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"A origem do Natal é vaga", afirma historiadora

18 nov 2011 11h00
| atualizado às 14h09
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Embora tradicionalmente a data represente a celebração do nascimento de Jesus, o festejo do Natal precede o próprio Cristianismo. Não há uma data exata definida, mas há relatos históricos de que as comemorações antecedem de 2 a 4 mil anos o nascimento de Jesus. "A origem do Natal é muito vaga", afirma Jany Canela, mestre em educação e graduada em História pela Universidade de São Paulo. "Na verdade, é sabido que muitos rituais e festas do Cristianismo eram originalmente tradições pagãs reunidas de maneira a incorporar também a cultura popular", afirma Jany.

A origem do Natal, além do próprio cristianismo, tem ligação com festivais mesopotâmicos, persas, babilônios e gregos
A origem do Natal, além do próprio cristianismo, tem ligação com festivais mesopotâmicos, persas, babilônios e gregos
Foto: Sxc.hu / Terra



Muitos antes do nascimento de Jesus, um antigo festival na Mesopotâmia, chamado Zagmuk, simbolizava a passagem de um ano para outro. As comemorações duravam 12 dias e a tradição dizia que, por conta do solstício de inverno (que marca a noite mais longa do ano), os monstros do caos ficavam furiosos. Para lutar contra eles, o rei deveria morrer no fim do ano e, ao lado do deus Marduk, ajudá-lo nessa batalha.



Para poupar o rei, um criminoso era vestido com suas roupas e tratado com todos os privilégios do monarca, sendo morto e levando todos os pecados do povo consigo. "Os povos antigos sempre realizaram festas de celebração em deferência aos marcos de transição da natureza, como as estações ou períodos representativos de mudanças importantes, entre eles o solstício (em dezembro) e o equinócio (em março)", explica Jany.



Um ritual semelhante, chamado de Sacae, era realizado pelos persas e babilônios. Sob os mesmos pilares da luta contra a escuridão, a versão também contava com escravos tomando lugar de seus mestres. "Por conta da relação luz/escuridão trazida pela simbologia do solstício, a teoria mais difundida sobre o Natal associa a data a esse período, em que alguns povos passavam a noite em vigília com tochas acesas para garantir que o sol nascesse e imperasse sobre a escuridão", afirma a historiadora.



Os gregos: homenagem a Saturno

A Grécia antiga também incorporou os rituais estabelecidos pelos mesopotâmios ao celebrar a luta de Zeus contra o titã Cronos. O costume alcançou os romanos, que passaram a realizar a Saturnalia (em homenagem a Saturno). A festa começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de janeiro, comemorando o solstício do inverno. De acordo com os cálculos do povo, o dia 25 era a data em que o sol se encontrava mais fraco, porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra.



Durante o dia 25 de dezembro, conhecido como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, não havia trabalho nem aulas e eram realizadas festas nas ruas, grandes jantares com amigos, além de que as árvores verdes eram ornamentadas com galhos de loureiros e iluminadas por muitas velas para espantar os maus espíritos da escuridão.



O Cristianismo

Segundo o Cristianismo, Maria deu à luz o filho de Deus, chamado Jesus, em um estábulo em Belém. No dia 25 de dezembro, entre bois e cabras, Jesus nasceu, sendo enrolado com panos e deitado em uma manjedoura (objeto usado para alimentar os animais). No entanto, a data exata do nascimento é polêmica.



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Fonte: Terra
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