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Coreia do Sul aceita oferta de diálogo da Coreia do Norte

6 jun 2013
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A Coreia do Sul aceitou nesta quinta-feira a proposta da Coreia do Norte de conversações oficiais sobre um determinado número de temas sensíveis, após meses de tensões militares entre os dois países, divididos há seis décadas.

O governo sul-coreano aceitou a proposta da Coreia do Norte de iniciar, pela primeira vez em anos, conversações oficiais sobre uma lista de pontos comerciais e humanitários.

O anúncio acontece após o forte aumento da tensão entre a comunidade internacional e o regime norte-coreano, provocado pelo terceiro teste nuclear da Coreia do Norte, executado em fevereiro, e pelas ameaças de Pyongyang contra os Estados Unidos.

Em um comunicado divulgado pela agência estatal norte-coreana KCNA, o Comitê do Norte para uma Reunificação Pacífica da Coreia (CPRK), responsável pelas relações com a Coreia do Sul, propõe o início das discussões, em particular a respeito do complexo industrial binacional de Kaesong e da reunião das famílias separadas ao fim da guerra da Coreia em 1953.

O CPRK não especificou o nível de representação das delegações nas negociações e deixou aos sul-coreanos a escolha da data e do local.

O ministro da Unificação da Coreia do Sul propôs horas mais tarde um encontro interministerial com o Norte em Seul, no dia 12 de junho.

A Coreia do Norte afirma estar disposta a discutir sobre o futuro do polo industrial de Kaesong, no qual trabalham mais de 50.000 norte-coreanos e centenas de profissionais sul-coreanos. O complexo, crucial para a entrada de divisas no regime comunista, foi fechado por ordem da ditadura norte-coreana em abril.

Kaesong foi criado durante uma aproximação diplomática estimulada pela Coreia do Sul entre 1998 e 2008, que tinha como objetivo incentivar os contatos entre os dois países rivais, que, tecnicamente, permanece em guerra desde o conflito de 1950-1953 e que terminou com um armistício.

O Norte também manifestou disposição de negociar a retomada das visitas turísticas do monte Kumgang.

Assim como Kaesong, Kumgang permitia a entrada de milhões de dólares no hermético país do Norte.

Poucas horas depois do anúncio, o governo sul-coreano afirmou que recebia "de forma favorável a proposta de conversações oficiais feita pela Coreia do Norte", segundo um comunicado do ministério da Unificação, responsável pelas relações com Pyongyang.

"Esperamos que a Coreia do Sul e a Coreia do Norte aproveitem a oportunidade para construir uma relação de confiança mútua", afirma a nota.

Os contatos bilaterais entre as Coreias estão congelados desde o naufrágio de uma corveta sul-coreana que foi torpedeada, segundo Seul, por um submarino de Pyongyang em 26 de março de 2010, um ataque que matou 46 marinheiros.

Analistas reagiram com prudência ao anúncio e destacaram as dificuldades que precisam ser superadas pelos dois países para restabelecer a confiança.

"A Coreia do Norte tenta tomar a iniciativa, mas é muito cedo para dizer se a oferta resultará em um diálogo sincero", disse Yang Moo-Jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos de Seul.

A presidente sul-coreana Park Geun-Hye se declarou aberta ao diálogo, mas ressaltou que o Norte deve renunciar ao desenvolvimento de armamento nuclear, de acordo com compromissos internacionais.

A condição é considerada inaceitável pelo regime comunista, que se recusa sistematicamente a renunciar ao direito de obter um sistema de dissuasão nuclear.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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