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Mais de 1,7 milhão de crianças morrem por causas ambientais, segundo OMS

6 mar 2017
04h12
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Mais de 1,7 milhão de crianças menores de cinco anos morrem ao ano por doenças provocadas pela contaminação do ar, as deficiências no fornecimento de água, a exposição a produtos químicos e a falta de saúde e higiene, denunciou nesta segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A agência da ONU apresentou hoje dois estudos, "Herdando um mundo sustentável: Atlas sobre a saúde das crianças e o meio ambiente" e "Não contamine meu futuro", que abordam a relação entre a saúde dos mais jovens e o entorno que os rodeia.

A Organização Mundial da Saúde quer com estes relatórios transmitir a mensagem que a redução dos fatores ambientais de risco poderia evitar estas mortes.

"Um entorno contaminado é um entorno mortífero para as crianças", disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan.

Chan lembrou que os menores de cinco anos são especialmente vulneráveis às ameaças do entorno que lhes rodeia porque seus órgãos e seu sistema imunológico estão em desenvolvimento.

As infecções respiratórias (32%), os diferentes tipos de diarreias (22%), as afecções neonatais (15%) e as doenças transmitidas por vetores ou parasitas (12%) são as principais causas das mortes causadas por fatores ambientais.

Segundo um dos relatórios, pelo menos 570.000 crianças morrem anualmente por doenças respiratórias, a grande maioria por casos de pneumonia, provocada e agravada pela poluição do ar, tanto fora como dentro das casas.

"O uso de combustíveis como o carvão ou estrume principalmente para tarefas domésticas é ainda uma prática comum entre metade da população mundial", declarou em entrevista coletiva a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira.

Além disso, a poluição do ar e a exposição à fumaça como fumante passivo aumentam o risco de padecer de patologias cardíacas, derrames cerebrais, câncer ou doenças respiratórias crônicas, como a asma.

O estudo prova que 44% dos casos de asma em crianças maiores de cinco anos é uma consequência direta da poluição atmosférica.

Apesar da queda do número total de mortes infantis por doenças diarreicas nos últimos anos, estas afecções do trato digestivo custam a vida de 360.000 crianças a cada ano, como resultado de um acesso limitado à água potável e saneamento e higiene inadequados.

Por outro lado, 270.000 menores de cinco anos não superam o primeiro mês de vida por afecções neonatais que poderiam ser prevenidas com uma melhoria dos serviços sanitários.

A organização lembrou que as exposições a agentes ambientais começam na vida intrauterina e podem ter efeitos para toda a vida.

Neste sentido, são especialmente perigosos para os cérebros em desenvolvimento dos bebês os metais pesados como o mercúrio ou o chumbo, afirmou a cientista Annette Prüss-Ustün.

Por outro lado, os relatórios revelam que 200.000 casos de morte infantil por malária poderiam ser evitado graças à redução de criadouros de mosquitos, que transmitem o vírus, com a distribuição de mosquiteiros e cobrindo os recipientes de água dos domicílios.

Além disso, a OMS ressaltou que, a cada ano, 200.000 menores de cinco anos perdem a vida por culpa de quedas, acidentes de trânsito, envenenamentos por várias substâncias, incêndios ou por afogamento.

Os dados apresentados hoje mostram que mais da metade das infecções respiratórias das vias inferiores e das doenças diarreicas são causadas por fatores ambientais, enquanto no caso da malária a proporção é de 42%.

A maioria das mortes causadas por fatores ambientais ocorrem nos países em vias de desenvolvimento, onde, por exemplo, a poluição ambiental causa mais da metade as infecções respiratórias das vias inferiores nos mais novos.

Nos países com rendas mais altas, onde a contaminação tende a ser inferior, apenas 13% das infecções respiratórias têm uma relação direta com a poluição ambiental.

Outro fator de risco é, segundo a OMS, a proximidade de resíduos perigosos, um problema especialmente grave na África Subsaariana e que expõe as crianças a toxinas que podem diminuir suas funções cerebrais, causar déficit de atenção, danos pulmonares ou câncer.

Esta é uma tendência preocupante para a OMS, que prevê que a produção de resíduos elétricos e eletrônicos aumente e chegue ao número de 50 toneladas métricas em 2018, o que representa um aumento de 19% em comparação com 2014.

EFE   

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