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SAIBA QUAIS
AS DIFERENÇAS
ENTRE A RAZÃO
E A EMOÇÃO

Ao decidir se é hora de deixar aquele emprego
chato, mas que paga bem, você usa a razão ou
a emoção? E ao ver seu ídolo musical de
pertinho ou assistir ao gol decisivo do seu
time no fim de campeonato, é sua cabeça ou o
coração que se agita? E no momento da compra
do carro dos sonhos, que em alguns vale tanto
por um quanto pelo outro? O Terra te convida
para um especial que responde a essas
perguntas, conta como o cérebro reage a
diferentes situações e como encontrar o
equilíbrio entre o emocional
e a racionalidade.

Agência Ávidas
Especial para o Terra

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UM MUNDO A SER EXPLORADO

Você sabe dizer qual a diferença entre razão e emoção? Para muitos, a resposta está na ponta da língua: a primeira acontece na cabeça e a segunda dentro do peito. Há, porém, muitos mais mistérios e curiosidades sobre esses dois do que se pode imaginar. Na primeira aba deste infográfico, você irá entender as principais peculiaridades entre ambos, se são antagônicos ou se harmonizam, descobrir se é mais racional ou emocional, além de entender a reação do cérebro em diferentes situações e grandes eventos com multidões, tais como shows musicais.

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RAZÃO E EMOÇÃO

Há quem se orgulhe de dizer que só age racionalmente, e há quem não tenha a menor vergonha em declarar o quão intenso é emocionalmente. Para a Dra. Sonia Brucki, coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento, “pela razão você toma decisões e analisa os fatos utilizando os parâmetros que conhece, desprovidos da emoção, campo em que você deixa sentimentos interferirem nas suas escolhas”. A opinião da médica não destoa da emitida pelo psicólogo Paulo Tessariolli: “a razão traz os aspectos cognitivos, pensamentos e raciocínio. A emoção está diretamente ligada aos sentimentos, ao que está sendo vivido naquele momento”. 

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TUDO JUNTO
E MISTURADO

Independente se você racionaliza cada acontecimento ao seu redor ou se deixa levar pelas emoções com facilidade, não dá para dissociar um campo do outro, como se fossem o bem e o mal ou o preto e o branco. “Essa separação é feita por uma questão didática, para que haja entendimento, visto que razão e emoção estão juntas no que se refere aos aspectos psicológicos”, diz Tessariolli. Pois é, é impossível dividi-las na prática, já que estão inseridas uma na outra.

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CASA PRÓPRIA OU ALUGADA?

Muita gente acredita que a razão está localizada no cérebro e a emoção no peito. Essa visão romântica, tão utilizada na música, no cinema e a literatura, não ganha respaldo profissional. “As pessoas pensam que a razão está ligada aos aspectos mentais, mas a mente não está só no cérebro, está no corpo todo, das pontas dos dedos dos pés às pontas dos fios de cabelo. O coração é um órgão sensível às emoções, sim, mas esses possíveis impactos com aspectos emocionais se dão através de sensações como taquicardia e palpitação, por exemplo”. Em suma, a razão “divide a casa” com a emoção, que por sua vez, “aluga” o corpo às vezes.

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CHECK-IN EXATO

Quando você pensa muito, mas muito mesmo, que lugar dói? E se ficar angustiado, que parte do corpo se manifesta? Bom, se quiser fazer esse check-in sem medo de errar, saiba que o habitat do raciocínio lógico são os lobos frontais, localizados na parte da frente da cabeça, logo atrás da testa. Já as emoções, estão confortavelmente instaladas em um conjunto de estruturas cerebrais conhecidas como sistema límbico, localizado bem no meio e na parte interna do cérebro. Mas, como já falamos antes, elas passeiam pelo corpo e seus “portões” são as amígdalas.

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A FUNÇÃO
DO CORAÇÃO

Hoje, para se dar bem no mercado de trabalho, você precisa ser um profissional multi-habilidoso. E o coração também sofre com as mesmas exigências. Mas sua função diverge opiniões. Enquanto a neurologista diz que o órgão “só serve para bombear o sangue”, o psicólogo afirma que “ele responde sim aos estímulos ligados às emoções do indivíduo”. E você, o que acha?

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CONECTADOS

Pode parecer injusto que a emoção se manifeste em mais áreas do corpo que a razão, não é? Mas, calma, não é bem assim. É importante entender que corpo e mente estão ligados e interligados, influenciando um ao outro. Isso faz com que as reações sejam em cadeia, não aconteçam isoladamente. Essa separação, mais uma vez, é apenas didática, ou seja, feita para que o assunto seja estudado e entendido mais facilmente.

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VOCÊ É MAIS RACIONAL OU EMOCIONAL?

Essa resposta depende de múltiplos fatores, de genéticos a ambientais. O modo como você foi criado, suas experiências prévias, o nível educacional, cultural, além das suas características próprias, tudo contribui para a formação desse perfil.  “Ser racional, do ponto de vista psicológico, é uma forma de se proteger das emoções, defender o próprio ego. Esse mecanismo o distancia daquela ‘alteração’ que a emoção provoca”, alerta Tessariolli, que complementa: “mensagens de incentivo como “não se deixe abater”, “levanta a poeira”, sempre chegam até a gente. Esse estímulo é velado, mas forte, e vem para você se apoderar daquele momento, munido com mais razão, para não ceder à crença de que as emoções podem perturbar e adoecer, como em processos de luto, por exemplo. Sendo assim, se for pra chorar, chore.Se for pra sorrir, sorria”.

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À FLOR DA PELE

Você sabe dizer se tem domínio absoluto sobre o que sente? “Algumas emoções saem do seu controle e acabam extravasando, como o choro, por exemplo. Mas varia de pessoa para pessoa”, conta a Dra. Sonia. Felizmente, esse fundamental autocontrole é aprendido. “Desde o momento em que o bebê nasce, esse processo educacional é ensinado a ele. Ainda que a liberdade do indivíduo esteja sob vigília, essa é a forma encontrada para a interação entre as pessoas, com a preservação da ordem. Se é certo ou errado, não dá para saber, pois é o único caminho que todos conhecem”, frisa o psicólogo.

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O QUE NASCE COM A GENTE E O QUE É APRENDIDO

A vida é feita de aprendizados. Dos primeiros passos à independência, tudo é ensinado, às vezes pelo amor, às vezes pela dor mesmo. Agora se prepare, pois a informação a seguir pode chocá-lo: o amor também é aprendido. Tessariolli explica que “se alguém vem ao mundo e não é cuidado com amor, não o vivencia, simplesmente não consegue senti-lo, e, consequentemente, repassá-lo aos outros. O amor tem significado, sentido e é uma experiência exclusivamente humana. No reino animal, só existe o cuidar, aquilo não é amar”. E, apesar de muita gente confessar que ama descontroladamente, nesse aspecto, a paixão é muito mais poderosa. A começar pela raiz da palavra, vinda de passione, que evolui para passional, que lembra “crime passional”, ou seja, loucura. Assim como a raiva, ela é algo visceral, e junto com o amor, estão tão ligadas aos circuitos cerebrais do prazer quanto comer, por exemplo. Ah, cuidado: ambas podem tirar, tranquilamente, sua razão.

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EXPLOSÃO DE EMOÇÕES

Os brasileiros são tão conhecidos por sua facilidade em expressar emoções quanto os britânicos por reprimi-las. Mas o que difere esse comportamento? Basicamente, tem a ver com o desenvolvimento cultural de cada nação. A cultura brasileira, em específico, se desenvolveu em um território tomado pela miscigenação. Essa miscelânea de povos, culturas, sentimentos e pensamentos foram, e ainda são, os principais ingredientes dessa explosão emocional. Além disso, outros fatores como educação e ambiente externo também servem de moldes na construção desse comportamento.

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MULHERES, HOMENS
E SUAS REAÇÕES

Meninas e meninos são diferentes, o que torna tudo mais interessante. As emoções são as mesmas, e as decisões a serem tomadas, em sua grande maioria, também, ou seja, o ultrapassado quadro de regras “homens são assim, mulheres são assado” deve ser eliminado. Para a Dra. Brucki, “ambos reagem da mesma forma, mas externam de modo diferentepela própria influência da cultura e do meio em que cada um vive”. Em reforço ao ponto de vista da neurologista, Tessariolli acrescenta que “todos nascem apenas humanos, é a sociedade que os transforma em homens e mulheres. As reações ao longo da vida sãoembasadas em questões socioculturais”.

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O CÉREBRO EM GRANDES EVENTOS

Como você reage em meio à multidão? Fica feliz, nervoso ou nunca parou para analisar? Bem, a ciência tem uma resposta para isso, “depende do tipo de ligação que você tem com o evento”, diz a neurologista. Segundo a psicologia, o ser humano tem duas identidades: uma expressada quando se está sozinho (no caso, isso significa no trabalho, com a família e amigos), e outra quando se está em grupo, em meio àqueles com quem se identifica, como pessoas que gostam de uma determinada banda. A identidade fica diluída entre os vários membros do coletivo, mas eles ainda partilham do mesmo objetivo. Em suma, o indivíduo age diferente nessas duas situações.

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MULTI-INFLUÊNCIA

Por mais forte que seja a sua personalidade, ela é passível de influência, sim. Mas não se preocupe, isso não é algo ruim. No meio de um grande contingente de pessoas, se você está propenso a achar determinado comportamento positivo, se deixa levar. Em grupo, o comum é enxergar o que todos enxergam. Você não para muito para pensar, analisar ou mesmo julgar isoladamente. É um fenômeno perfeitamente humano.

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MONO-INFLUÊNCIA

Pois é, os grupos têm forte poder de influência, mas um único indivíduo também pode ter esse papel. Se você tem uma valiosa ligação afetiva com determinada pessoa, fica sensível aos apelos emocionais dela. É importante estar atento, pois esse alguém pode te levar a experimentar um inocente novo drinque ou sair da linha de vez em determinada situação. 

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SOZINHO NA MULTIDÃO

Se você ainda não teve essa sensação, conhece alguém que relatou já ter se sentido só em meio a milhares de pessoas. E isso pode ser em uma rua movimentada ou em um grande evento. O psicólogo esclarece que “sozinhos, estamos sempre, por mais que se queira pensar e agir juntos. Pode dar um desespero, mas também ser tranquilizador, porque você é um ser único. E o fato de reconhecer que se sentiu sozinho naquele momento não significa que vai viver assim pra sempre”.

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GOSTAR OU NÃO GOSTAR, EIS A QUESTÃO

Nem seria preciso, mas geralmente a palavra “gosto” vem seguida de “pessoal”. Em um show musical, por exemplo, se você não curtir a banda, se ela não fizer parte da sua lista de favoritas, esqueça. A experiência não vai ter aquele brilho diferente, não será marcante. Razão e emoção trabalham com o mesmo circuito quando o assunto é prazer, e é essa necessidade de recompensa que vai definir sua atitude. Se você vê alguma vantagem naquilo, vai aproveitar.

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ÍDOLOS E FÃS

Já viu alguém tomado pela histeria por conta de algum ídolo? “Isso acontece porque se fantasia muito sobre quem é a pessoa”, diz o psicólogo. O admirado sofre um endeusamento e fica tão perfeito aos olhos do fã que motiva essa vontade alucinada de chegar perto, tocar, chorar e gritar, gritar e gritar.

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É OBSESSÃO?

Dizem que o amor e o ódio estão separados por uma linha tênue, no caso, a loucura. A obsessão por um artista só é positiva quando se mantém em um patamar saudável. Nesse nível, não há problema nenhum em cultivá-la. Agora, se esses limites ultrapassam a barreira do saudável, os riscos aparecem para você e para o ídolo.

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NA FILA

Esperar não é a melhor das sensações, ainda mais se essa espera ocorre em uma fila. Quando é para assistir de perto ao cantor favorito, no entanto, não se ouve uma reclamação dos fãs que aguardam dias pela apresentação. Nesses casos, o sistema límbico (aquele onde moram as emoções, falado lá atrás) fica excitado apenas pelo rumor de que determinado show irá acontecer. Com a data uma vez marcada, dias antes são montados acampamentos em fila no local do evento. Isso se justifica pelo o tamanho da admiração. É uma forma de mostrar, pra si e para os outros, o sacrifício que está sendo feito pelo ídolo. Não chega a ser irracional, mas para quem não faz parte daquele grupo, geralmente não faz sentido.

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MÚSICA: AME OU ODEIE

Já pensou em como seria a vida sem trilha sonora? Agora, sem ir tão longe: já se imaginou sem música no computador ou no celular? Fato é que as músicas servem de marcadores na nossa vida, em especial na afetiva. Elas entram pela porta das emoções, logo, dependendo do momento em que se está, podem ter um peso maior. Amar ou odiar determinada canção instantaneamente está fundamentado em um padrão do que você gosta, esculpido por experiências anteriores. E tudo isso é determinado no cérebro.

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SAIBA POR QUE DEIXAMOS A RAZÃO DE LADO NA HORA DO FUTEBOL

Um dos momentos mais alegres e, por incrível que possa parecer, mais estressantes para o ser humano é a hora do jogo de futebol. Razão e emoção são seleções fixas e estão sempre em campo, em uma acirrada e interminável disputa. No Brasil, o clima é de Copa, e mesmo sob toda a expectativa, isso é só mais um motivo para reunir os amigos em frente à TV ou no estádio, para experimentar sensações capazes de mexer até mesmo com os torcedores mais racionais. Nesta aba, você vai descobrir e entender tudo o que acontece no seu corpo e cérebro durante esses queridos 90 minutos.

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EM CLIMA DE COPA

A Copa ainda não começou. Mas todo esse clima já é capaz de mexer com o seu corpo e emoções? “A expectativa do evento já mobiliza a nossa emoção, mas não como durante uma partida. Essa pré-emoção é até saudável, pois é uma sensação leve. Os batimentos do coração aumentam de forma pequena, ainda que você esteja sob considerável euforia. Felizmente, é benéfico, já que a felicidade está relacionada à sensação de bem-estar, consequentemente, a redução de doenças cardiovasculares”, diz a Dra. Olga de Souza, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ).

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ANSIEDADE: RACIONAL OU EMOCIONAL

É dia de jogo e a ansiedade toma conta. Mas, em que time ela joga, razão ou emoção? “Por definição a ansiedade é emocional”, diz o Dr. Daniel Barros, coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas-USP. Em contrapartida, a psicóloga Fernanda Mion, especialista em Hipnose e Psicoterapia Breve Individual, afirma que “se levarmos em consideração o histórico do indivíduo, pode ser mais racional. Quando você marca para assistir a um jogo com os amigos, ou compra um ingresso, são decisões racionais. Como transitamos entre razão e emoção, quando o coração bate mais forte por conta da expectativa, o assunto é só aquele ou você tira sarro de outro time, é a emoção que fala mais alto”.

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PRA QUEM VOCÊ TORCE?

Escolher um time é parte da diversão de curtir o futebol. Na infância, a decisão vem pela busca de aceitação na família, que cobra. Entretanto, é comum os filhos mudarem de ideia, se os pais torcem para times diferentes (isso pode até virar um dilema). Quando se é mais velho, o sentimento de pertencimento a determinado grupo é o que induz essa escolha. Há outros fatores decisivos, como a identificação com as cores da camisa, facilidade de acesso para assistir aos jogos, sede do time (mesmo bairro, ou cidade), e encantamento por torcidas e hinos.

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LOCAL DO JOGO: SUA CABEÇA

Já se apaixonou à primeira vista? Não, não por alguém, mas por um time? Você sabe que está apaixonado quando vibra junto com a torcida, quando ri e chora com o clube do coração, quando conhece e sente emoções por ele. Em alguns casos mais intensos, essa paixão pode ser comparada a fé religiosa, por exemplo.

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PAIXÃO, SIM. LOUCURA, NÃO

No slide anterior, você viu que a paixão por um time pode ser tão forte quanto a fé. Mas, será que ela pode substituir outras paixões na vida de uma pessoa? “Substituir no sentido de suprir, eu tenderia a dizer que não. Contudo, há pessoas que têm uma tendência mais fanática, e acabam acreditando que podem substituir uma coisa por outra. O indivíduo toma um fora e se afunda na torcida, por exemplo”, frisa o psiquiatra. Sua opinião é ratificada pela psicóloga: “é importante ter cuidado para não entrar no âmbito da patologia, como deixar de dar atenção para mulher e filhos por causa de um jogo, ou deixar de fazer suas atividades normais por causa de um time”.

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ARENA LÍMBICA

Jogo e emoção andam juntos. Tanta ansiedade, alegria, raiva, sofrimento, choro, risos, gritos, têm que vir de algum lugar. Esse time de sensações joga em uma região do cérebro chamada límbica, também conhecida como sistema ou lobo límbico, o epicentro das emoções. 

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AÇÃO E REAÇÃO

Coração e respiração acelerados, aumento da tensão muscular e do suor nas mãos e testa. Já sentiu isso? É pura ansiedade. “O corpo humano é equipado com um mecanismo de enfrentamento de estresse e ansiedade, que originalmente é programado para lutar ou correr. Porém, esse mecanismo também é acionado em situações de ameaça que podem não ser necessariamente reais”, diz o Dr. Barros. 

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SENTIDOS ALTERADOS

Você assiste ao jogo com os olhos vidrados na TV, praticamente desativa sua visão periférica, só ouve a voz do narrador e o apito do juiz, mas solta o berro se for preciso. É assim que se configuram a cegueira e surdez no momento da partida. Você fica tão mobilizado emocionalmente que diminui sua capacidade de perceber o entorno. Para a Dra. Fernanda “assemelha-se a um transe hipnótico. A pessoa se desliga do que acontece ao seu redor para focar naquilo que está vendo. A atenção está dirigida para a tela, por isso ela não escuta”.

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QUANTO MEDE?

Se tem uma palavra que se aplica a um jogo de futebol, provavelmente será “estresse”. Chega a ser curioso como, em uma mesma partida, algumas pessoas conseguem ser tão controladas e outras tão explosivas. Agora, você sabia que é possível medir os níveis de estresse durante um jogo? Para isso, há métodos que vão dos mais simples, como estudar o comportamento do próprio sujeito, aos mais sofisticados, como experimentos neurocientíficos. 

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UM ADVERSÁRIO CHAMADO ESTRESSE

Nada em excesso é bom. E o estresse causado por emoções demais, não foge à regra. Ele dilata as pupilas, arrepia os pelos e aumenta a sudorese. Causa palidez pela vasoconstrição (redução do volume dos vasos), gerando aumento das batidas cardíacas da frequência da respiração. “Todo esse mecanismo leva a diminuição da oferta de oxigênio para o coração. Pessoas com a saúde normal conseguem fazer essa adaptação, mas um paciente com doenças coronarianas pode sofrer infarto e até morrer”, afirma a cardiologista. Quando essa reação de estresse é temporária, como uma briga no trânsito, não há problema, mas, quando é mantida por muito tempo, o risco é maior. Em tempo: um jogo tem 90 minutos (de tensão).

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JOGO PERIGOSO

Em um jogo de futebol, os times envolvidos correm o risco de ganhar ou perder. Assumir esse risco enquanto torcedor é uma atitude que, além de racional, é supersaudável. A Dra. Olga explica: “se o indivíduo nunca teve nada, é assintomático, mas tem histórico familiar ou fatores de risco (ser fumante, ter colesterol alto, ser obeso ou sedentário), em meio a uma emoção muito forte, corre um relevante perigo de sofrer um problema do coração. Todavia, quem já tem lesão coronariana, durante o estresse da partida pode até infartar”. A médica ainda lembra que “não dá para ficar 90 minutos estressado. Vamos torcer com prazer, sem sofrimento”.

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CORAÇÃO SOB TENSÃO

Não são só suas emoções que ficam à flor da pele quando você está sob tensão. Seus vícios também. Em busca da sensação de recompensa, muitos descarregam as emoções na comida, que, dificilmente, será uma tábua de palmitos e tomates cereja. Os gordurosos e salgados petiscos aumentam a pressão arterial e a frequência cardíaca, malefícios cobertos pela ilusão de que aquilo os deixará mais calmos. Não dá para generalizar, mas, se a pessoa tem o hábito de comer mais rápido, ela fica mais vulnerável, bem como se ela for fumante, irá tragar bem mais cigarros do que o usual.  E isso vale também para o álcool.

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MENU EMOCIONAL

Se você lançasse mão da razão para escolher o que beliscar durante um jogo, provavelmente selecionaria comidinhas mais saudáveis à calabresa frita e os queijos amarelos. A busca pelo alívio da ansiedade pende para alimentos como um doce, ou frituras. A única sensação que vem é o alivio, mas ele não passa de uma ilusão, ainda que gere um prazer e libere serotonina no nosso organismo. Essa escolha do menu baseado na emoção, surpreendentemente, não mexe com as emoções.

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PERDAS E GANHOS

É gol. Seu time marcou um golaço, imediatamente você fica em estado de euforia e seu corpo responde com os mesmos sintomas da ansiedade. Até aí, tudo bem, afinal, o motivo vale qualquer suor na testa a mais. Mas, e se for o contrário? Seu time foi goleado: “a tristeza tem um componente de sintoma emocional, mas é forte o suficiente para gerar dor física, como um aperto no peito”, conta o psiquiatra. “Depende de como cada ser humano lida com perda. O maior dano mesmo pode ser na voz, depois de tantos berros e gritos”, lembra a psicóloga.

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STATUS: ATIVADO

Falta, pênalti errado, gol contra, cartão vermelho no melhor jogador do time. A percepção negativa gerada por esses acontecimentos nasce em uma região do cérebro chamada lobo da ínsula, que fica dentro do sistema límbico, aquele responsável pelas emoções. É nele que nascem a raiva, a indignação, e curiosamente, o paladar.

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DOPA-AMIGA

Alívio, alegria, satisfação: sensações que explodem quando seu time vence um campeonato. Nesse momento, no corpo masculino acontece um aumento considerável dos níveis de testosterona (talvez isso explique os gritos com a voz mais grossa). Em homens e mulheres, o cérebro libera um neurotransmissor chamado dopamina, responsável pelo bom humor, pelo estado de recompensa agradável. Seu time vence o campeonato e você não só ganha o título, como essa sensação deliciosa.

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PRAZER

O que te dá prazer na vida? Comer? Dormir? Sexo? Será que a vitória do seu time do coração pode substituir a sensação de qualquer uma dessas atividades? A resposta é: depende de cada modelo mental. As sensações podem ser comparadas, mas é difícil que uma consiga substituir a outra.

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FALANDO SOZINHO, MAS NEM TANTO

“Corre”, “rouba a bola”, “marca, marca”, são só algumas das inúmeras orientações que você dá para o seu time (e para o técnico) durante o jogo, ainda que eles não estejam o escutando. Agora, já se perguntou por que você e milhares de torcedores fazem isso? A psicóloga Fernanda Mion responde: “por que a gente é palpiteiro e joga junto. O torcedor tem um olhar de fora, consegue detectar certas coisas que, os que estão em campo, sob real tensão, não conseguem perceber”. No mais, você fica tão envolvido com a partida, que acha nisso o único meio de “extravasar”.

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DENTRO E FORA – DE SI

Você grita com a TV sim, e daí? “É a emoção falando mais alto. O transe hipnótico do momento do jogo faz com que as emoções fiquem mais afloradas”, afirma a psicóloga. Mas o Dr. Daniel Barros pensa diferente: “nesse caso, a emoção não supera a razão, afinal, o sujeito não está louco, ele sabe que não pode intervir”. E você, o que acha?

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A POTÊNCIA DO PIOR

Mesmo que você não seja um perito nas leis do direito, na hora da partida, uma possível injustiça você reconhece de longe. Essa é uma emoção forte e programada dentro do cérebro. Quando ela surge, real ou não, aumenta relevantemente a expressão emocional. “Um acontecimento dentro do jogo que desperte essa sensação de injustiça pode ser tão potente, que muitas vezes alguns acabam se descontrolando. Além da necessidade de ter razão que, naquele contexto, se manifesta em forma de fúria, aquilo mexe com o resultado final do jogo”, diz a psicóloga.

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LEVANDO NA ESPORTIVA

Não adianta gritar, socar a parede, chutar a TV. A melhor maneira de lidar com picos de estresse negativo na hora do jogo, para a psicóloga Fernanda Mion Fernanda é: “aceitar os fatos. O juiz pode errar, ele é humano. Tentar entender que também poderia acontecer com o time contrário”. No outro lado do campo, o psiquiatra Daniel Barros chuta a bola com força: “a ideia de que precisa extravasar a emoção é um mito. Emoções fortes, ruins ou não, o ideal é que o indivíduo espere passar. Tentar se acalmar, não sair ‘extravasando’. Se na hora do estresse você não consegue parar para pensar, tudo bem, mas não dá para sair chutando tudo. O conceito de extravasar é errado”. 

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TOMADA DE DECISÕES

A única decisão que você não toma na vida é a de nascer. Depois dela, você decide a hora de mamar, de escolher seu amor, sua carreira e o que te traz felicidade. Nesta terceira aba do nosso especial, entenda como o seu cérebro se comporta nas tomadas de decisão em várias situações. 

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A HORA DA DECISÃO 1

Analisar a situação, as alternativas e… decidir. Às vezes você tem tempo para isso, mas e quando só lhe restam poucos minutos, ou mesmo segundos? Você já parou para pensar em como seu cérebro funciona na hora de tomar uma decisão importante? “Ele avalia as possíveis saídas, opções conscientes e inconscientes, como experiências prévias, para escolher aquela que seja a melhor naquela situação”, diz o Dr. Norberto Frota,vice-coordenador do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. 

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A HORA DA DECISÃO 2

Tomar uma decisão, ainda que difícil, envolve aspectos “aparentemente” simples. Além do que a pessoa já vivenciou, é interessante saber que, “quando ela lança mão desses recursos de forma tranquila, acaba tomando decisões favoráveis a si. Agora, se ela faz isso de uma forma que acessa a ansiedade pode ser prejudicial, pois, às vezes, a tomada de decisão é postergada, ou seja, o tempo fica escasso e ela é tomada às pressas”, afirma o psicólogo Paulo Tessarioli. 

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BASEADO EM FATOS

Na hora de decidir, você usa mais o seu lado racional ou deixa que os sentimentos o guiem? Bom, antes de qualquer resposta, saiba que é impossível separar os dois. Por mais que você queira tomar uma decisão 100% racional, não irá conseguir, pois o peso emocional das suas experiências anteriores acaba influenciando. 

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BOM SENSO EMOCIONAL

Para o neurologista, “como a emoção é alimentada por muito da sua experiência, do que viveu, marcou, do que aprendeu com seus erros, ela acaba tendo um bom senso, sim”. Mas, para o psicólogo, “depende de como as pessoas trabalham as próprias emoções. Algumas, através de processos psicoterápicos, têm o privilégio de manejarem o que sentem com uma força ‘talvez’ mais adequada”. 

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MAS QUE SITUAÇÃO...

Você mudaria de cidade com base na emoção? Parece arriscado. Educaria um filho só com base na razão? Pouco provável até de imaginar. Pois bem, as decisões tomadas mais racionalmentesão as que não têm implicação para você, ou seja, de ordem prática, do dia-a-dia, como “te busco agora ou mais tarde?”. As emocionais são trabalhadas com base no que você já sofreu ou experimentou da vida. “Todas as esferas são permeadas pela emoção. Nesse sentido da esfera relacional, a emoção tem que estar sempre presente. Na profissional, às vezes é melhor deixá-la um pouco de lado, mas, em todas as outras: familiar, social, afetivo, sexual, o melhor é deixar fluir”, recomenda Tessarioli.

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O CÉREBRO DO ANSIOSO

Se você se vê diante de alguém demasiadamente ansioso, talvez se pergunte o porquê de tudo aquilo. A psicologia explica: “aqui, a razão do tempo para esperar a resposta está comprometida. A ansiedade, de modo geral, coloca a mente a frente do momento que se está vivendo. Geralmente, ela não traz um futuro positivo, mas quem acaba ameaçado mesmo é o presente, já que o sujeito fica alarmado, muitas vezes até aguardando algo de ruim acontecer com ele”. 

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“KEEP CALM” E DEIXA DE ANSIEDADE

É muito mais fácilpedir calma do que ter calma. Se você precisa, a qualquer custo, driblar sua ansiedade, há algumas saídas: tente enxergar a realidade de outra forma, mas sem fugir dela. Olhe por outros ângulos, tente achar outros caminhos. Encare os fatos. A ansiedade vai abaixando à medida que você a enfrenta, mas de uma forma consciente. É preciso responsabilizar-se pelo que está acontecendo e não colocar no piloto automático, pois nele, você fica sem saber para onde ir e o que o espera. Em suma, não dá para se isentar da responsabilidade se a melhora da situação só depende de você. 

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MOMENTO CONQUISTA

Quantas e quantas vezes você não é bombardeado com frases de incentivo do tipo “não desista dos seus sonhos”, “ faça acontecer”, “quem traça seu destino é você”. Parece bobo? Mas esse estímulo encoraja muita gente, sim. E se a missão for conquistar alguém, quando a vontade é enorme, não importa se as chances são mínimas. O indivíduo usa sua razão para planejar uma probabilidade daquilo dar certo, agindo em cima do que ele conhece do gosto do outro, no intuito máximo de agradar.

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PEÇAS DO JOGO

Quando se fala de conquista, se fala de jogo. E para isso você precisa ter estratégia. Em qualquer plano que você arquitete, razão e emoção entram juntas no desenho: a emoção como direção dessas estratégias (para onde a gente vai) e a razão (como a gente vai chegar lá). Em outras palavras, use o racional para atingir o emocional de quem você quer roubar o coração.

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COMO LIDAR
COM O NERVOSISMO

Se completar uma prova, que é algo completamente solitário, já é capaz de deixar alguém nervoso, imagine conquistar o outro? Você não pode deixar que o nervosismo atrapalhe. “Em um caso como esse, ele tem que ser neutralizado, pois não dá para querer não sentir. A vida é permeada pela excitação, que nada mais é que a tensão em um nível saudável”, frisa o psicólogo. Planejar todas as ações a serem executadas ajuda muito a ter todo o “possível” controle da situação (não depende só de você, lembre-se), mas não custa nada ter um plano B, não é?

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SENTIMENTOS: CONTROLÁ-LOS OU NÃO, EIS A QUESTÃO

Todo início de relacionamento traz um turbilhão de sentimentos que dividem você entre entregar-se e agir com cautela. Dúvidas clássicas como “será que eu ligo” permanecem em aberto por um tempo relevante até que tudo se estabilize, já que foi você quem ligou da última vez. O dr. Norberto alega que “depende do quão profundo é aquele relacionamento. No começo, segure um pouquinho, controle a paixão inicial, que traz o desejo de mostrar tudo. Com o tempo, você pode liberar mais um pouquinho”. Na outra mão, Tessarioli sugere que “o ideal é deixar fluir, o que não significa se deixar levar única e exclusivamente por isso. Não trave, não iniba essa energia. A razão atuando junto nesse processo é uma forma saudável de deixar fluir, mas ela tem que estar presente o tempo todo”. 

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QUER SE CASAR COMIGO?

Sem dúvida, essa é uma das frases que mais marcam a vida de alguém. O coração, como é de se esperar, está a mil, mas e o cérebro?Aqui, tudo está ligado ao sistema límbico, aquele, responsável pelas emoções.“Nessa tomada de decisão o que vai pesar é a sua emoção, mas o seu coração bate com a racionalidade da praticidade para aquilo ser feito, ou seja, não adianta você amar aquela pessoa e não ter condições para casar com ela. O cérebro pesa aquilo que o organismo está falando (emoção) com o fato de ele poder fazer aquilo (razão)”, explica o neurologista. O psicólogo ainda acrescenta: “um certo grau de tensão é a primeira coisa que a mente alcança, e também uma ansiedade ‘boa’,  já que há um vislumbre de futuro”.

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EMOÇÃO RACIONALIZADA

Em poucos cliques na internet, você acha os pedidos de casamento mais divertidos, criativos e grandiosos já feitos mundo afora. Há desde os mais simples (mas não menos legais), como uma “caça ao tesouro”, até os superelaborados, como uma flashmob em frente à Torre Eiffel. Agora, esseplanejamento todo seria mais racional ou emocional? Dr. Frota responde: “mais racional, porque é preciso planejar toda uma ação. A decisão já foi tomada, agora é só planejar, e aí o lobo frontal entra em ação. É nesse que são tomadas as decisões, com influência e grande conexão com o sistema límbico, o responsável pelas emoções”.

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SURPRESA

Você já sabe como funciona o cérebro de quem está pedindo em casamento. Mas, e o de quem recebe o pedido? “Dá para analisar de duas maneiras: se a pessoa em questão está envolvida e as expectativas dela caminham nesse sentido, é um deleite, um mix de sensações muito agradáveis. A ansiedade e a tensão não cabem aqui, mas sim o êxtase” diz o psicólogo. Tecnicamente, você recebe uma descarga de neurotransmissores excitatórios, que vão deixar seu coração batendo a mil. Além disso, há uma descarga de endorfina que vai trazer à tona toda a emoção que a pessoa viveu e viverá na mesma hora.

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MUDANÇA DE EMPREGO

Essa pode, facilmente, ser considerada umas das maiores questões da humanidade. E o maior cuidado aqui é não se basear só na emoção. Você precisa da razão para avaliar as opções e o seu dia-a-dia, inclusive com pensamentos futuros, de como vai agir dali a determinado tempo. O racionalprecisa pesar mais. E por mais que a emoção de fazer isso esteja presente, vai esbarrar em questões que geram incerteza: “será que é isso que eu quero mesmo?”. Essa decisão passa pelo filtro da tensão e da ansiedade, acessando algumas emoções que a priori são chamadas de negativas, como medo, temor e insegurança do que está por vir. Entretanto, tudo o que você sente nessa situação pode ser atenuado se você está sendo bem recebido no outro emprego. 

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SEM PERDER O CONTROLE 1

Exceto em casos em que você faz de tudo para isso, ser demitido é, usualmente, uma situação surpresa e não perder o controle, ainda que seja uma injustiça, é fundamental. “Se o sentimento for de raiva, o lobo frontal te avisa para não agir abruptamente. Quem tem dificuldade em se autocontrolar pode tomar uma atitude errada que lhe traga problemas. Tenha em mente que, a raiva virá, o que tem que ser controlado é a expressão dessa emoção.Não aja irracionalmente”, recomenda o neurologista.

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SEM PERDER O CONTROLE 2

O modo como a demissão será conduzida também é superimportante para evitar reações bruscas. Por mais que a situação seja catastroficamente conduzida, o que se espera é que o demitido ainda tenha autocontrole. “Eu creio que nós ainda não estamos preparados para o fim de modo geral, o que é uma particularidade do ser humano. Se você parar uns minutos para pensar que um dia vai morrer, não ficará confortável. Há o aspecto cultural que deve ser levado em consideração, pois a ideia de finitude é pouquíssimo ou nada trabalhada entre os ocidentais. No mais, não esqueça que o emprego não é seu, ele lhe foi dado. As pessoas não pensam nisso e na maioria das vezes são surpreendidas, acham que foram injustiçadas. Quem tem esse entendimento acaba dificultando as coisas ainda mais”, explica o psicólogo.

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RACIONAL, NÃO MAU

Se você está na posição de quem demite, e se preocupa em parecer uma má pessoa (afinal, pode ser um colega próximo), comece falando os argumentos que te levaram a isso. Tente entender os impactos que aquilo terá para aquela pessoa e, dentro das possibilidades, mostre outras possíveis saídas e ajuda, como oferecer uma carta de recomendação. Quer saber como dar más noticias? Fique frente a frente, olhe nos olhos, seja claro e não menospreze nem insufle o problema, mostre-o como ele é. O ideal é ter argumentos suficientes para convencer o demitido de que aquela era, realmente, a única solução. 

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DECIDINDO O FUTURO

Atualmente, as pessoas são obrigadas a escolher uma carreira cada vez mais cedo. Pelo calendário educacional, o ingresso na faculdade é por volta dos 18 anos. Na hora de optar por qual profissão seguir, use o sistema de recompensa (mas não só ele) do seu cérebro para tomar a decisão. Em primeiro lugar, não use a questão financeira como maior peso. Ao longo prazo seu cérebro vai aproveitar que você se focou nisso e vai cobrar essa conta. A escolha deve ser baseada na sua noção de gostar, o dinheiro deve ser uma consequência. Agora, se quer mudar de carreira, o grau de maturidade é essencial nessa hora. Ele é que vai ditar o tom de como essa experiência vai ser assimilada. No momento de tomar uma decisão, questões como “eu me banco”, “minha autoestima como profissional está preservada” e “eu sinto que tenho valor pessoal”, pesam. Se não houver nenhuma base sólida nesse sentido, construir o castelo na areia é muito mais fácil.

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PLANEJANDO UMA VIAGEM

Expectativa, excitação, euforia. Sensações muito presentes ao planejar uma viagem. Mas você sabe que parte do seu cérebro é ativada junto com tudo isso? “É nas regiões parietal e frontal que o cérebro faz as conexões que planejam suas ações”, esclarece o neurologista. Na mente, mais uma vez o indivíduo recorre ao aprendizado. Quanto ao planejamento, se ele não aprendeu de berço, vai por tentativa e erro mesmo. Um bom planejamento envolve análise do tempo que se vai ficar fora, aonde se vai, a temperatura e outros checklists.

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SOFRER POR ANTECIPAÇÃO: NÃO

A ansiedade que antecede uma viagem é normal, contanto que ela não vire um transtorno na sua vida. O planejamento é uma forma de diminuir esse sofrimento por antecipação, pois ele te obriga a imaginar como vai ser e como pode acontecer. Assim, acaba sendo um exercício para minimizar os efeitos desse padecimento.

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FRUSTRAÇÃO: TEM PREVENÇÃO?

Imagine um mundo onde você jamais se frustraria. Sim, ele nunca sairá da sua imaginação. “Você pode tentar prevenir a reação, mas o sentimento é inevitável”, frisa o neurologista. Como prevenir a reação em si? O psicólogo esclarece: “vivendo-a. Quando eu vivo admitindo a possibilidade de me frustrar, significa que minha expectativa está baixa. A expectativa é a mãe da frustração”. 

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PONTO DE EQUILÍBRIO

É possível definir, ou mesmo alcançar o ponto certo entre razão e emoção? Nas três abas anteriores, revelamos os mistérios desse curioso e excitante duo, e agora você aprende a achar seu equilíbrio interno e nas esferas social, familiar e profissional. Veja o que os especialistas ensinam.

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EXERCÍCIOS QUE EQUILIBRAM

É muito mais fácil pedir do que ter calma. Felizmente, há alguns exercícios que desenvolvem este quase “dom”, como meditação, ioga, psicoterapia e atividades físicas de modo geral. Eles ajudam a manter o equilíbrio, porque liberam no organismo substâncias que dão sensação de prazer e bem estar, além de facilitarem o controle das emoções. 

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INSPIRE, RESPIRE, EQUILIBRE, DECIDA

Nem sempre há tempo para a tomada de decisões: ou você é pego no susto ou o prazo não é suficiente para analisar os fatos. Nesses momentos, para não deixar o descontrole assumir, o indicado é trabalhar a respiração. “Ela é um antídoto natural, quando você para e respira mais fundo por alguns instantes o corpo acalma. A respiração quebra o estado de fúria, raiva, nervosismo, e faz com que a razão ajude a pensar novas possibilidades. Pode ser a melhor aliada nesse momento”, diz a psicóloga Fernanda Mion.

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1, 2, 3, 4...

Já ouviu alguém dizer que contar até dez pode ser útil para espantar o nervosismo? Parece lenda, mas esse hábito é eficaz. “Quando nos vemos em situação de estresse, logo vem aangústia de fazer algo para resolver aquilo. E só de se conformar com o contexto, o estresse diminui. Nos casos de disputas, o ideal é usar o velho truque de contar até dez. Ele realmente funciona”, diz Daniel Barros, coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas-USP.

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AJUDA HIPNOTIZANTE

Outro caminho na busca pelo equilíbrio entre razão e emoção pode ser a hipnose. “Ela não necessariamente tem esse foco, mas se vai trabalhar as causas da ansiedade do indivíduo, por exemplo, ameniza a ansiedade e com isso resgata o controle emocional”, explica a psicóloga, que também tem formação em hipnose.

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EM FAMÍLIA

Quando se fala em amigos e família, o mais comum é agir e pensar baseado no emocional. A emoção traz transparência nas relações, você “é o que é” com maior fluidez. Entretanto, “se você mesmo for um problema, tem mais é que mudar. O equilíbrio na vida familiar e pessoal é tão importante como no restante”, lembra o psiquiatra. Se o desequilíbrio estiver sendo gerado pelo outro, o ideal é tentar entender o modelo mental dele, para não se afetar e até se descontrolar pelo comportamento alheio. “Não se deixe influenciar pelo comportamento do outro, senão você estará vivendo uma vida de projeções, e isso causa abalo emocional”, aponta Fernanda.

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FAZER O BEM SEM EXPECTATIVAS

Frases como “fazer o bem sem olhar a quem” e “dar sem esperar receber” são lindas de ler e até falar. Mas no mundo real, colocá-las em prática exige um grau de maturidade e equilíbrio bem relevantes.Tente não depositar expectativas, principalmente em amigos e familiares.Se você faz algo para alguém, é bom que seja de forma genuína, sem esperar nada em troca. Faça porque você quer fazer (tenha consciência disso) e não se compare. Isso dá mais controle e evita muitas, mas muitas frustrações.

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PROFISSIONALISMO EMOCIONAL

Muita gente acredita que o ambiente de trabalho é massivamente racional. Isso só seria possível, no entanto, se apenas máquinas realizassem as tarefas, já que onde há humanos sempre haverá sentimentos e dramas do cotidiano. O que acontece nesse setor (ou pelo menos deveria) é um foco maior nas atividades e menor na vida pessoal. Como você já viu, o fato de não expressar, não significa que não sentir.

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FOFOCA TIRA O FOCO

Uma das dicas mais valiosas para equilibrar razão e emoção na vida profissional é não fazer e nem dar ouvidos para fofocas. A psicóloga alerta que “se você é a vítima, o emocional fica bem abalado, principalmente se estiver vivenciando alguma injustiça.Como não dá para fugir, já que muitas vezes você depende do seu trabalho, o mais importante é saber quem você é. Se a consciência está limpa, esclareça com quem vale a pena elembre-se que tudo passa. Por isso é importante o amor próprio e a confiança em si. Quanto mais se tem, menos se abala”.

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A MEDIDA DO AMOR

No início das relações amorosas, as qualidades do outro ficam muito mais evidentes do que os defeitos. Com o tempo, no entanto, surgem os atritos e aí é necessário ter uma medida exata de como agir para preservar esse amor. Se o casal for muito emocional, o relacionamento será, indiscutivelmente, muito conturbado. Se for racional demais, há desperdício de tempo, atenção e carinho. É importante colocar o respeito como o termômetro dos desentendimentos, pois ele emana bom senso e permite autocontrole, deixando a relação mais saudável e proveitosa.

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A REAÇÃO DO CORAÇÃO

Você já percebeu como o coração se comporta quando se dá conta que não tomou a decisão certa? “Se foi uma decisão errada consciente, ele vai agir com calma. Se foi errada e você se assusta, aí seu coração dispara mobilizado pelo nervosismo e ansiedade. É importante ressaltar que, dependendo do grau de ansiedade, a pessoa pode até sofrer uma taquicardia”, afirma o Dr. Ricardo Mourilhe, vice-presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (SOCERJ). 

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RISCOS FÍSICOS NA TOMADA DE DECISÕES

Você já sabe que as emoções não são geradas no coração. Mas isso não o isenta da responsabilidade de uma decisão bem tomada. “Insuficiência cardíaca, a obstrução de um vaso ou artérias como a carótida ou vertebral, que levam sangue para o cérebro, prejudicam o perfeito funcionamento do mesmo”, frisa o DrMourilhe. Por isso, estar com a saúde do coração em dia é fundamental para decisões assertivas. 

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TOLERÂNCIA ZERO

As pessoas têm “timings” diferentes. Por isso, a paciência tem que vir de todos os lados. Diariamente, aprende-se que quanto mais flexível, melhor a convivência. E isso se traduz em ações como ser mais empático e ouvir com atenção os outros. A intolerância pode ser fruto da natureza do indivíduo ou de um problema de ordem maior. Em ambos, o ideal é parar, respirar e usar a razão para controlar esse impulso.