0

Renúncia de Cunha abre corrida para mandato tampão na Câmara

7 jul 2016
16h28
atualizado às 17h30
  • separator
  • comentários

A renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira abriu oficialmente a corrida pela sucessão ao cargo. Discutida desde o ano passado nos bastidores, e ampliada com as diversas críticas ao trabalho do primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), como interino, ela tomará o centro das articulações políticas nos próximos dias.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Maranhão convocou para a próxima quinta-feira, às 16h, sessão extraordinária para a eleição do novo presidente da Casa. Pela decisão do primeiro vice-presidente, os pretendentes à presidência da Câmara deverão apresentar as suas candidaturas até as 12h do dia 14.

Até o momento, aparecem pelo menos 14 nomes para disputar a presidência e comandar a Câmara até fevereiro de 2017. No entanto, um deputado é apontado como favorito pelos colegas: o líder do PSD, Rogério Rosso (DF). No primeiro mandato, ele é um dos principais membros do "centrão", grupo de partidos que apoia Cunha e que também faz parte da base aliada do presidente da República em exercício, Michel Temer.

Ao Terra, Rosso disse que não entrará na corrida pelo mandato tampão. "Não sou candidato", afirmou. Porém, nos bastidores, deputados colocam o líder do PSD como favorito. Primeiro, por ser um nome que agrada Cunha. Mesmo afastado, o peemedebista tentará eleger um aliado para o cargo. Depois, por ser visto como um parlamentar mais moderado e que, apesar de estar no primeiro mandato, ter trânsito na maior parte das bancadas.

O líder do PSD entende que existem outros deputados com "mais experiência" e "mais conciliadores" para assumir o cargo. Mas afirmou à pessoas próximas que, em último caso, aceitaria disputar a presidência com apoio do "centrão". Ao falar com os jornalistas após a renúncia de Cunha, comentou que um candidato de consenso "não pode inventar a roda" e é preciso garantir "previsibilidade" nos trabalhos do Legislativo.

Nos próximos dias, a pressão em cima de Rosso será grande para que seja o candidato do centrão. Entretanto, o deputado de Brasília tem outros planos. Sua ideia era disputar a presidência da Câmara no ano que vem, tendo um mandato completo de dois anos na Mesa Diretora. E coincidiria com seus planos para as eleições de 2018, quando estuda disputar uma vaga majoritária na capital do país.

Além disso, pesa contra ele ficar conhecido como "tampão". Rosso foi eleito de forma indireta governador do Distrito Federal pela Câmara Legislativa em 2010. Na época, o então governador José Roberto Arruda teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) e o vice Paulo Octávio renunciou ao cargo por conta de denúncias relacionadas com a Operação Caixa de Pandora.

Antiga oposição

Rosso aparece como candidato favorito dentro do centrão, mas os quatro partidos que formavam a antiga oposição e hoje estão na base de Temer - PSDB, DEM, PPS e PSB - por enquanto não querem a eleição de um candidato vinculado a Cunha. Por isso, a discussão inicial entre eles é de união das quatro legendas. E, se for viável, de apresentação de uma candidatura própria para marcar posição.

Entre estes quatro partidos, há pelo menos cinco nomes postos para a disputa. Os demistas Rodrigo Maia (RJ) e José Carlos Aleluia (BA), os tucanos Antonio Imbassahy (BA) e Jutahy Junior (BA) e Júlio Delgado (PSB-MG). Os líderes destas bancadas tentarão primeiro tirar um nome de consenso e apresentar às outras legendas com representação na Câmara, inclusive PT e PCdoB, que não descartam apoiar Delgado ou Maia.

"Precisamos de um perfil que possa conduzir a Câmara para que esta Casa Legislativa contribua no processo de recuperação do país", afirmou o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM).

Fonte: Especial para Terra

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade