foto: Edison Temoteo / Futura Press

O Instituto Royal em São Roque, no interior de São Paulo, foi invadido e depredado na madrugada desta quarta-feira, uma semana após ter anunciado o encerramento de suas atividades. Há menos de um mês, ativistas invadiram o laboratório e retiraram de lá 178 cães da raça beagle sob a acusação que os animais estariam sofrendo maus-tratos.

Você sabia? Por que os beagles são usados em pesquisas de medicamentos?

Em nota, a instituição divulgou que a maior parte dos equipamentos que permaneciam no local foi destruída e quase todos os animais que ainda estavam nas instalações (roedores) foram levado, segundo relatos da equipe de segurança, amontoados dentro de sacolas plásticas comuns. O Instituto Royal registrou boletim de ocorrência e comunicou o fato às autoridades competentes. 

Ainda de acordo com o comunicado, o grupo que invadiu a propriedade na madrugada de hoje era formado por 40 a 50 pessoas, entre homens e mulheres. Três funcionários da segurança do Instituto, da empresa Gocil, foram agredidos e passaram por exame de corpo de delito na delegacia.

Os ativistas danificaram também veículos pertencentes ao Instituto e um que seria de propriedade de um dos seguranças. Nas paredes do local o grupo pichou a inscrição ALF, em referência ao Animal Liberation Front, grupo extremista de libertação animal famoso por recorrer a práticas violentas. 

Segundo o Royal, a direção do instituto vinha mantendo contato com o Conselho Nacional de Experimentação Animal (Concea) para cuidar da destinação correta dos animais que permaneciam no local. "Lamentamos que os ativistas recorram novamente à baderna. Lamentamos que a onda de violência física e moral contra os animais e os profissionais que prestam serviço ao Instituto, iniciada com a invasão de 18 de outubro e apoiada sistematicamente por políticos e celebridades, ainda persista, mesmo com o encerramento das atividades do Royal", disse em comunicado.   

Ativistas retiram animais de instituto
Ativistas invadiram, por volta das 2h de 18 de outubro de 2013, a sede do Instituto Royal, em São Roque, no interior de São Paulo, para o resgate de cães da raça beagle que seriam usados em pesquisas científicas. Mais tarde, coelhos também foram retirados do local. Cerca de 150 pessoas participaram da invasão. Ao todo, 178 cães foram retirados do instituto. O centro de pesquisas era alvo de frequentes protestos de organizações pelos direitos dos animais.

Os beagles são usados por ter menos variações genéticas, o que torna os resultados dos testes mais exatos. Apesar de os ativistas relatarem diversas irregularidades, perícia feita no Instituto Royal não constatou indícios de maus-tratos aos animais. No dia seguinte à invasão, um novo protesto terminou em confronto entre policiais militares e manifestantes e provocou a interdição da rodovia Raposo Tavares. Quatro pessoas foram detidas.

Em nota, o Instituto Royal refutou as alegações dos manifestantes. "O instituto não maltrata e nunca maltratou animais, razão pela qual nega veementemente as infundadas e levianas acusações de maltrato a seus cães. Sobre esse ponto, o instituto lamenta que alguns de seus cães, furtados na madrugada da última sexta-feira, estejam sendo abandonados", diz a nota, acrescentando que todas as atividades desenvolvidas no local são acompanhadas por órgãos de fiscalização.

Segundo o instituto, a invasão de sua sede constituiu um "ato de grave violência, com sérios prejuízos para a sociedade brasileira, pois dificulta o desenvolvimento de pesquisa científica no ramo da saúde". A invasão ao local, de acordo com a posição do Royal, provocou a perda de pesquisas e de um patrimônio genético que levou mais de dez anos para ser reunido. O instituto também informou que os animais levados durante a invasão, quando recuperados, serão recolhidos e receberão o tratamento veterinário adequado, podendo ser colocados para adoção.

Marcelo Morales, coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) - órgão responsável pela fiscalização do setor -, afirmou que nenhum animal retirado do laboratório sofria maus-tratos ou tinha mutilações. De acordo com o médico, o instituto era acompanhado pelo Concea, ligado aos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde, nos testes para medicamentos coadjuvantes na cura do câncer, além de antibióticos e fitoterápicos da flora brasileira, feitos a partir de moléculas descobertas por brasileiros. "Milhões de reais foram jogados no lixo e anos de pesquisas para o benefício dos brasileiros e dos animais também foram perdidos", disse o pesquisador.

Colaborou com esta notícia o internauta Marcelo Roque, de São Roque (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra
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