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Homossexual delatado pela imprensa é assassinado em Uganda

27 jan 2011 07h41
| atualizado às 13h48
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A polícia de Uganda confirmou nesta quinta-feira o assassinato de um ativista gay que no ano passado processou um jornal local que incitou o enforcamento de homossexuais.

David Kato, um ativista de um grupo defensor dos direitos gays de Uganda, foi encontrado com ferimentos graves na cabeça em sua casa na capital de Uganda, Kampala, e mais tarde morreu devido aos ferimentos
David Kato, um ativista de um grupo defensor dos direitos gays de Uganda, foi encontrado com ferimentos graves na cabeça em sua casa na capital de Uganda, Kampala, e mais tarde morreu devido aos ferimentos
Foto: AP

David Kato, foi encontrado com ferimentos na cabeça em sua casa, na capital ugandense, Campala. A polícia disse que ainda está investigando as circunstâncias e não confirmou se o crime foi motivado pelo fato da vítima ser homossexual.

O jornal processado, o Rolling Stone, publicou no ano passado as fotos de várias pessoas, inclusive Kato, que dizia serem gays sob o título "Enforque-os".

Atos homossexuais são considerados ilegais em Uganda, com pena prevista de até 14 anos na prisão.

Um deputado recentemente apresentou um projeto para tornar a punição mais severa, incluindo a pena de morte em alguns casos.

Kato havia feito campanha contra o projeto, que provocou fortes críticas internacionais após ser apresentado.

Segundo o correspondente da BBC em Uganda Kevin Mwachiro, não está claro se a morte de Kato estaria ligada à campanha do jornal Rolling Stone.

O editor do Rolling Stone, Giles Muhame, disse à agência de notícias Reuters que condenava o assassinato e que o seu jornal não pediu o ataque aos gays.

"Há muita violência, pode não ser porque ele era gay", disse, afirmando que o jornal defende é que o governo enforque quem promove o homossexualismo.

Onda de assassinatos
Recentemente houve uma onda de assassinatos de pessoas na cidade de Mukono, onde Kato vivia. Testemunhas disseram à BBC que um homem entrou na casa de Kato e o espancou-o até a morte.

O grupo Minorias Sexuais de Uganda, dirigido por Kato, disse que ele vinha recebendo ameaças desde que o Rolling Stone publicou sua foto, seu nome e seu endereço no ano passado.

O diretor-executivo do grupo, Frank Mugisha, disse à BBC que ficou "arrasado" ao ouvir a notícia. "Ele foi morto por alguém que chegou a sua casa com um martelo. Qualquer um pode ser o próximo alvo", disse.

"Estamos pedindo a todos os gays, lésbicas, bissexuais e transexuais de Uganda que tomem muito cuidado com sua segurança. Eles devem tomar mais precauções", disse Mugisha, que pediu ainda que o governo ofereça proteção aos gays do país.

A ONG internacional Human Rights Watch pediu uma investigação a fundo sobre o assassinato. "A morte de David Kato é uma perda trágica para a comunidade de direitos humanos", disse Maria Burnett, representante da organização.

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