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Canga a R$ 100: os nada olímpicos preços do Rio de Janeiro

Já conhecida pelos altos custos, cidade vê valores dispararem com início dos Jogos.

4 ago 2016
08h10
atualizado às 09h05
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Vendedor ambulante na praia de Copacabana
Vendedor ambulante na praia de Copacabana
Foto: Ariel Subirá/Futura Press

Há muito tempo o Rio de Janeiro figura com destaque na lista das cidades mais caras do mundo. Mas às vésperas do início dos Jogos Olímpicos, o maior evento esportivo do planeta, os preços dispararam ainda mais, sobretudo nas áreas turísticas e nos locais frequentados pelos atletas. O preço de uma simples canga de praia pode chegar a R$ 100 na orla de Copacabana, e uma coxinha de frango no Parque Olímpico custa nada menos que R$ 18. Não está fácil para ninguém.

Os preços salgados começam na própria loja oficial da Rio 2016, instalada na praia de Copacabana. Lá, o item mais barato é uma moeda de R$ 1, comemorativa dos Jogos, que custa R$ 13. Um chaveiro sai a R$ 35, e um moletom com a logomarca dos jogos vale mais de R$ 200. Na areia, alugar uma cadeira e uma barraca e tomar uma lata de cerveja não sai por menos de R$ 25, sobretudo se você tiver pinta de gringo.

"É o preço olímpico, né?", justifica um ambulante. "A gente que carrega o peso também precisa ganhar."

O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda com a lógica do vendedor da praia. "Nos locais de maior concentração turística, os preços vão subir mesmo, porque os turistas não estão familiarizados com os valores, e a maioria vem de países com moeda mais forte do que a nossa e dinheiro para gastar", explica. "Além disso, quando você consome na areia, não é só uma latinha de cerveja que você está consumindo, mas também o serviço, a comodidade. Alguém carregou peso, gelo, para levar o produto até você; é natural que seja mais caro."

"Posso vender a canga até por R$ 100, dependendo do freguês e do movimento", explica um outro vendedor ambulante, carregando inúmeras saídas de praia coloridas.

Não é uma lógica muito diferente da praticada pelos hotéis da cidade. Os 3 estrelas foram os mais procurados e, não por acaso, os que mais subiram o valor da diária, que, entre 5 e 21 de agosto, ficou em nada menos que US$ 407 - 167% a mais do que nas épocas mais concorridas na cidade, como Réveillon e Carnaval. A tarifa média de um 4 estrelas ficou 135% mais cara, de acordo com os números do portal Kayak, que compara preços de hospedagem. A diária em um 5 estrelas foi a que menos subiu; 17%.

As maiores reclamações, no entanto, estão vindo do Parque Olímpico, na Barra. Sem opções no entorno, os estabelecimentos abertos no local cobram valores mais altos. Um salgado sai a R$ 18, um hambúrguer custa R$ 25, uma garrafa de água mineral vale R$ 8. E o restaurante cobra R$ 98 por quilo da comida de bufê.

Na Vila Olímpica, também na Barra, onde as delegações estão hospedadas, um mercadinho cobra preços até três vezes acima do praticado no comércio por necessidades de última hora, como adaptadores de tomada, repelentes e cartões de memória. Um pacote com dez adaptadores - essenciais no país que tem um padrão único de tomada, de três pinos - custa R$ 200.

"É a lei da oferta e da procura", resume o economista André Braz. "Nesses locais em que não há outras opções nem concorrência, e os custos são altos, os comerciantes acabam oferecendo produtos mais caros mesmo. Uma resposta a esses preços é não consumir lá, forçando, eventualmente, uma baixa nos valores."

Braz deixa claro, no entanto, que tal movimento é sazonal - diretamente ligado aos Jogos e ao afluxo de turistas - e não deve afetar os índices de inflação.

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