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Projeto Rio Doce de Novo completa um ano

11 abr 2017 - 17h31
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O projeto Rio Doce de Novo, desenvolvido pelo IBIO a partir da doação da banda Pearl Jam, em março de 2016, completou um ano de atividades. Nesse período, a iniciativa se fortaleceu, trouxe mais parceiros, por meio de cooperação técnica, e construiu e disponibilizou tecnologias e conhecimentos junto à agricultura familiar do município de Barra Longa (MG) e região, impactada diretamente pelos rejeitos minerários da barragem de Fundão, em Mariana (MG). "O projeto representa uma referência para toda a bacia do rio Doce, pois comprova que o acesso à informação e tecnologias, somado à mobilização social e de instituições de diferentes naturezas, possibilitam a disseminação e multiplicação de conhecimento e a construção de soluções, gerando expectativas reais de transformação de cenários", reflete o diretor-presidente do IBIO, Eduardo Figueiredo.

Foto: DINO

Após um ano de ações, a comunidade de Gesteira, escolhida para receber o projeto, passou a contar com duas unidades de referência tecnológica (URTs). "Essa estratégia permite a construção e aplicação integrada de diversas tecnologias adaptadas e voltadas à agricultura familiar, que visam à restauração da capacidade produtiva, agregando eficiência à atividade e recuperação ambiental do território. O intuito desse modelo é a produção com pouca base de insumos, tendo como pilar a construção e compartilhamento de conhecimentos tecnológicos acessíveis", enfatiza Thomás Ferreira, especialista em agricultura sustentável do IBIO e coordenador do projeto. "Dessa forma, o projeto cumpriu com sua proposta de contribuir para a recuperação ambiental e produtiva desses estabelecimentos rurais atingidos, de forma a ajudá-los a reverter o contexto instalado", completa.

De acordo com Thomás Ferreira, as informações e tecnologias apresentadas pela iniciativa trouxeram novas perspectivas de atuação para os produtores de Barra Longa e região do entorno, em um cenário marcado por muitas adversidades, algumas antigas e outras mais recentes. "Gradualmente, as comunidades rurais começam a perceber que é possível somar o conhecimento sobre técnicas de produção que eles já detém há várias gerações, com a adequação e aplicação de modernas soluções e práticas sustentáveis à atual realidade que eles vivenciam. As URTs foram instaladas em duas propriedades rurais, que ocupam uma área de, aproximadamente, 50 hectares. O projeto está em fase final de implantação e já são perceptíveis ganhos na ampliação de conhecimento e no domínio dessas novas práticas sustentáveis de produção, além do aumento da eficiência produtiva na agricultura e das primeiras respostas ambientais nessa área que recebeu as intervenções", pontua.

Ações e tecnologias

O projeto iniciou com uma imersão em campo para diagnosticar a realidade das propriedades rurais de Barra Longa e região, impactadas pelos rejeitos minerários oriundos do rompimento da barragem em Mariana. "Após essa primeira etapa, identificamos as duas propriedades a serem transformadas em URTs e iniciamos o cadastro ambiental rural (CAR), que somaram um total de 104 estabelecimentos regulamentados", detalha Thomás Ferreira. Criado pela Lei 12.651/12, o CAR é um registro eletrônico e obrigatório para todos os imóveis rurais. O cadastro forma uma base de dados estratégica para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa no país, além de impulsionar o planejamento ambiental e econômico dos imóveis rurais.

Ao longo desse um ano, as duas URTs implantadas receberam ações de capacitação e qualificação em técnicas, metodologias e práticas de produção sustentáveis. Entre as iniciativas estão dois cursos que abordaram, respectivamente, as alternativas de saneamento básico rural, com a construção de duas fossas de evapotranspiração, e o sistema de manejo racional de pastagem em silvipastoril. Essas iniciativas de capacitação mobilizaram um público de cerca de 80 pessoas, entre produtores rurais, estudantes e técnicos em extensão rural.

Partindo da metodologia de manejo racional de pastagem em sistema silvipastoril, as duas URTs foram estruturadas com tecnologias integradas, que ocuparam 3 hectares cada. Esse modelo implica na divisão dessa extensão de terra dedicada às URTs em áreas destinadas a três ações que visam à recuperação da fertilidade do solo e a gradual recuperação ambiental: o plantio de mudas de árvores florestais nativas; cercamentos para proteção de nascentes e matas nativas; e divisão da pastagem, através dos princípios do pastoreio racional Voisin (PRV).

Completando esse sistema integrado de tecnologias de produção sustentável, as URTs receberam a implantação de um modelo de saneamento básico rural, que consiste em duas fossas de evapotranspiração construídas em mutirão, durante o curso prático sobre essa temática, promovido em maio de 2016. Também foram construídas dez barraginhas, no caminho da água da chuva, como forma de reduzir sua velocidade de escoamento e aumentar sua infiltração e permanência no solo, promovendo o desenvolvimento da vegetação nativa e de pastagem.

O projeto Rio Doce de Novo

O IBIO recebeu, em março de 2016, os recursos doados pela banda Pearl Jam, no valor de US$ 33,333.00 (aproximadamente R$ 120 mil). O aporte está sendo utilizado no desenvolvimento do projeto Rio Doce de Novo , que visa à capacitação em agricultura sustentável, possibilitando a construção e adequação de novas soluções para recuperar e aprimorar o potencial de produtores rurais de municípios da bacia hidrográfica do Rio Doce, especialmente da bacia do rio Piranga, afetados diretamente pelo rompimento da barragem do Fundão. As atividades de qualificação e as tecnologias implantadas nas URTs foram disponibilizadas a produtores familiares de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

Ações concluídas

104 CARs

2 Unidades de Referência Tecnológica (URTs) de adequação ambiental e produtiva de estabelecimentos rurais com:

• Manejo Racional de Pastagem em Sistema Silvipastoril, de 3 hectares cada

• Proteção de nascentes e fragmentos de matas nativas por cercamento

• 2 Fossas de evapotranspiração

• 10 barraginhas para aumento da infiltração da água no solo

2 cursos de capacitação em saneamento rural (2 dias) e manejo racional de pastagem (5 dias)

80 pessoas beneficiadas diretamente pelas capacitações.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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