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Vietnã tenta acabar com comércio de bile de urso

3 fev 2016
06h16 atualizado às 18h46
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06h16 atualizado às 18h46
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Foto: Daniel Ramalho / Terra

As campanhas de conscientização e a mudança de atitude do governo colocaram contra a parede as fazendas ilegais de ursos no Vietnã, onde ainda persiste a crença de que o suco biliar destes animais possui efeitos curativos milagrosos.

"Acreditamos que até 2020 vamos ter recuperado praticamente todos os ursos e a exploração no Vietnã terminará", declarou à Agência Efe o biólogo e diretor da Fundação Animals Asia, Tuan Bendixsen.

Segundo dados do governo, no final de 2014 havia 1.245 ursos em exploração. O número é 71% inferior ao registrado em 2005, quando eram mais de 4.300.

Os donos das fazendas dopam os animais e todos os meses cravam agulhas de dez centímetros no abdômen dos bichos para extrair a prezada bile, vendida em farmácias tradicionais da capital, Hanói, e em outras partes do país como remédio contra o câncer e as doenças hepáticas.

Embora a lei proíba esta prática, ela também permite, já que até 2005 os ursos podiam ser registrados como animais de estimação. Assim, a ambiguidade jurídica permite que a atividade continue de forma encoberta.

"Ao contrário da China, no Vietnã as fazendas são familiares, muitas têm um ou dois animais apenas e isso torna mais difícil encontrá-las para punir", justificou Bendixsen.

Ao longo de 2015, a Animals Asia libertou 33 animais durante uma campanha de vários meses nos arredores da Baía de Ha Long, uma das principais regiões turísticas do país.

"Eram muitas fazendas por lá porque alguns tours para coreanos e taiwaneses incluem a visita e a venda das bílis. Conseguimos chegar a esses lugares graças ao apoio das forças de segurança", disse o diretor da instituição.

No entanto, o pulso mais firme das autoridades também teve consequências negativas: mais de 100 animais morreram por inanição em 2015, abandonados por seus donos que não podiam tirar proveito deles.

Foto: Creative Commons

"Alguns proprietários exigem que o governo pague compensações pelo fato de eles terem que renunciar à extração da bile porque é seu meio de vida, mas não existem recursos para isso", comentou Bendixsen.

Os urso são levados ao santuário que a organização construiu no Parque Natural de Tam Dao, a 70 quilômetros de Hanói, onde eles se recuperam dos maus-tratos recebido durante anos.

"Pelo menos na metade dos ursos que conseguimos resgatar tivemos que retirar a vesícula biliar porque estava muito danificada pelas extrações mensais. Eles vão se recuperando fisicamente, mas não sabemos se em algum momento ficarão totalmente bem do trauma sofrido", lamentou o biólogo.

No complexo de 12 hectares, os cuidadores tentam "ressuscitar" os instintos atrofiados, mas Bendixsen afirmou que é difícil que algum dia os animais possam voltar à vida selvagem.

"É o objetivo final, mas agora não estamos em condições de cumpri-lo. Para conseguir isso, precisamos que o governo nos ofereça um espaço natural onde eles não estejam ameaçados pelos ladrões", destacou.

Após a ação bem-sucedida de 2015, a Animals Asia quer agora erradicar a extração da bile de urso nos arredores de Hanói, onde, segundo seus cálculos, operam 300 explorações.

Além da maior firmeza governamental, as campanhas de conscientização que existem desde 2010 foram modificando a percepção e o comportamento dos vietnamitas. De acordo com uma pesquisa realizada em 2014 nas principais cidades do país, o consumo do suco biliar de urso caiu 61% com relação a 2009.

Já Bendixsen, embora otimista com a ideia de acabar totalmente com o problema até 2020, afirmou que não sabe dizer o que vai acontecer com os mais de 1.200 ursos que seguem em cativeiro.

"Só temos lugar para 200 animais em nosso santuário. Precisamos encontrar um espaço onde eles tenham garantias", concluiu o diretor da entidade.

EFE   
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