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Campeão de votos, Tiririca prioriza projetos para palhaços

Em quatro anos de mandato, deputado federal Tiririca apresentou oito projetos, seis deles voltados aos artistas de circo; pesquisa Ibope aponta que o ator é um dos favoritos na disputa em São Paulo

3 out 2014
11h45
atualizado às 15h15
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“Gente, estou aqui para cumprir o prometido. Eu falei para vocês que ia dizer o que um deputado federal faz. Deputado federal trabalha muito e produz pouco”, disse Tiririca no horário eleitoral na TV.

<p>Tiririca, o deputado federal mais votado do País em 2010</p>
Tiririca, o deputado federal mais votado do País em 2010
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Se o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP), for reeleito no próximo domingo, ninguém poderá acusá-lo de faltar com a verdade. No caso dele, trabalhar muito e produzir pouco faz todo sentido: em quatro anos na Câmara, o palhaço Tiririca apresentou apenas oito projetos, sendo que nenhum deles foi transformado em lei; em contrapartida, não faltou a nenhuma votação em plenário.

Dos oito projetos de lei que Tiririca apresentou, seis são voltados ao universo de sua categoria – ou seja, o circo. Os textos propõem o reconhecimento da atividade circense como manifestação cultural (PL 5095/2013); a isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos usados na atividade circense (PL 3544/2012); e a criação de programas de amparo às famílias itinerantes do circo (PL 1527/2011), entre eles o projeto que pede garantia de vagas em escolas públicas e particulares aos filhos dos artistas (PL 3543/2012).

Há, ainda, a proposta que altera o programa Minha Casa, Minha Vida para equiparar trailer e motor home, “usados por populações itinerantes”, à habitação popular (PL 5094/2013); e o projeto que institui o “Diploma Amigo do Circo” (PL 3542/2012). Com exceção deste último, já arquivado, todos foram aprovados em alguma comissão, mas ainda aguardam parecer em outra – ou sequer entraram na pauta.

100% presente
Além da pouca produtividade, levantamento do projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, mostra que Tiririca nunca fez um discurso na tribuna. Por outro lado, além de não ter faltado a nenhuma votação nesses quatro anos (a média da Casa é de 18% de faltas), Tiririca usou menos de sua cota parlamentar do que a média dos deputados.

Para Antônio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o mandato de Tiririca foi uma surpresa, no sentido de que não foi o “vexame” nem a “tragédia” que se pensou incialmente. “A expectativa geral era de que seria um mandato caricato, que criaria constrangimento para o próprio Congresso. Não foi um mandato produtivo, indiscutivelmente, mas também não foi a decepção que se imaginava.”

Tiririca faz campanha em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, em agosto
Tiririca faz campanha em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, em agosto
Foto: Divulgação

Na opinião de Queiroz, o deputado Tiririca é bem avaliado pela sociedade. “Na utilização da sua verba de gabinete, não há nada que seja contrário ao regimento da Casa. Ele também não criou nenhum escândalo e é assíduo, o que é raro. Nesses pontos ele é inatacável.” Para o diretor do Diap, contudo, Tiririca “não tem preparo para ser um grande debatedor”. “Do ponto de vista da produção legislativa, foi quase nulo. Resultados? Nada.”

Campanha
A promessa de contar ao eleitor o que faz um parlamentar em Brasília foi feita na eleição passada: “O que é que faz um deputado federal? Não sei, mas vote em mim que depois eu te conto”, dizia Tiririca na TV, para emendar: “Vote no Tiririca. Pior do que tá, não fica”. A estratégia deu certo, e em 2010 o palhaço foi o deputado mais votado do País, com 1,35 milhão de votos. Com essa marca, Tiririca foi um verdadeiro “puxador de votos” e levou com ele para a Câmara outros três deputados de sua coligação.

Para a disputa deste ano, pesquisa Ibope divulgada em setembro já aponta Tiririca com um dos favoritos no Estado de São Paulo. Com uma propaganda carregada de humor na TV, o deputado quase não precisou fazer campanha. A peça em que faz paródia com o cantor Roberto Carlos, por exemplo, teve tanta repercussão que continuou sendo exibida na TV mesmo após a proibição da Justiça Eleitoral .

O Terra tentou contato com Tiririca, mas a assessoria do PR informou que ele não daria entrevista. A reportagem ainda pediu ao gabinete um posicionamento sobre a atuação do deputado nesses quatro anos, mas não obteve resposta.

Fonte: Terra

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