1 evento ao vivo

"Roubo do século", assalto ao trem pagador completa 50 anos

8 ago 2013
06h07
atualizado às 07h30
  • separator
  • comentários

O assalto ao trem pagador na Inglaterra, considerado "o roubo do século", completa nesta quinta-feira seu 50º aniversário com a lembrança da complexidade do método utilizado pelos ladrões, que cometeram um crime "quase" perfeito.

Ronald Biggs ao lado de seu cartaz de procurado no Rio de Janeiro em foto de 1994
Ronald Biggs ao lado de seu cartaz de procurado no Rio de Janeiro em foto de 1994
Foto: AFP

A precisão milimétrica e a preparação cuidadosa foram os ingredientes para que 17 criminosos - 15 ladrões e dois informantes - entrassem para a história na madrugada do dia 8 de agosto de 1963 ao interceptar e roubar o conteúdo de um dos trens mais famosos do Reino Unido, que levava depósitos bancários da Escócia para Londres.

O alvo era o trem que saiu de Glasgow e transportava 126 sacos cheios de dinheiro dos bancos situados entre Londres e a capital escocesa, que viajava durante a noite e cujo conteúdo era conhecido por poucas pessoas.

Embaixo de uma das pontes que o trem atravessaria naquela noite estava o bando de Ronald Biggs e Bruce Reynolds: 15 ladrões escolhidos por suas habilidades especiais que não precisariam mais trabalhar pelo resto de suas vidas caso a operação ocorresse conforme os planos.

Por volta das 3h15 da manhã, o trem, que estava a apenas 65 quilômetros de Londres, parou inesperadamente sob a ponte Bridego, no condado inglês de Buckinghamshire. Era o primeiro triunfo do plano idealizado por Reynolds, que com uma bateria portátil mudou as luzes do semáforo e forçou a locomotiva a parar após ter confirmado na meia-noite, graças a um informante em Glasgow, que o trem levava todos os malotes de dinheiro dos bancos.

Tinha que ser essa, entre todas as noites, a escolhida para o golpe, já que as entidades tinham fechado seu exercício três dias antes e, após esvaziarem seus cofres, enviaram o dinheiro a Londres para deixá-lo bem guardado.

A bordo do trem estavam o maquinista, Jack Mills, e seu ajudante, que desceu para descobrir porque o trem tinha parado e deu de cara com os ladrões disfarçados de soldados, que o amarraram sem dizer uma palavra e subiram no comboio.

Mills resistiu e foi golpeado na cabeça com uma barra de metal. Essa foi a única ação violenta da operação, concluída em poucos minutos com o roubo de 118 dos 126 sacos de dinheiro, que desapareceram no interior de duas caminhonetes e um caminhão.

Tudo saiu de acordo com um plano que demorou vários anos para tomar forma na mente de Reynolds, que soube da existência do trem pagador em uma conversa na cadeia em 1960. Reynolds acreditou no início que o assalto era impossível, mas, em um reencontro inesperado em Londres com seu antigo companheiro Biggs, três anos depois, deu asas ao projeto e a reunião dos sócios para bolar o golpe aconteceu em poucas semanas.

Porém, houve um elemento com o qual o bando não contava: um tabuleiro do jogo "Monopoly". Os ladrões jogaram para relaxar poucas horas após o roubo e no tabuleiro estavam suas impressões digitais, que a polícia utilizou para identificá-los.

Os ladrões tentaram fugir, mas só os líderes conseguiram: Reynolds, que após uma cirurgia plástica ficou foragido durante cinco anos no México e no Canadá e Biggs, que viveu no Brasil durante 31 anos, após sua fuga da prisão em 1965 até sua captura em 2001, quando voltou voluntariamente ao Reino Unido.

Biggs teve um filho com uma dançarina chamada Raimunda de Castro, Michael Biggs, que ficou famoso no Brasil após integrar o grupo musical infantil Turma do Balão Mágico. Graças ao filho, Biggs foi impedido de ser extraditado do país, pois a legislação determina que qualquer estrangeiro que tiver um filho com um brasileiro não pode ser extraditado.

Eles são os nomes da lenda, reverenciados por aqueles que sonham com o crime perfeito e lembram que do assalto milionário (avaliado hoje em 47,5 milhões de euros) só foi recuperada uma pequena parte.

Biggs, que a seus 83 anos está em prisão domiciliar, coordenou a ação de seus parceiros. Reynolds, que morreu há poucos meses, elaborou o plano. John Weather, com sua cara de bom moço, encontrou refúgio sem levantar suspeitas. Roger Cordrey avisou sobre a chegada do trem, entre outros que completaram o bando que inspirou vários filmes.

"Buster - Procura-se um Ladrão" (1988) foi assessorado pelo próprio Reynolds e é o filme mais fiel. Outro longa metragem, "Onze Homens e um Segredo" (2001), conta a história de um bando que realizou um roubo que parecia impossível, não na Inglaterra, mas nos cassinos de Las Vegas, com George Clooney e Brad Pitt como protagonistas.

EFE   

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade
publicidade