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Rússia classifica Testemunhas de Jeová como extremistas

20 abr 2017
14h59
atualizado às 15h02
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O Tribunal Supremo de Rússia proibiu nesta quinta-feira as atividades das Testemunhas de Jeová ao considerá-la uma organização extremista, e ordenou a apreensão de todas as suas propriedades.

Desta forma, a partir de agora está suspensa "com efeito imediato" a prática desse culto e serão dissolvidos tanto o centro de direção das Testemunhas de Jeová na Rússia como suas 395 filiais em todo o país.

O Supremo atendeu assim a um pedido apresentado pelo Ministério da Justiça, no final de março, de ilegalizar as atividades das Testemunhas de Jeová no país.

"A organização religiosa Testemunhas de Jeová mostra indícios de extremismo. Representa uma ameaça para nossos cidadãos, a ordem pública e a segurança da sociedade", disse hoje Svetlana Borisova, representante do Ministério da Justiça, durante a audiência do Supremo.

Borisova lembrou que a organização propagou literatura incluída na lista de publicações extremistas e lembrou que a proibição das transfusões de sangue por seus seguidores ameaça a vida das pessoas.

As Testemunhas de Jeová, que consideram que as acusações da Justiça são falsas, gratuitas e caluniosas, mostraram repúdio à decisão do Supremo e disseram que recorrerão ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Há vários meses, representantes da organização denunciam perseguição por parte das autoridades russas, às quais acusam de usar falsos depoimentos para atingí-la.

O porta-voz das Testemunhas de Jeová na Rússia, Ivan Belenko, denunciou à Agência Efe que a decisão das autoridades russas privará de seu direito à liberdade de culto os 175 mil seguidores que a organização tem no país.

O presidente da Associação russa para o Estudo de Religiões e Seitas, Alexandr Dvorkin, considera que as Testemunhas são uma seita que gira em torno de seu próprio mundo, se isolando do resto da sociedade.

Dvorkin também criticou e tachou como seitas os Mórmons e a Igreja da Cientologia, proibida pela Justiça russa em novembro de 2015.

A campanha contra essas crenças coincide com um aumento sem precedentes da religiosidade entre os russos, embora menos de 10% dos cidadãos compareçam regularmente a cultos, segundo dados do prestigiado Centro Levada de estudos.

EFE   

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