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ONU propõe revisão do "insustentável" sistema produtivo alimentar

25 mai 2016 11h57
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A ONU apresentou nesta quarta-feira um pacote de 12 medidas para acabar com a fome no mundo e reduzir o impacto ecológico da produção de alimentos, um sistema "insustentável" a médio prazo e atualmente responsável por 60% da perda global de biodiversidade.

Entre as medidas propostas destacam-se um aumento da produtividade agrícola, a redução no consumo de carne e outros produtos que requerem um uso intensivo de recursos, além da conscientização do consumidor final sobre suas decisões alimentícias.

São "soluções reais que podem fazer a diferença", explicou Janez Potonick, ex-comissário de Meio Ambiente da UE e co-presidente do Painel Internacional de Recursos (IRP), órgão de especialistas que assessora a ONU e autor da proposta.

O relatório foi exposto hoje na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que acontece em Nairóbi.

Outra das medidas propostas pelo IRP é conectar os centros urbanos com as zonas rurais para fomentar as redes de fornecimentos regionais, mais eficientes e menos poluentes.

"Há 60 ou 70 anos, uma caloria de combustível produzia entre 200 e 300 calorias de alimento. Agora é o contrário: para produzir uma caloria de alimento são necessários de 300 a 400 calorias de combustível por culpa do transporte, do empacotamento e da armazenagem das mercadorias", afirmou o ex-presidente do IRP Ashok Khosla.

Em consequência, outra recomendação é eliminar os subsídios para combustíveis fósseis, uma medida que será muito polêmica e custará ser justificada apesar de supor um grande avanço para eliminar práticas pouco sustentáveis.

Segundo o grupo de especialistas, os sistemas de produção atuais criaram uma situação paradoxal na qual 800 milhões de pessoas vivem abaixo do umbral da pobreza e outros 2 bilhões sofrem problemas de sobrepeso ou obesidade.

A produção de alimentos também é responsável por 60% da perda de biodiversidade global e por 24% da emissão de gases do efeito estufa.

"A perda de biodiversidade, a mudança climática e a degradação do solo são grandes problemas que têm um impacto direto na segurança alimentar", acrescentou Potonick.

O rápido crescimento econômico dos países emergentes acrescentará mais pressão a um meio ambiente que já está em uma situação crítica com a incorporação de 3 bilhões de pessoas à classe média até 2050.

Um aumento da renda per capita costuma modificar a dieta da população, que passa de rica em carboidratos para alimentos ricos em calorias, açúcares e lipídios -além de produtos processados-, o que causa "custos ambientais desproporcionais" e gera um problema de saúde pública.

No entanto, Potonik lembrou que a mudança nos hábitos de consumo não é um problema exclusivo dos países em vias de desenvolvimento e que os países do Primeiro Mundo também devem mostrar iniciativa.

"A União Europeia publicou um estudo que calculava que uma redução de 50% no consumo de carne em nível europeu alcançaria uma redução de entre 25% e 40% nas emissões de gases do efeito estufa", sentenciou.

Durante a jornada, a ONU também lançou a campanha internacional "Wild for Life" que, com o apoio de líderes políticos e celebridades como a modelo brasileira Gisele Bündchen, pretende mobilizar a sociedade para lutar contra o tráfico ilegal da fauna selvagem.EFE

xfc-jem/ff

EFE   
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