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Enclave armênio realiza eleições parlamentares que Baku declara ilegais

23 mai 2010 05h12
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O enclave separatista armênio em território azerbaijano Nagorno-Karabakh realiza hoje eleições para escolher seu novo Parlamento, pleito que as autoridades do Azerbaijão declararam ilegais e carentes de toda consequência jurídica.

"A realização de eleições em zonas de ações bélicas ou em territórios ocupados se contradizem com as normas do direito internacional", disse à Agência Efe o porta-voz da Comissão Eleitoral Central (CEC) do Azerbaijão, Natiq Mamedov.

Segundo o porta-voz, a realização de eleições em Karabakh é um "ardil para justificar e legitimar a ocupação (armênia) dos territórios azerbaijanos".

O Parlamento da autoproclamada república de Nagorno-Karabakh conta com 33 cadeiras, dos quais 17 são dirimidos por listas de partidos, e os 16 restantes, em circunscrições majoritárias.

De acordo com os dados oferecidos pelas autoridades do enclave, quase 95 mil pessoas, cerca de 66% da população, estão convocadas às urnas.

A Comissão Eleitoral de Karabah informou que os resultados preliminares do pleito serão conhecidos em um prazo de 48 horas.

A disputa azerbaijano-armênia se remonta aos tempos da antiga União Soviética, quando o enclave pediu sua incorporação à vizinha Armênia, o que desembocou em uma guerra entre armênios e azerbaijanos de 1991 a 1994.

O conflito armado, a primeira guerra entre duas antigas repúblicas soviéticas, concluiu com a expulsão dos azerbaijanos de Nagorno-Karabakh e a ocupação de uma vasta zona do Azerbaijão, o que permitiu aos armênios unir o enclave à Armênia.

Em janeiro passado, no balneário russo de Sochi, os líderes do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e Armênia, Serge Sargsian, acertaram elaborar suas respectivas propostas para um documento que estabeleça os princípios de regra do litígio.

Desde o estabelecimento do cessar-fogo, em 1994, não foram alcançados avanços significativos na regra do conflito.

O Azerbaijão exige a retirada incondicional das tropas armênias, que seriam substituídas por forças de pacificação, para conceder uma ampla autonomia a Karabakh, enquanto a Armênia defende o direito à autodeterminação do território, embora vincule seu status definitivo à realização de um plebiscito.

As autoridades de Baku ameaçaram de maneira reiterada com usar a força militar para libertar os territórios azerbaijanos se não prosperarem os esforços diplomáticos para pôr fim à ocupação de Nagorno-Karabakh e das regiões contíguas.

"Os diplomatas não foram capazes em 15 anos de alcançar resultados concretos em relação a este conflito. Azerbaijão não pode esperar outros 15 anos", afirmou recentemente o ministro da Defesa azerbaijano, Safar Abiev.

E, para despejar toda dúvida, acrescentou: "Se a Armênia não cessar a ocupação de nossas terras, será inevitável uma grande guerra no Cáucaso sul".

No final de 2009, a Armênia advertiu que reconheceria a independência de Karabakh se o Azerbaijão recorresse às armas para tentar recuperar esses territórios.

EFE   
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