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Peelings químicos, antioxidantes, novo medicamento e LASER inédito no Brasil são as novidades no combate ao melasma

31 mar 2017 - 17h00
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O evento mais esperado do ano na área da Dermatologia terminou na semana passada com novidades em tecnologias e produtos para tratar a pele. Especialistas do mundo todo se reuniram em Orlando, no estado americano da Flórida, numa série de painéis, palestras e workshops que revelaram o que há de mais avançado em tratamentos.

O dermatologista Cristiano Kakihara começa destacando os novos procedimentos para tratar o melasma. A doença se caracteriza pelo aparecimento de manchas escuras na pele, normalmente no rosto, mas pode ocorrer em outras áreas que ficam mais expostas ao sol, como braços e colo. Pode afetar os homens, mas é nas mulheres entre 20 e 50 anos que o melasma é mais comum. As causas da doença podem estar associadas à exposição excessiva ao sol, uso de anticoncepcionais, herança genética e alterações hormonais com origem em doenças ou na gravidez. Produtos cosméticos que irritam a pele também podem piorar os episódios de melasma.

"Os antigos "peelings" químicos, que estavam meio em desuso para o tratamento de melasma, como Jessner e ATA, ressurgem com força total e, surpreendentemente associados, mostrando bons resultados. Contudo, ocorre descamação e nem todos pacientes apresentam melhora", destaca o dermatologista sobre um dos temas apresentados no encontro. Foi dado destaque também a necessidade de suplementação de vitamina D em pacientes com melasma que fazem uso sistemático de filtro solar.

Outro tema de destaque foi o uso do ácido tranexâmico, oral ou tópico, que vem apresentando bons resultados. Ele é um inibidor da plasmina, enzima presente no sangue que reduz proteínas do plasma sanguíneo. É usado há muitos anos na Medicina para evitar a quebra da fibrina, com o objetivo de reduzir a perda de sangue. Agora, o ácido tranexâmico mostrou que pode alterar as atividades dos queratinócitos, que formam as cinco camadas da epiderme, e suas interações. A substância pode ser usada em associação com LASER.

"Apesar dos bons resultados é preciso chamar a atenção para a necessidade de acompanhamento médico atento no uso desse produto, pois, mesmo sendo muito raro, ele pode vir a desencadear trombose venosa profunda", alerta Dr. Cristiano.

O uso de laser no tratamento do melasma

Os avanços no tratamento do melasma passam pelo uso de novas tecnologias. No encontro dos dermatologistas foram apresentados diferentes tipos de equipamento. Os LASERs vasculares, como o pulsed dye LASER, podem promover melhora de lesões do melasma, pois há nesta doença excesso de vascularização e de fator de crescimento endotelial vascular. Já os LASERs Q-switched Nd:YAG 1064 nm, com duração de pulso de nanosegundos, fragmentam com eficácia o excesso de melanina e é o tratamento mais consagrado no momento, com luzes, para o melasma; também foi citado no meeting um novo laser chamado pulsed alexandrite LASER. Essa tecnologia ainda não está disponível no Brasil mas pode ser importante para tratar a doença, de acordo com o Dr. Cristiano.

"É um laser que promete ser um novo tratamento eficaz para o melasma, por fragmentar a melanina".

Outros temas de destaque do Meeting da AAD

Dermatite atópica - Um produto tópico, contendo uma substância chamada crisaborole, que é inibidora da fosfodiesterase 4, está em fase final de estudo para uma alergia muito comum em bebês e crianças, a atopia ou dermatite atópica. Uma outra boa promessa para o controle da doença que foi apresentada no evento é a medicação injetável dupilumab, que é outra medicação que está prestes a ser lançada no mercado.

Acne - Durante o Meeting, foram dados alertas para que os médicos fiquem atentos a alguns procedimentos. Um deles fala da necessidade primordial de uma investigação hormonal em mulheres com acne severa antes de iniciar o tratamento tópico clássico.

Câncer de pele - O exame total e minucioso dos nevos melanocíticos (pintas) por médico dermatologista tem alta sensibilidade na detecção do câncer de pele, de forma que as lesões eram menores e estavam em estágios iniciais da doença. Eles deixaram claro que os médicos dermatologistas têm maior capacidade de detectar o câncer de pele carcinoma basocelular do que médicos não especialistas. Lesões cancerosas de carcinoma espinocelular foram diagnosticadas em menos de 60% quando foram avaliadas por médicos não-dermatologistas;

Rosácea - Sobre a rosácea foi apresentada uma nova medicação tópica, contendo oximetazolina, e é o mais novo arsenal no tratamento da vermelhidão facial causada pela doença. Sua ação dura até 12 horas.

Zika - Algumas drogas, até então usadas para outras doenças em Medicina, como daptomicina, mefloquina, ivermectina, metoxsalen, micofenolato mofetil, mebendazol, ciclosporina, azatioprina, sertralina, entre outras, estão sendo testadas no tratamento contra o vírus zika, com resultados variáveis. Foi mencionado que 80% dos pacientes infectados pelo vírus zika são assintomáticos. O vírus permanece mais tempo no sêmen (181 dias), do que na saliva (47 dias), na urina (15 dias) e no sangue (9 dias). Homens e mulheres que viajaram para áreas endêmicas para zika devem esperar 6 meses para fecundar.

Queda de cabelos - Sobre doenças que causam queda de cabelos, vários fatores costumam estar implicados, como ação do estresse, da diidrotestosterona e de outros hormônios, radicais livres (incluindo radiação ultravioleta, poluição, envelhecimento, toxinas), inflamação, circulação comprometida e nutrição comprometida). Terapia com laser de baixa potência tem apresentado bons resultados em diversas doenças do couro cabeludo, por aceleração das mitoses celulares, estímulo de stem cells e efeito anti-inflamatório.

Flacidez - Um novo fio de sustentação está sendo lançado no exterior, com uma composição muito próxima a um já existente no Brasil, com resultados também bons;

Uso da radiofrequência - Radiofrequência injetável é o termo que está se usando no exterior para uma tecnologia em que a radiofrequência não é aplicada sobre a pele, para estimular a produção de fibras colágenas e elásticas, mas sim dentro da pele, por um instrumento, como se fosse uma cânula de lipoaspiração. É um procedimento um pouco mais invasivo do que os atuais, pois requer infiltração de anestésicos (como se fosse uma cirurgia). Ainda não está disponível no Brasil.

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