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Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica defende medidas emergenciais para conter a obesidade

19 abr 2017
17h52
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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) considera o crescimento da obesidade no Brasil nos últimos dez anos um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade.

Foto: DINO

Os dados divulgados, nesta semana (17/04), pelo Ministério da Saúde apontam que a prevalência da obesidade entre a população brasileira passou de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, atingindo quase um em cada cinco brasileiros. As informações integram a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizada em todas as capitais do país.

Entre as medidas propostas como emergenciais pela diretoria da SBCBM estão a criação de bases nacionais de enfrentamento da obesidade, atuação na prevenção infantil e estímulo a prática esportiva, no tratamento terciário de adultos obesos e, inclusive, na implementação em larga escala de centros de cirurgia bariátrica.

"É necessário um trabalho conjunto de toda a sociedade para frearmos esta epidemia que a obesidade se tornou em todo o mundo e, especialmente, no Brasil", declarou o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), cirurgião do Paraná, Caetano Marchesini.

Para ele, os dados que apontam o crescimento do diagnóstico médico de diabetes, que passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016, são ainda mais alarmantes.

"Os custos com as doenças associadas à obesidade sobrecarregam o sistema público de saúde, oneram a iniciativa pública e privada, já que reduzem a capacidade de trabalho, e custam R$ 488 milhões todos os anos aos cofres públicos. Dados do próprio Ministério da Saúde indicam ainda que 25% desse valor destina-se a pacientes com obesidade mórbida, os quais custam cerca de 60 vezes mais do que uma pessoa obesa sem gravidade", completou Marchesini.

Excesso de peso e obesidade - A pesquisa Vigitel também mostrou que obesidade aumenta com o avanço da idade. Mas mesmo entre os mais jovens, de 25 a 44 anos, atinge indicador alto: 17%. Excesso de peso também cresceu entre a população. Passou de 42,6% em 2006 para 53,8% em 2016. Já é presente em mais da metade dos adultos que residem em capitais do país.
O cirurgião bariátrico do Rio de Janeiro, Fábio Viegas, vice-presidente Societário da SBCBM, acredita que os resultados da pesquisa retratam uma situação que vem sendo alertada e prevista desde o início do século.

"O Brasil acordou hoje com a informação de que estamos vivendo uma epidemia de obesidade. No entanto, o grande problema da obesidade é que as doenças a ela associadas podem matar. A hipertensão arterial e o diabetes, duas das mais lesivas patologias que podem acometer o ser humano, são exemplos. Além disso, outro fator preocupante está na faixa socioeconômica que a obesidade atinge", destacou Fábio Viegas. Ele reforça a importância de campanhas de prevenção, do incentivo à prática de atividades físicas e de campanhas nacionais de enfrentamento à obesidade. "Apenas com o esforço de todos teremos sucesso, caso contrário, no futuro teremos uma sociedade de doentes crônicos", completou Viegas.

Hábitos Alimentares - A mudança de hábitos alimentares também está sendo associada ao aumento de peso da população. Os dados da pesquisa apontam a redução no consumo regular de feijão de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. E o consumo de frutas e hortaliças por apenas 1 entre 3 adultos.
Para o vice-presidente Médico da SBCBM, cirurgião da Bahia Dr. Marcos Leão, reduzir a obesidade no Brasil é uma meta que já supera o desafio de erradicar a fome e a desnutrição.
"Mais da metade da população brasileira está acima do peso, consequência dos péssimos hábitos de vida de boa parte dos brasileiros", disse o Dr. Marcos Leão.
O médico reitera que o quadro atual mostra a transição alimentar no Brasil, que antes era a desnutrição e agora está entre os países que apresentam altas prevalências de obesidade. "E o mais grave é que as taxas de obesidade e sobrepeso são maiores entre as pessoas com menor acesso à educação e renda salarial mais baixa", demonstrou Leão.

Por outro lado, o cirurgião baiano ressaltou que não existem investimentos suficientes para o tratamento conservador da obesidade, especialmente entre a população de baixa renda. "A cirurgia bariátrica, no entanto, continua sendo a única ferramenta eficaz para tratar em definitivo a obesidade grave, mas infelizmente ainda é um tratamento pouco acessível à maioria da população que precisa", pondera Leão.

Prevenção - A nutricionista, Lorraine Ferraz, integrante do núcleo de Saúde Alimentar da Comissão de Especialistas Associados (COESAS) da SBCBM, diz que a alimentação saudável é uma grande aliada na prevenção da obesidade e na melhora da qualidade de vida.
"Não são necessárias fórmulas mágicas e nem alimentos milagrosos, como muitos ainda buscam equivocadamente. A redução no consumo de alimentos industrializados e o incentivo a prática de descascar mais e desembalar menos, deve ser o foco", defendeu Lorraine.

A nutricionista orienta a manutenção diária do consumo de hortaliças e frutas, pois além de fornecerem vitaminas e minerais, possuem componentes bioativos que são altamente benéficos ao organismo. "Não podemos esquecer das fontes de proteínas, gorduras boas e dos carboidratos complexos (os integrais de preferência)", explica.

Ela explica que um prato balanceado deve ser formado metade por verduras e legumes, um quarto de carboidratos de boa qualidade e um quarto de proteínas.
Para atingir estas recomendações o ideal é manter um planejamento adequado, incluindo compras programadas ao mercado, pré-preparo de pequenos lanches para levar para o trabalho/escola, manter saladas prontas em casa, dentre outras medidas. "A falta de opções saudáveis faz com que as pessoas acabem optando por refeições inadequadas, ricas em gorduras ruins e carboidratos simples", finaliza.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra

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