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Canadá debate bullying após trágico suicídio de jovem

20 out 2012
10h00 atualizado às 10h13
10h00 atualizado às 10h13
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O Parlamento canadense iniciou esta semana o debate de uma moção para enfrentar o assédio escolar e pela internet - este último também conhecido como cyberbullying - poucos dias depois do suicídio de uma jovem canadense, que durante anos foi intimidada no colégio e através da internet.

A trágica morte de Amanda Todd, 15 anos, aconteceu no dia 10 de outubro, um mês depois que a jovem estudante postou no YouTube um vídeo no qual, sem pronunciar uma palavra e através simplesmente de pequenos cartazes, explica o assédio que sofria há três anos.

No vídeo, de nove minutos e intitulado "Minha história: luta, assédio, suicídio, dano", Amanda explica que quando tinha 12 anos um homem que conheceu através de um bate-papo na internet a convenceu de que lhe mostrasse os seios.

Um ano depois, o desconhecido entrou em contato com ela através do Facebook e pediu que ela tirasse a roupa na frente da câmera em troca de não distribuir imagens de seu primeiro encontro. Pouco depois, a polícia foi à casa da jovem porque as imagens tinham sido distribuídas a seus professores, amigos e familiares.

Amanda descreve no vídeo a ansiedade, depressão e pânico que lhe causou a distribuição de sua imagem nua e como caiu em um círculo vicioso de drogas e álcool que agravaram seu sofrimento.

Um ano depois, o desconhecido criou uma página no Facebook na qual utilizou a imagem nua de Amanda como sua foto do perfil. "Perdi todos meus amigos e o respeito que as pessoas tinham por mim. Eles me insultavam e me julgavam. Nunca poderei recuperar essa foto. Está lá para sempre", declarou.

O pesadelo de Amanda continuou outro ano mais apesar de ela ter mudado de colégio. Certa vez, alguns jovens a esperaram na frente de sua nova escola e a namorada de um amigo bateu nela enquanto outros gravavam em seus telefones celulares a agressão.

"Queria morrer. Quando (meu pai) me trouxe para casa, bebi água sanitária. Aquilo me matou por dentro e achava que ia mesmo morrer. A ambulância veio, me levou para o hospital e me trataram", continua a jovem canadense no vídeo.

Ao sair do hospital, Amanda descobriu no Facebook várias mensagens dizendo que ela merecia o que estava passando e que deveria morrer. A jovem se mudou para outra cidade e mudou de novo de colégio. Mas o assédio continuou através da internet.

"Estou continuamente chorando. Todos os dias penso por que estou ainda aqui. Minha ansiedade é horrível. Não saí o verão todo. Tudo por causa do meu passado. A vida não melhora. Não posso ir ao colégio ou me reunir com as pessoas. Estou me cortando constantemente. Estou muito deprimida", relatava.

O vídeo termina com dois cartões nos quais se lê: "Não tenho ninguém. Preciso de alguém. Meu nome é Amanda Todd"; e uma foto de seu braço sangrando com vários cortes.

Amanda foi encontrada morta em sua casa de Port Coquitlam, na província de Colúmbia Britânica, no dia 10 de outubro. A polícia canadense disse através de um comunicado que sua morte não é fruto de um crime. A polícia também não quis comentar informações segundo as quais um suposto pedófilo americano é o indivíduo que chantageou Amanda e divulgou sua foto nua na internet.

A trágica história de Amanda comoveu nos últimos dias o público canadense e na última segunda-feira o deputado social-democrata Dany Morin, 26 anos, apresentou uma moção no Parlamento canadense para "prevenir e ajudar aqueles que são vítimas de agressores tanto no colégio como na internet". Morin revelou que sofreu bullying no colégio, e disse que a situação se transformou em "um problema nacional", potencializado pela internet. Os números respaldam a avaliação de Morin.

Segundo a organização Bullying Canada, que se dedica a combater a intimidação escolar no país, uma em cada sete crianças canadenses de entre 11 e 16 anos de idade são vítimas de assédio escolar ou pela internet. Só nos colégios do país acontecem 282 mil casos deste tipo todo mês, segundo a mesma organização, que assinala que enquanto os meninos principalmente são insultados ou sofrem ameaças, as meninas sofrem assédio sexual.

EFE   
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